Mercados

Empresas da B3 perdem ‘quase uma Vale (VALE3)’ em valor de mercado em agosto em meio à fuga dos estrangeiros

13 ago 2026, 16:14
Ibovespa queda
(Imagem: iStock/hernan4429)

O Ibovespa (IBOV), principal índice da bolsa brasileira, acumulou queda de 5,9% de 3 a 12 de agosto. No período, as empresas listadas na B3, em uma sequência de sete pregões de baixa, perderam R$ 279 bilhões em valor de mercado, segundo levantamento da Elos Ayta.

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Isso é o equivalente a cerca de 90% do valor de mercado da Vale (VALE3) (R$ 311 bilhões), a terceira maior companhia do país.

No mesmo período, o Ibovespa passou de 178.000,24 pontos, em 3 de agosto, para 167.491,07 pontos em 12 de agosto, quando registrou a sua sétima queda consecutiva.

“A sequência de perdas ocorreu em um ambiente de maior cautela com os ativos brasileiros, marcado por preocupações com o cenário doméstico, incertezas relacionadas ao processo eleitoral e redução da exposição de investidores estrangeiros à Bolsa”, afirma o levantamento da consultoria.

O movimento de saída dos estrangeiros da B3 ganhou força após o JP Morgan rebaixar a recomendação das ações brasileiras de compra para neutra, devido à cautela com o ciclo de queda da Selic, ao cenário eleitoral e à deterioração de crédito.

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Além disso, a pesquisa de cenário eleitoral CNT/MDA divulgada na terça-feira (11) mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48% das intenções e votos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tem 39,1% no segundo turno.

Mesmo com redução da vantagem da pesquisa anterior, de 12,5 pinto percentuais, para 8,9 p.p., o presidente Lula ainda seria reeleito, considerando a margem de erro de 2,2 pontos.

Bancos perdem um Banco do Brasil (BBAS3)

De acordo com o estudo da Elos Ayta, a perda de valor de mercado foi disseminada entre diferentes segmentos, mas teve forte concentração em seis setores: Bancos, Energia Elétrica, Exploração, Refino e Distribuição, Seguradoras, Cervejas e Refrigerantes e Serviços Médico-Hospitalares.

Esses segmentos juntos perderam R$ 213,6 bilhões, o equivalente a 76,5% de toda a redução de valor de mercado das empresas listadas na B3 no período.

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Além disso, a dimensão da correção pode ser observada pela comparação com o valor de mercado de uma das maiores instituições financeiras do país, uma vez que corresponde a cerca de 96% do valor de mercado do BTG Pactual (BPAC11), atualmente próximo de R$ 224 bilhões.

O maior recuo entre os segmentos foi registrado pelos bancos, formado por 18 instituições. O setor perdeu R$ 100,1 bilhões em valor de mercado, praticamente o equivalente ao valor de mercado do Banco do Brasil (BBAS3), atualmente próximo de R$ 108 bilhões.

Reprecificação dos ativos

De acordo com o levantamento da Elos Ayta, a redução de R$ 279 bilhões representa a perda de valor de mercado das companhias provocada pela desvalorização das ações, mas isso não significa que o mesmo montante tenha deixado a Bolsa em forma de resgates ou vendas.

O movimento, entretanto, dimensiona a intensidade da reprecificação dos ativos brasileiros em apenas sete pregões. “A pressão também ocorre em um cenário de saída de investidores estrangeiros: dados divulgados nesta semana apontam retirada de R$ 7,2 bilhões da Bolsa em agosto, até os dados divulgados em 12 de agosto”, acrescenta a consultoria.

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Para a Elos Ayta, a concentração das perdas em grandes setores e a magnitude da redução do valor de mercado mostram que a sequência de quedas do Ibovespa representa um movimento relevante de reavaliação das companhias brasileiras pelo mercado.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.

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