Entrevista: Caiado diz que Brasil caminha para ‘mexicanização’ e aposta em segurança para chegar ao segundo turno
O ex-governador de Goiás e pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, afirmou que pretende romper a polarização entre PT e PL nas eleições de 2026 com uma plataforma centrada na segurança pública, no ajuste fiscal e na modernização da Economia. Em entrevista ao Market Makers, parceiro do Money Times, Caiado também retomou as críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), líderes das pesquisas eleitorais.
Caiado afirmou que precisa ampliar seu conhecimento junto ao eleitorado nacional para avançar nas pesquisas e chegar ao segundo turno. “Quase 50% da população brasileira ainda não me conhece”, disse.
Segundo ele, o atual ambiente político é marcado por uma disputa entre “os campeões de rejeição” Lula e Flávio Bolsonaro. “Não gosta do Lula, vota no Flávio. Não gosta do Flávio, vota no Lula. Então, é uma eleição de rejeitados”, afirmou. “Será que é isso que a sociedade deseja neste momento?”, indagou.
O ex-governador defendeu uma alternativa à polarização e repetiu o discurso de que pretende convencer o eleitor apresentando resultados obtidos durante seus dois mandatos em Goiás.
Segurança pública como principal bandeira
Boa parte da entrevista foi dedicada ao tema da segurança pública. Caiado afirmou que o combate ao crime organizado será uma prioridade em um eventual governo federal e fez críticas à atuação da União na área.
“O Brasil caminha para um processo de mexicanização, não de venezuelização”, declarou. “Hoje o Comando Vermelho e o PCC atingem um patamar muito mais elevado de sofisticação e de invasão de mercado no mundo. São hoje as duas maiores multinacionais do narcotráfico.”
Segundo ele, o avanço das facções compromete não apenas a segurança da população, mas também o ambiente de negócios. “Como é que você vai estimular alguém a investir aqui, sendo que cada vez mais as facções criminosas invadem o mercado formal?”, questionou.
Segundo ele, investimentos em inteligência artificial e integração das forças policiais em Goiás durante sua gestão proporcionaram a resolução de 86% dos crimes registrados no Estado.
Corrupção e deterioração das contas públicas
Além do agravamento da violência, Caiado voltou a associar o PT de Lula a casos de corrupção. “O escândalo aconteceu em qualquer Estado brasileiro? Você já pode chegar dizendo que o PT está envolvido, porque o DNA dele está em toda corrupção praticada no País.”
Ao abordar economia, Caiado criticou o aumento dos gastos públicos, responsabilizou o governo federal pela deterioração das contas públicas e defendeu reformas estruturais. “Resgatamos o equilíbrio fiscal. Recebi o Estado praticamente quebrado e entreguei com R$ 9,8 bilhões em caixa.”
Inteligência artificial e terras raras
Outro tema recorrente foi a política industrial. Caiado afirmou que o Brasil está desperdiçando oportunidades na corrida global pela inteligência artificial e pela exploração de minerais estratégicos. “O Brasil não tem um marco regulatório da inteligência artificial. Tem uma lei aprovada há mais de três anos em Goiás”, afirmou.
O ex-governador destacou ainda o potencial das chamadas terras raras exploradas em Goiás e criticou a exportação de minerais com baixo valor agregado. “Nós continuamos como Brasil Colônia. Exportamos o minério bruto e importamos tecnologia”, disse Caiado, citando acordos firmados pelo Estado com Estados Unidos e Japão para desenvolver etapas mais avançadas da cadeia produtiva desses minerais.
Críticas a Flávio Bolsonaro
Questionado sobre a disputa pelo eleitorado de direita, Caiado afirmou que pretende se apresentar como uma alternativa mais preparada para governar.
“Você deseja um candidato à Presidência da República que, diante de uma crise, busca uma carta de apoio do pai e se coloca como porta-voz, ou um presidente que saiba encarar os problemas?”, disse, em referência a Flávio Bolsonaro.
Para o ex-governador, liderança política “não se herda” e o próximo presidente precisará reunir experiência administrativa para enfrentar os desafios econômicos e institucionais do País. “O presidente é porta-voz de 215 milhões de brasileiros.”
PSD e a eleição de 2026
Apesar de reconhecer que integrantes do PSD mantêm alianças regionais com o governo Lula, Caiado afirmou que isso não compromete sua candidatura.
Ele elogiou o presidente nacional do partido e nome indicado a vice em sua chapa, Gilberto Kassab, por lançar uma candidatura própria ao Planalto. “Se o Kassab não tivesse lançado um candidato à Presidência da República, você já teria o segundo turno definido.”