Varejo

Efeito Casas Bahia: Fundo imobiliário despenca e Allos (ALOS3) entra no radar após RJ; veja a avaliação dos analistas

18 ago 2026, 13:24
casas bahia
(Imagem: Casas Bahia/Divulgação)

O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia (BHIA3) adicionou uma nova camada de preocupação para investidores do mercado imobiliário. Embora os holofotes estejam voltados para credores, fornecedores e acionistas da varejista, alguns fundos imobiliários também aparecem no radar devido à exposição à companhia.

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Entre os casos mais emblemáticos está o HSI Logística (HSLG11). Segundo relatório recente da Empiricus Research, a Casas Bahia responde por cerca de 30,9% da receita contratada do fundo, tornando-se o principal locatário e o maior risco de crédito da carteira.

Apesar de o fundo seguir com vacância física zerada, inadimplência líquida de 0% e distribuição mensal de R$ 0,75 por cota, a concentração na varejista levou a Empiricus a adotar uma postura cautelosa em relação ao ativo.

“O principal ponto de atenção está na concentração de receita no Grupo Casas Bahia, responsável por aproximadamente 31% da receita do FII”, destacam os analistas Caio Araujo e João Henrique Gambier no relatório.

Na avaliação da casa, o risco existe, mas não necessariamente significa uma deterioração estrutural da operação. Isso porque os imóveis ocupados pela Casas Bahia estão localizados próximos a grandes centros consumidores e inseridos em regiões com demanda logística consolidada, fator que pode facilitar uma eventual substituição da locatária ou a absorção dos espaços por novos inquilinos.

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A própria gestão do fundo trabalha para reduzir essa dependência. Segundo a Empiricus, novas sublocações em imóveis localizados em Contagem (MG) e São José dos Pinhais (PR) poderiam reduzir a participação da Casas Bahia na receita do fundo de cerca de 31% para próximo de 19%.

Ainda assim, o cenário foi suficiente para que a casa mantivesse uma recomendação conservadora para o ativo. “Apesar de enxergarmos o fundo como descontado, a elevada exposição da receita ao Grupo Casas Bahia reduz a atratividade da tese neste momento”, afirmam os analistas.

Nesta segunda-feira (17), após a notícia do pedido de RJ, o FII chegou a recuar mais de 5% no bolsa brasileira. No pregão de hoje, a queda continua e já chega a quase 10%.

E os shoppings?

Se nos fundos logísticos a preocupação está relacionada à dependência de receita, nos shopping centers o mercado vê um risco bem mais limitado.

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Em relatório divulgado após a notícia da recuperação judicial, o Citi afirmou que a exposição das empresas listadas do setor à Casas Bahia é relativamente pequena. Utilizando sua base proprietária de dados sobre locatários, o banco identificou lojas da varejista em 19 shoppings da Allos (ALOS3), tornando a companhia a mais exposta entre as administradoras cobertas pelo banco.

Iguatemi (IGTI11) e Multiplan (MULT3) aparecem com apenas uma unidade da Casas Bahia cada, localizadas no Shopping Esplanada e no ParkJacarepaguá, respectivamente.

Apesar disso, a avaliação dos analistas é que o impacto para o setor deve ser marginal.

“Embora a Allos tenha uma exposição um pouco maior devido à sua ampla presença regional, vemos risco desprezível para Iguatemi e Multiplan. Portanto, a recuperação judicial da Casas Bahia deve ter apenas um impacto marginal nos níveis de ocupação e na receita de aluguel do setor”, escreveu o Citi.

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Em nota enviada ao Money Times, a Allos afirmou que a exposição atual à varejista já é menor do que parte do mercado imagina.

“A Allos esclarece que 16 lojas foram fechadas pelo Grupo Casas Bahia, mas outras 14 permanecem funcionando normalmente. Em momentos como esse, a companhia tem a oportunidade de trazer outras parcerias e novidades para os consumidores, reforçando seu compromisso em oferecer o melhor mix de lojas, serviços e entretenimento”, disse a companhia.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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