Copom

Gestores desmontam ‘kit Brasil’ e apostam no dólar antes do Copom; maioria agora vê Selic estável

04 nov 2026, 12:44
dólar real dxy câmbio
(Imagem: Nelson_A_Ishikawa/Getty Images)

Os gestores do mercado entraram na semana do penúltimo Comitê de Política Monetária (Copom) do ano com expectativas muito diferentes ante as projeções para bolsa, dólar, Selic e economia de antes das eleições presidenciais.

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A pesquisa pré-Copom da XP, com 20 gestoras multimercados, mostra uma forte mudança de posicionamento dos investidores profissionais após a reprecificação dos ativos brasileiros observada nas últimas semanas.

A combinação de menos exposição à bolsa, mais apostas no dólar e uma visão mais pessimista para a economia levou também a uma mudança nas expectativas para a política monetária.

Segundo o levantamento, 75% dos gestores esperam manutenção da Selic na reunião desta quarta-feira (4), enquanto 25% projetam um corte de 0,25 ponto percentual (p.p.).

A percepção de que o Banco Central teria espaço para seguir reduzindo os juros perdeu força depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a visão de que a condução da política fiscal não será suficiente para o ajuste das contas públicas.

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Essa percepção acompanhou um movimento expressivo de reajuste de expectativas nos mercados locais.

O Ibovespa acumulou queda de 13,9% em um único pregão após o resultado eleitoral, enquanto o dólar avançou aproximadamente 8% frente ao real. Ao mesmo tempo, a curva de juros abriu mais de 250 pontos-base, refletindo uma percepção maior de risco para os ativos brasileiros.

Todo esse movimento aconteceu junto às carteiras dos gestores multimercados.

A pesquisa mostra uma redução acentuada das apostas na valorização da bolsa brasileira.

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Em setembro, 70% dos gestores consultados estavam comprados em ações locais. Dois meses depois, esse percentual caiu para apenas 25%. Já as posições vendidas, que eram inexistentes na pesquisa anterior, avançaram para 30%.

Segundo a XP, é a primeira vez ao longo de 2026 em que os gestores pessimistas superam os otimistas em relação ao mercado acionário nacional.

O dado sugere que boa parte dos investidores profissionais optou por reduzir exposição ao risco doméstico diante das incertezas sobre inflação, atividade econômica e trajetória fiscal.

A principal beneficiada pela mudança de humor foi a moeda norte-americana.

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As posições compradas em dólar saltaram de 36% para 70% entre setembro e novembro, tornando-se uma das apostas mais consensuais entre os gestores multimercados.

Ao mesmo tempo, apenas 30% dos entrevistados mantêm posições vendidas na moeda norte-americana.

O movimento aparece com ainda mais clareza quando observadas as apostas direcionais no real. A parcela de gestores comprados na moeda brasileira despencou de 75% para 21%, enquanto as posições vendidas avançaram de 25% para 79%.

Por fim, a pesquisa registrou uma deterioração expressiva das expectativas macroeconômicas.

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A fatia de gestores que classificam o cenário econômico brasileiro como negativo passou de 55% para 95% — o maior nível da série histórica acompanhada pela XP.

Nenhuma das 20 gestoras declarou ter uma visão positiva para a economia brasileira neste momento.

A expectativa mediana para a inflação de 2026 subiu de 4,97% para 5,24%, afastando-se ainda mais da meta perseguida pelo Banco Central, de 3%. Já a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,78% para 1,68%.

Embora a maior parte dos gestores espere manutenção da Selic nesta reunião do Copom, o levantamento mostra que o mercado não abandonou completamente a expectativa de juros menores mais adiante.

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A projeção mediana para a Selic terminal em 2027 está em 13,04%.

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Monique Lima é jornalista com atuação em renda fixa, finanças pessoais, investimentos e economia, com passagem por veículos como VOCÊ S/A, Forbes, InfoMoney e Suno Notícias. Formada em Jornalismo em 2020, atualmente, integra a equipe do Seu Dinheiro como repórter, produzindo conteúdos sobre renda fixa, crédito privado, Tesouro Direto, previdência privada e movimentos relevantes do mercado de capitais.
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