Embraer (EMBJ3) chega a cair 25% após o 1T26, mas BTG mantém otimismo e recomenda compra; veja motivos
Apesar do sentimento de frustração que se instaurou após os números do primeiro trimestre de 2026 (1T26) da Embraer (EMBR3), o BTG Pactual espera uma recuperação e tem visão otimista para a fabricante de aeronaves brasileira.
Do ponto de vista operacional, a equipe de analistas liderada por Lucas Marquiori destaca que a principal crítica recaiu sobre as margens, que ficaram abaixo das expectativas, especialmente nas divisões de aviação comercial e executiva.
A Embraer atribuiu o desempenho abaixo do esperado a fatores como impactos tarifários, mix de clientes/produtos e aumento nos custos de logística.
“O mercado não pareceu convencido e o papel entrou em um movimento negativo, com queda de cerca de 25% desde a divulgação dos resultados do 1T26”, pontua o BTG.
Na leitura do banco, outros fatores macroeconômicos, como a volatilidade no conflito do Oriente Médio e seu impacto nos preços do petróleo, e as negociações de cessar-fogo na Ucrânia, que contribuíram para a compressão dos múltiplos de empresas de defesa, também tiveram papel secundário nessa queda.
“Sabemos que a tese de investimento da Embraer em 2026 tem mais a ver com execução do que com crescimento da carteira de pedidos (catalisador recorrente nos últimos anos), mas o book atual é sólido o suficiente para sustentar um desempenho robusto ao longo do ano.
Tendo em vista a pressão estrutural do setor de aviação e a perspectiva de uma trajetória crescente de lucros, os analistas veem as ações Embraer com uma boa relação risco/retorno nos níveis atuais.
Derating injustificado
Desde o início da guerra em 28 de fevereiro, o BTG observa uma redução dos múltiplos no setor aeronáutico amplo, de companhias aéreas a montadoras.
Na visão do banco, o movimento refletiu a elevação dos preços internacionais de combustível de aviação, o que levou o mercado a questionar se os
fundamentos do setor de transporte aéreo poderiam ser estruturalmente afetados.
Por outro lado, as empresas de defesa permaneceram resilientes no geral, com o ambiente reforçando a tendência de alta nos orçamentos globais de defesa, especialmente na Europa.
O BTG vê o backlog (carteira de pedidos) da Embraer crescente de US$ 32 bilhões reportado no 1T26
como evidência de demanda forte, assegurando volumes de produção por aproximadamente quatro anos e maior nível de confiança do ponto de vista de pedidos.
“Diante disso, continuamos esperando lucros robustos no curto prazo, com opcionalidade de captação de pedidos acima do esperado movendo as ações”, dizem os analistas.
1T26 da Embraer
A Embraer reportou lucro líquido ajustado de R$ 145,4 milhões referente ao primeiro trimestre de 2026 (1T26), excluindo itens extraordinários de -R$ 29,4 milhões referentes aos resultados da Eve.
A cifra representa uma redução no lucro ante os R$ 299,9 milhões registrados no mesmo período de 2025 e R$ 522,7 milhões do trimestre imediatamente anterior.
A companhia decidiu, a partir de 2026, deixar de classificar os impostos diferidos como item extraordinário pois seu impacto a longo prazo é próximo de zero e, consequentemente, ajustou os resultados comparáveis de 2025 apresentados para uma comparação justa, conforme o documento.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), que mede o desempenho operacional, ficou em R$ 749,4 milhões, acima dos R$ 631 milhões reportados no mesmo período do ano anterior.
Já a margem Ebitda ajustada permaneceu estável na comparação anual, em 9,9%.
No caso do lucro antes de juros e impostos (Ebit) ajustado, a companhia registrou R$ 488,6 milhões, com margem Ebit de ajustada crescendo para 6,4%.
No período de janeiro a março deste ano, as receitas líquidas da fabricante brasileira de aeronaves totalizaram R$ 7,6 bilhões, superando os R$ 6,4 bilhões reportados no primeiro trimestre de 2025, um aumento de 18%.