Economia

Escassez de profissionais atinge recorde e acirra disputa por talentos no mercado brasileiro

07 jul 2026, 16:33 - atualizado em 07 jul 2026, 16:33
O levantamento indica que o problema deixou de ser conjuntural e passou a fazer parte da dinâmica do mercado de trabalho (Imagem: CanvaPro)

A escassez de talentos segue engessando o mercado corporativo brasileiro, com 80% das empresas sem conseguir preencher postos de trabalho em 2026.

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De acordo com nova pesquisa do ManpowerGroup, o país se mantém no topo dos mercados globais com maior dificuldade de recrutamento. Esse gargalo de qualificação gera impactos diretos na produtividade das companhias, elevando os custos de retenção e acirrando a disputa por profissionais estratégicos.

O levantamento indica que o problema deixou de ser conjuntural e passou a fazer parte da dinâmica do mercado de trabalho.

Embora o índice tenha recuado um ponto percentual em relação a 2025, quando atingiu 81%, ele permanece praticamente estável desde 2022. Em 2019, antes desse salto, o percentual era de 52%, evidenciando uma mudança significativa no cenário de contratação.

Escassez de talentos se arrasta desde 2022

Os dados mostram que a dificuldade de contratação segue afetando empresas de diferentes portes e segmentos da economia.

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Depois da forte alta registrada entre 2019 e 2022, o percentual de empregadores que relatam escassez de profissionais se manteve próximo de 80%, sem retornar aos níveis observados antes da pandemia.

A pesquisa foi realizada entre 1º e 31 de outubro de 2025 e divulgada em julho de 2026. Ao todo, o ManpowerGroup ouviu 39.063 empregadores em 41 países, incluindo empresas brasileiras, para avaliar os desafios enfrentados na contratação de trabalhadores.

Grandes empresas lideram a dificuldade para preencher vagas Por que as grandes empresas são as que mais sofrem?

As organizações de maior porte são as que mais relatam dificuldades para contratar. Segundo o levantamento, 90% das empresas com 1.000 a 4.999 funcionários afirmam encontrar obstáculos para preencher vagas com profissionais que possuam as competências exigidas.

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A pesquisa também aponta diferenças entre os setores econômicos. A maior escassez aparece nas empresas de serviços profissionais, científicos e técnicos, onde 85% dos empregadores relatam dificuldades para contratar.

Em seguida vêm as empresas do setor de informação, com 83%. Para o estudo, a falta de profissionais qualificados pode limitar a expansão dos negócios, reduzir a produtividade e dificultar novos investimentos em áreas consideradas estratégicas.

O epicentro do apagão: São Paulo lidera ranking de escassez

A dificuldade para encontrar mão de obra qualificada também varia entre as regiões do país. Conforme o levantamento, São Paulo registra o maior percentual de empresas com dificuldades de contratação, alcançando 88% dos empregadores.

Na sequência aparecem Minas Gerais, com 85%, Rio de Janeiro, com 80%, e Paraná, com 74%. Segundo a pesquisa, essas diferenças refletem características regionais, como a concentração de determinados setores econômicos e a disponibilidade de profissionais especializados.

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Falta de profissionais pressiona empresas e amplia demanda por qualificação Custos de retenção disparam com a falta de profissionais

A escassez de talentos produz efeitos que vão além das contratações e expõe um descompasso entre as competências procuradas pelas empresas e as disponíveis no mercado.

Segundo a pesquisa do ManpowerGroup, a dificuldade para preencher vagas intensifica a disputa por profissionais qualificados, pressiona salários em alguns segmentos, pode adiar investimentos e amplia a necessidade de programas de capacitação.

O estudo também identifica as competências técnicas mais escassas no país.

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As empresas relatam maior dificuldade para encontrar profissionais com conhecimento em desenvolvimento de modelos e aplicações de inteligência artificial (IA), letramento em IA, tecnologia da informação e análise de dados, front office e atendimento ao cliente, além de marketing e vendas.

Além das competências técnicas, os empregadores afirmam que as chamadas soft skills ganharam peso nos processos seletivos.

As mais valorizadas são profissionalismo e ética no trabalho, comunicação e trabalho em equipe, adaptabilidade e disposição para aprender, pensamento crítico e resolução de problemas e letramento digital.

Para os trabalhadores, o cenário amplia as oportunidades em ocupações com maior demanda, desde que possuam a qualificação exigida pelas empresas.

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Já para empregadores e formuladores de políticas públicas, os resultados reforçam a necessidade de investir em formação profissional e reduzir o descompasso entre as habilidades disponíveis e as exigidas pelo mercado.

Pesquisa aponta desafio estrutural para o mercado de trabalho

Mesmo com a pequena redução registrada em relação ao ano anterior, a Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026, do ManpowerGroup, indica que a falta de mão de obra qualificada continua sendo um desafio estrutural para o mercado de trabalho brasileiro.

A manutenção do índice próximo de 80% há quatro anos consecutivos mostra que o problema deve continuar influenciando as estratégias de contratação, qualificação profissional e crescimento das empresas nos próximos anos.

#Sob supervisão Renan Dantas

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Amanda Cristina de Souza é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.
Amanda Cristina de Souza é estudante de jornalismo no IESB. Ela atua como estagiária em um núcleo de conteúdo mantido pelo Money Times, em Brasília (DF), em parceria com outros veículos de informação.

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