Entrevista

Entrevista: Com lucro acima do esperado, CFO da Multiplan (MULT3) fala em ‘tempo de colheita’

30 abr 2026, 12:44 - atualizado em 30 abr 2026, 12:44
Armando D'Almeida Neto, CFO da Multiplan (Imagem: divulgação)
Armando D'Almeida Neto, CFO da Multiplan (Imagem: divulgação)

A Multiplan (MULT3), dona de uma rede de 20 shopping centers, atribui o lucro líquido acima do esperado no primeiro trimestre de 2026 (1T26) a uma combinação de expansão operacional, reciclagem de portfólio e investimentos realizados nos últimos anos, de acordo com o CFO, Armando d’Almeida Neto.

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Em entrevista ao Money Times, o executivo afirmou que a estratégia adotada pela companhia tem impulsionado vendas, receitas e geração de caixa, mesmo em um cenário marcado por juros elevados.

Um dos destaques do 1T26 da empresa foi a venda de 10% de participação no BH Shopping, localizado em Minas Gerais, numa operação iniciada em janeiro e concluída no final de março, por R$ 285 milhões.

Desse montante, metade foi paga à vista, enquanto os 50% restantes serão recebidos em duas parcelas: 25% em 12 meses e 25% em 18 meses.

De acordo com D’Almeida, embora apenas parte do valor tenha ingressado de fato no caixa, a operação foi integralmente reconhecida no trimestre, o que contribuiu para a alta anual de 57,3% na receita líquida, que somou R$ 827 milhões no período.

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“A contabilização é feita toda no momento da venda. No caixa, entrou metade e o restante vem depois, conforme o fluxo acertado”, explicou o executivo, destacando que a reciclagem de portfólio faz parte do modelo da Multiplan.

“Particularmente, nesse 1T26, a gente teve uma atividade imobiliária maior, que foi a fração [no BH Shopping] que nós alienamos e que tínhamos comprado em 2019. Mas comprar e vender participações é absolutamente o nosso negócio principal, assim como desenvolver e explorar ativos.”

Entre janeiro e março deste ano, a operadora de shopping centers teve lucro líquido de R$ 316,1 milhões, um crescimento de 35% na comparação com o mesmo período de 2025.

A média de previsões de analistas do setor compilada pela LSEG apontava para um lucro líquido de R$ 234,4 milhões.

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Multiplan: tempo de colheita

Além do efeito extraordinário, o CFO pontuou também que a companhia tem vivido um “tempo de colheita”, com frutos de um amplo ciclo de investimentos.

Nos últimos três anos, a Multiplan destinou cerca de R$ 2 bilhões a expansões e revitalizações de seus shoppings, num movimento que, segundo ele, elevou a atratividade dos empreendimentos, impulsionou as vendas dos lojistas e levou a empresa a registrar, em base de 12 meses, a maior receita de sua história.

“Há três anos, a gente aprovou um plano que, na época, o mercado viu como bastante audacioso, que foi o de fazer algumas expansões e desenvolver também revitalizações em nossos shoppings. E esse plano está em fase final”, afirmou.

“Todas as expansões que nós anunciamos na ocasião já foram entregues, e a gente acabou anunciando mais duas expansões no ano passado, que também serão concluídas em breve”, prosseguiu. “Então, foi um investimento grande de capital. E isso resultou num crescimento de vendas e receita.”

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No 1T26, as vendas dos lojistas dos shoppings da companhia no conceito mesmas lojas subiram 5,1% contra o mesmo período de 2025, com destaques para Alimentação & Área Gourmet (+11,1%) e Serviços (+9,5%).

Mais que consumidores: frequentadores

Armando disse ainda que a estratégia vai além da expansão física. De acordo com ele, a Multiplan tem apostado, além da renovação do mix de lojas, na realização de eventos para atrair clientes.

“Eu tenho usado a palavra ‘frequentador’ em vez de ‘consumidor’, porque a pessoa que frequenta o shopping é importante”, afirmou.

“Se o frequentador vier de carro, ele já paga o estacionamento e, automaticamente, vira consumidor também”, explicou.

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Recursos para desalavancagem e crescimento

O CFO contou que os recursos obtidos com a venda da fatia no BH Shopping deverão ser usados de forma ampla, incluindo redução da alavancagem e novos investimentos (capex).

De acordo com ele, ao final de março, a relação entre dívida líquida e Ebitda da companhia ficou em 2,13 vezes, contra 2,33 vezes no encerramento de 2025.

“A gente tem como objetivo reduzir ainda mais a alavancagem que aumentou em 2024 devido à recompra de ações, que somou R$ 2 bilhões à época.”

Aluguéis acima da inflação

Entre analistas, havia a preocupação de que a receita com aluguel pudesse crescer em compasso mais moderado no 1T26. Isso porque a inflação medida pelo IGP-DI, índice que corrige boa parte dos contratos de locação do segmento, segue em patamar baixo, limitando os reajustes.

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Ao ser questionado, D’Almeida afirmou que não vê motivo para desespero. Segundo ele, a capacidade de elevar vendas dos lojistas permite à companhia capturar crescimento adicional via aluguel percentual, com renegociações e substituição de inquilinos por operadores dispostos a pagar mais.

Por que eu não estou preocupado? Porque a gente tem ajudado o lojista a vender mais. Com um lojista vendendo mais, eu tenho a capacidade de renovar [o aluguel] por condições melhores porque o ponto vale mais”, contou.

“Eu prefiro muito mais uma inflação baixa, pois é um ambiente muito mais saudável e sustentável no longo prazo”, prosseguiu.

“Se a inflação for de 30%, vai ficar um trimestre lindo devido ao reajuste, mas e no próximo? E a inadimplência? Isso não é o nosso negócio. Nosso negócio é continuidade, é preferir inflação baixa e ter confiança que, pela qualidade e modelo de gestão, a gente consegue cobrar um aluguel maior.”

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Queda dos juros deve ajudar, mas gradualmente

Sobre o cenário macroeconômico, Armando avalia que a esperada redução da taxa Selic pode beneficiar, sim, o consumo, mas sem provocar uma aceleração abrupta.

“Se você olhar pelos livros de economia, juros menores estimulam [a economia]. Mas uma queda de 15% para 14,5% ainda não é suficiente para ser um divisor de águas”, afirmou. “Se a taxa estiver no final do ano em 5%, aí, sim, seria diferente.”

Para ele, o principal vetor de crescimento seguirá sendo a própria execução da companhia, com novas expansões previstas para este ano, incluindo projetos no BarraShopping (RJ), no BH Shopping (MG) e no ParkShopping (SP).

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Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.

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