Lucro surpreende, mas não convence: por que os bancos mandam ficar longe de BB Seguridade (BBSE3) após 3T26?
O balanço do terceiro trimestre da BB Seguridade (BBSE3) trouxe um resultado melhor do que o esperado pelo mercado, mas não foi suficiente para melhorar a percepção dos analistas sobre as perspectivas da companhia. Em relatórios divulgados após os números, Itaú BBA, BTG Pactual e Safra destacaram a deterioração da operação de seguros e os riscos de uma desaceleração dos lucros nos próximos anos.
A principal preocupação é a dificuldade de recuperação da emissão de prêmios, especialmente nos segmentos rural e de seguros ligados ao crédito. O corte na projeção (guidance) para 2026, que passou a indicar retração de 11% a 15%, reforçou a avaliação de que a fraqueza comercial pode continuar pressionando os resultados em 2027.
Lucro acima do esperado não esconde fragilidade operacional
Para o BTG Pactual, o trimestre foi claramente melhor do que o esperado, mas os indicadores operacionais apontam para uma trajetória de resultados mais desafiadora. O banco avalia que as principais surpresas positivas vieram do resultado financeiro da Brasilprev e da sinistralidade excepcionalmente baixa da Brasilseg, fatores que não necessariamente devem se repetir na mesma intensidade.
A instituição também chama atenção para o efeito defasado da queda nas vendas. Como os prêmios ganhos e as receitas de corretagem ainda não incorporaram integralmente a retração dos prêmios emitidos, a pressão sobre os resultados pode se estender por 2027 e até 2028.
O Itaú BBA tem leitura semelhante. O banco considera que a revisão negativa das projeções de prêmios é mais relevante do que a surpresa positiva no lucro, já que boa parte do resultado acima das estimativas veio da linha financeira. Para a instituição, a manutenção da projeção operacional dependerá de uma experiência favorável de sinistros e de contribuições positivas das demais unidades de negócio.
Já o Safra avalia que o descasamento entre a queda dos prêmios emitidos e a dos prêmios ganhos indica que a fraqueza comercial ainda não apareceu integralmente nas receitas. Embora juros elevados por mais tempo possam continuar favorecendo o resultado financeiro, o banco não considera que esse efeito seja suficiente para mudar sua visão cautelosa sobre a companhia.
Riscos para os próximos anos
Além da dificuldade de recuperação das vendas, os analistas apontam a possibilidade de normalização da sinistralidade como outro fator de pressão. O controle dos sinistros ajudou a sustentar o resultado da Brasilseg, mas os bancos não esperam necessariamente que os índices permaneçam em níveis tão favoráveis.
O BTG Pactual também vê riscos relacionados ao Banco do Brasil. Como a expansão do crédito da instituição está abaixo da média do sistema financeiro, uma desaceleração adicional pode prejudicar a distribuição de seguros associados a operações de financiamento.
Outro ponto mencionado pelo banco é a renovação do contrato de distribuição exclusiva com o Banco do Brasil, prevista para 2033, que representa uma questão estratégica de longo prazo.
O que fazer com as ações da BB Seguridade?
A cautela com as perspectivas operacionais se reflete nas recomendações para BBSE3. Dos três bancos, dois recomendam venda dos papéis, enquanto o BTG Pactual mantém posição neutra.
O Itaú BBA tem a visão mais pessimista, com recomendação Underperform (desempenho abaixo da média do mercado, equivalente à venda) e preço-alvo de R$ 32 para 2027. O valor representa um potencial de queda de 21,5% em relação ao fechamento de terça-feira (3), de R$ 40,79.
O Safra também mantém recomendação Underperform, com preço-alvo de R$ 39, o que corresponde a uma desvalorização potencial de 4,4%.
Já o BTG Pactual tem recomendação neutra (Neutral) e preço-alvo de R$ 40, apenas 1,9% abaixo da cotação de fechamento. Os cálculos consideram a variação entre a cotação de R$ 40,79 e os preços-alvo, sem incluir dividendos.
A despeito da cautela, o BTG reconhece que a ação oferece um dividend yield estimado próximo de 9,5% para 2027, característica que pode atrair investidores interessados em renda. O Itaú BBA também estima retorno em dividendos próximo de 9,8%.
A avaliação predominante, porém, é que os dividendos e a capacidade de geração de caixa não eliminam os riscos de uma trajetória mais fraca de lucros. Para os analistas, a BB Seguridade precisa demonstrar uma recuperação consistente na operação de seguros para voltar a oferecer perspectivas mais favoráveis de valorização.