Eleitor concorda mais com Lula do que com Flávio Bolsonaro, e tarifaço pode favorecer reeleição do presidente, aponta pesquisa
Mais da metade do eleitorado brasileiro está ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando ele atribui ao adversário Flávio Bolsonaro (PL) o pedido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para aplicar um tarifaço contra o Brasil.
É o que aponta o recorte da pesquisa Genial/Quaest divulgado nesta quinta-feira (16), um dia após os Estados Unidos anunciarem a aplicação das tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O levantamento aponta ainda que a sanção pode favorecer a reeleição de Lula sobre a eleição de Flávio Bolsonaro.
Segundo a pesquisa, 51% dos entrevistados concordam com a avaliação de Lula de que o senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro intercedeu junto a Trump pelas sanções comerciais. Outros 30% declararam concordar com a afirmação de Flávio Bolsonaro de que pediu ao presidente norte-americano para não retaliar o País. Já 19% não souberam ou não responderam.
No mês passado, 47% concordavam com Lula, 35% com Flávio, ou seja, a diferença de avaliação entre as duas opiniões cresceu de 12 pontos para 19 pontos porcentuais entre os que concordam mais com Lula.
O levantamento mostrou que 49% dos entrevistados concordam com o presidente da República de que as tarifas são retaliações dos Estados Unidos ao Pix, solução financeira brasileira apontada pelo governo estadunidense como ameaça às principais bandeiras de cartão de crédito daquele país.
Outros 33% concordam com Flávio Bolsonaro de que as sanções são uma reação dos Estados Unidos às declarações de Lula contra o país. Em junho, os porcentuais eram 46% favoráveis a Lula e 36% ao senador. A pesquisa apntou que 10% não concordaram com nenhum dos dois em junho e julho.
Aumenta a vontade de votar em Lula
Para 42%, o tarifaço aplicado pelos Estados Unidos aumentou a vontade de votar e Lula, ante 39% em junho. Para 27% o incentivo foi para o voto em Flávio Bolsonaro, ante 30% no mês passado e, para 23%, a vontade após o tarifaço é votar em outro candidato a presidente da República, mesmo porcentual do mês passado.
Entre os entrevistados, 43% sabiam e 57% não sabiam da viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, no mês passado, para falar com Trump sobre as tarifas. Por outro lado, 58% entendem que o senador não tem força para convencer o presidente dos Estados Unidos a rever o tarifaço, contra 34% que avaliam que ele teria poder para demover Trump da decisão já tomada.
Segundo a pesquisa, 62% dos entrevistados em julho sabiam da aplicação de tarifas dos Estados Unidos sobre o Brasil, ante 48% que tinham conhecimento das sanções no mês passado. Já os que desconheciam o tarifaço saíram de 52% para 38% no período entre as duas pesquisas. Para 63%, as sanções irão prejudicar a vida pessoal e familiar e 31% entendem que não irão prejudicar.
Metodologia
Na pesquisa, foram consultados 2.004 eleitores presencialmente entre a última sexta-feira (10) e segunda-feira (13). A margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos, com índice de confiança de 95% e a pesquisa tem o registro BR-07181/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).