Magazine Luiza (MGLU3): Citi passa tesoura no preço-alvo e rebaixa ação após vitória de Lula; veja as preferências no varejo
Após a “inesperada” vitória de Luiz Inácio Lula da Silva para seu quarto mandato como presidente do Brasil, o Citi revisou as preferências no setor do varejo. Neste contexto, o banco rebaixou a recomendação do Magazine Luiza (MGLU3) de Compra/Alto Risco para Neutra/Alto Risco e elevou Alpargatas (ALPA4) de Venda para Compra.
No caso do Magazine Luiza, um cenário de juros elevados por mais tempo é particularmente desafiador devido à sua alavancagem e sensibilidade aos custos de financiamento. Mesmo com um ambiente competitivo mais favorável, esse cenário torna menos claro o caminho para uma reprecificação sustentável das ações.
O Citi cortou o preço-alvo das ações MGLU3 de R$ 14 para R$ 6.
“A inesperada reeleição do presidente Lula desencadeou uma forte reprecificação dos ativos de risco brasileiros, com as taxas de longo prazo (DI Jan/35) subindo para 15,5%, ante 12,7% antes do segundo turno”, destacam os analistas.
Em contrapartida, a recente queda de Alpargatas melhorou de forma relevante sua relação risco-retorno. Na visão dos analistas, a companhia combina a resiliência da marca Havaianas com uma exposição significativa a exportações e mercados internacionais, um balanço sólido e uma execução consistente.
Embora a companhia continue negociando com prêmio em relação aos pares, esse prêmio permanece justificado por seu bom momento operacional e por suas características defensivas, avalia o Citi.
Vale lembrar que não fazia muito tempo que as ações do Magalu haviam sido elevadas para compra e Alpargatas rebaixadas para venda pelo Citi, em uma revisão que ocorreu entre o primeiro e segundo turno das eleições, quando uma vitória de Flávio Bolsonaro estava no radar do mercado.
Perspectivas para o varejo
Para o Citi, 2027 reserva custos elevados de serviço da dívida pesando sobre o consumo.
Os economistas do banco mantiveram a maior parte de suas projeções inalteradas, incluindo crescimento do PIB de 1,4% em 2027 e IPCA de 4,3% ao fim do ano, mas revisaram a taxa de câmbio para R$ 5,46 por dólar, ante R$ 5,33 anteriormente.
Apesar da moeda mais fraca, eles seguem projetando uma Selic média de 13,5% em 2027, seguida por cortes graduais no segundo semestre do ano.
“Refletindo o risco de um ambiente de juros elevados por mais tempo, aumentamos nossas premissas para o custo do serviço da dívida, especialmente para empresas mais alavancadas”, dizem os analistas.
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As preferidas do Citi no setor
Até que o governo apresente um arcabouço fiscal mais crível, o Citi vê espaço limitado para uma reavaliação significativa das ações do setor de varejo.
Como resultado, o banco optou por se afastar do posicionamento de maior beta apresentado em relatório anterior e passou a favorecer empresas com perfis de demanda relativamente resilientes, diversificação geográfica e/ou exposição a exportações, além de balanços sólidos, idealmente com políticas de distribuição de dividendos previsíveis e claras.
“Nossos nomes preferidos são Smart Fit (SMFT3), Alpargatas (ALPA4), Vivara (VIVA3) e Lojas Renner (LREN3), nessa ordem”, dizem os analistas.
O Citi ressalva que, embora continue gostando do posicionamento de longo prazo da Renner, o momentum de curto prazo pode seguir pressionado por um ambiente de consumo mais fraco e pela intensificação da concorrência de players internacionais.