Economia

‘Estão forçando a barra por conta da eleição’, diz Durigan sobre possibilidade de recessão em 2027

27 jul 2026, 10:34
Ministro da Fazenda substituto, Dario Durigan, participa de palestra magna durante a 5ª Conferência Nacional do Meio Ambiente. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou a possibilidade de uma recessão na economia brasileira em 2027 e afirmou que as projeções mais pessimistas têm sido alimentadas pelo ambiente eleitoral.

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Em entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco nesta segunda-feira (27), Durigan afirmou que, apesar da desaceleração esperada em função dos juros elevados, o governo não trabalha com um cenário de retração da atividade.

“Falar em recessão é um exagero e me parece que nós estamos tocando o momento eleitoral, e está se usando esse argumento mais uma vez para forçar”, disse.

Segundo o ministro, parte do mercado projeta um crescimento em torno de 1% para o próximo ano, abaixo da estimativa do governo, superior a 2%. Ainda assim, ressaltou que um crescimento menor não significa uma recessão.

“A taxa de juros muito alta cumpre esse papel, que é desaquecer a economia. Então, as pessoas fazem essa conta. A economia vai desacelerar. Mas falar em recessão é um exagero”, afirmou.

Juros são o principal problema da economia

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Ao longo da entrevista, Durigan atribuiu boa parte das dificuldades enfrentadas pela economia ao elevado patamar dos juros. Na avaliação do ministro, o principal desafio do governo hoje deixou de ser o déficit primário e passou a ser o custo da dívida pública.

“O que é verdade é que os juros do país seguem altos, o endividamento público segue alto e a gente precisa lidar com esses temas”, afirmou.

Segundo ele, os juros elevados dificultam tanto a vida das empresas quanto das famílias e do próprio governo.

“É claro que o empreendedor vê os juros nesse patamar e vai ao banco tomar um empréstimo. Ele fica horrorizado. Como vou investir com juros nesse nível?”, disse. Durigan acrescentou que o próprio Tesouro Nacional sofre com o custo elevado para financiar a dívida pública.

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Na visão dele, o Ministério da Fazenda precisa continuar fazendo “o dever de casa” para reduzir a percepção de risco e permitir uma queda estrutural dos juros.

Ajuste fiscal deve continuar

Embora tenha defendido que as contas públicas estão mais equilibradas do que em 2023, Durigan reconheceu que o próximo governo terá de aprofundar o ajuste fiscal.

Segundo ele, após um esforço concentrado na recomposição de receitas nos últimos anos, será necessário avançar sobre as despesas obrigatórias para estabilizar a trajetória da dívida.

“Se nesta gestão fizemos um ajuste de cerca de dois pontos percentuais do PIB, a próxima gestão terá de fazer um esforço parecido, mas mais forte pelo lado da despesa obrigatória”, afirmou.

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O ministro também afirmou que o governo pretende manter, ou até endurecer, a regra fiscal, além de modernizar o Estado para aumentar a eficiência dos gastos públicos. Entre as medidas defendidas por ele está a redução dos gastos obrigatórios, considerados essenciais para abrir espaço no Orçamento para investimentos públicos.

Durigan também rebateu as críticas de que o aumento da dívida decorre de um suposto descontrole fiscal. Segundo ele, o déficit primário está praticamente zerado desde 2024 e hoje o principal fator de crescimento do endividamento é justamente o pagamento de juros.

“O que explica hoje o endividamento são os juros do país”, afirmou.

Críticas a Milei

Durante a entrevista, Durigan também respondeu às comparações entre Brasil e Argentina e criticou declarações do presidente argentino, Javier Milei. “O palhaço do presidente da Argentina veio ontem e falou do Brasil”, afirmou.

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Na sequência, o ministro argumentou que indicadores brasileiros são mais sólidos do que os argentinos. Segundo ele, o dólar está abaixo do patamar observado no início do governo Lula, o risco-país está próximo das mínimas históricas e o Brasil registra baixo desemprego, inflação menor, safra recorde e saldo comercial robusto.

“Não dá para entrar na onda dessas pessoas que dizem que vai virar o apocalipse”, afirmou.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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