Temporada de balanços do 1T26 do S&P 500 traz ‘dinâmica sólida’, e dois setores foram decisivos, avalia BTG
O BTG Pactual considera que, com mais de 92% das empresas do S&P 500 já tendo divulgado os resultados, a temporada de balanços do primeiro trimestre de 2026 (1T26) apresenta dinâmica operacional sólida e acima dos padrões históricos, com surpresa positiva no lucro líquido de 16,3% em relação às estimativas do consenso.
Em relação à receita líquida, a surpresa positiva foi de apenas 2,0%, indicando que a maior parte do crescimento segue atrelada à alavancagem operacional e maior participação das empresas de tecnologia e comunicação no lucro líquido consolidado do S&P 500, avalia o BTG.
Já na comparação anual, o banco aponta que o crescimento agregado do lucro líquido do S&P 500 alcançou 27,5% no período, acompanhado por expansão de 11,1% da receita líquida.
Isso, avalia, indica um ambiente ainda favorável para ativos de risco, impulsionado pelos elevados investimentos em infraestrutura de inteligência artificial dos hiperescaladores, como Alphabet, Amazon, Microsoft, Meta e Oracle.
Além disso, a temporada de resultados do primeiro trimestre é a sexta consecutiva de crescimento de dois dígitos do lucro líquido do S&P 500, sustentada principalmente pelos setores de tecnologia e comunicação. Segundo o BTG, os dois segmentos representam cerca de 48% do valor de mercado do índice.
Os resultados das empresas do setor de consumo discricionário foram o principal destaque positivo da temporada no S&P 500, com surpresa positiva de lucro líquido de 40,8%, diz o banco. “A performance do setor foi melhor do que o mercado temia, em um contexto de expectativas já reduzidas pelo consenso”, acrescenta.
Para o BTG, sob a ótica macroeconômica, os fundamentos seguem desafiadores, com um mercado de trabalho em dinâmica de “no fire, no hire” e crescimento fraco da renda real.
“Ainda assim, o consumidor americano continua resiliente, sustentado por uma relação entre patrimônio líquido e renda anual próxima de 8x, perto das máximas históricas, além de baixos níveis de alavancagem das famílias”, detalha.
Outro destaque positivo do 1T26, de acordo com o banco, foi o setor de comunicação, impulsionado principalmente pela performance da Alphabet, beneficiada por ganhos relacionados a investimentos em empresas não listadas via equivalência patrimonial, além de resultados operacionais sólidos no Google Cloud.
“Por outro lado, o principal destaque negativo da temporada ficou para o setor industrial, que apresentou surpresa positiva de lucro líquido de apenas 8,5%, aproximadamente metade da surpresa observada no índice consolidado”, afirma o BTG.
O resultado mais fraco, segundo o banco, contrasta com os níveis de valuation elevados em que o setor negocia, em aproximadamente 25x lucros para 2026, próximo das máximas históricas, implicando que parte relevante das expectativas de crescimento já está precificada pelo mercado.
Abril deste ano é um dos melhores para o S&P 500
No ano, o S&P 500 acumula alta de 8,7%, depois de avançar 10,4% em abril — no quarto melhor desempenho para o mês desde 1928.
Na avaliação do BTG, o movimento segue sendo impulsionado principalmente por fundamentos microeconômicos sólidos, com destaque para as revisões positivas de lucro líquido nos setores de tecnologia e energia.
Com isso, o banco aponta que o índice conseguiu evitar um impacto pior diante do cenário macroeconômico mais desafiador, das incertezas geopolíticas, da elevação nos preços do petróleo e da reprecificação da taxa de juros dos EUA, os Fed Funds, pelo mercado.