Fluxo estrangeiro melhora em julho; dois fatores podem explicar o movimento, segundo a XP
Após dois meses de fortes retiradas de recursos, o fluxo de investidores estrangeiros para a bolsa brasileira começou a dar sinais de recuperação em julho. A melhora acontece em meio a uma inflação mais benigna no Brasil e a um aumento das dúvidas em torno da tese de inteligência artificial (IA).
Nos primeiros dias de julho, os investidores estrangeiros acumularam entrada líquida de R$ 1,1 bilhão no mercado à vista e de R$ 800 milhões em contratos futuros. Para a XP Investimentos, o movimento interrompe, ao menos por enquanto, a sequência de saídas observada desde meados de abril.
A corretora destaca que a recuperação coincidiu com dois eventos importantes. O primeiro foi a divulgação de um IPCA mais fraco, que favoreceu a percepção sobre o cenário de juros no Brasil.
O segundo foi o aumento da volatilidade e das incertezas em torno da tese de inteligência artificial, que vinha atraindo capital para mercados como Estados Unidos, Coreia do Sul e Taiwan.
Como reflexo desse cenário, a bolsa brasileira registrou, após a divulgação do IPCA, a maior entrada diária de capital estrangeiro desde 10 de abril, de R$ 1,5 bilhão.
Posicionamento estrangeiro segue leve
A XP avalia que o posicionamento dos investidores internacionais no Brasil ainda permanece leve.
A análise ocorre após um primeiro semestre marcado por forte volatilidade do capital estrangeiro. As entradas acumuladas chegaram a R$ 69,1 bilhões em meados de abril, mas perderam força nos meses seguintes, diante do ressurgimento da tese de IA, da deterioração das expectativas para inflação e juros no Brasil e do aumento do ruído político doméstico.
Na visão da XP, esses fatores explicam a reversão observada nos últimos meses, mas os primeiros dados de julho sugerem que a intensidade das saídas começou a diminuir.
Enquanto isso, os investidores institucionais brasileiros mudaram de comportamento. Depois de registrarem compras líquidas em junho, eles passaram a vender ações em julho, acumulando saídas de R$ 3,1 bilhões até o momento.
A XP também observa que a indústria de fundos continua enfrentando dificuldades, especialmente nos multimercados, mas entende que o principal fator para o desempenho da bolsa segue sendo o comportamento do investidor estrangeiro.