Câmbio

O que precisa acontecer para o dólar cair a R$ 4,50 — ou subir a R$ 5,80, segundo o Goldman Sachs

24 set 2026, 7:00
dólar real dxy câmbio
(Imagem: Nelson_A_Ishikawa/Getty Images)

A cerca de duas semanas das eleições para a Presidência, o Goldman Sachs vê espaço para uma queda do dólar de até 13% ante os níveis atuais.

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Nas contas da estrategista sênior de moedas do banco, Teresa Alves, o dólar pode recuar para a faixa de R$ 4,50 a R$ 4,80 em um cenário eleitoral visto como “favorável ao mercado” e que aponte para a adoção de uma política fiscal “mais rígida”. Na véspera, a divisa encerrou o dia a R$ 5,16 no mercado à vista.

“Pensamos que mudanças na política após a eleição, e não o resultado em si, podem levar o BRL a esses diferentes níveis”, afirma a estrategista.

Nas últimas semanas, o câmbio tem sido um “termômetro” em uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, na corrida ao Palácio do Planalto.

Dólar abaixo de R$ 5,00

Nas contas do Goldman Sachs, o real atualmente carrega um prêmio fiscal residual de cerca de 5,3% em relação ao desempenho que seria esperado pelo modelo do banco. A eliminação desse prêmio, em um cenário de ajuste fiscal, levaria a uma valorização de aproximadamente 5,3% da moeda, colocando o dólar em torno de R$ 4,80.

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O banco também considera possível uma valorização ainda maior, para R$ 4,50, embora esse nível dependa de uma combinação de fatores fiscais domésticos favoráveis e um ambiente externo positivo para o real.

As estimativas de apreciação do real no pós-eleição, segundo a estrategista, levam em conta o modelo cíclico de valor justo do banco e uma comparação com o ciclo eleitoral na Colômbia, entre maio e junho deste ano.

“Acreditamos que o desempenho recente do peso é um guia útil, já que as duas moedas tendem a se comportar de forma semelhante. Ainda assim, consideraríamos este um cenário otimista para o real”, afirma Teresa Alves, ponderando que os riscos fiscais e de inflação, além das preocupações com a credibilidade da política monetária, eram mais “agudos” na Colômbia do que são hoje no Brasil, no período pré-eleitoral.

O modelo também considera a movimentação do dólar em ciclos eleitorais anteriores, com destaque para 2014, 2018 e 2022, marcados por resultados mais apertados do que o esperado.

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Em 2022, por exemplo, o real se valorizou 4,5% na segunda-feira após o primeiro turno, depois de uma semana de desvalorização. Em 2014, a moeda avançou 1,3% no pregão seguinte ao primeiro turno. Em 2014 e 2022, porém, parte relevante desses movimentos foi revertida antes do segundo turno.

Já em 2018, o real continuou se fortalecendo após o primeiro turno e atingiu seu nível mais forte na sexta-feira anterior à segunda votação.

Para o Goldman, esse comportamento mostra que o mercado costuma mudar rapidamente o foco do resultado eleitoral para a implementação das políticas econômicas, composição do governo e andamento das reformas.

“Os mercados de câmbio podem rapidamente deixar de precificar o resultado eleitoral e passar a precificar os resultados efetivos das políticas pouco depois do primeiro turno”, afirma a estrategista.

E se o ajuste não acontecer?

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Em um cenário oposto, com a falta de esforços para ajustes fiscais, o prêmio de risco pode retornar aos níveis registrados em dezembro de 2024. Nesse caso, o Goldman Sachs estima uma depreciação de 14% do BRL, levando o dólar para aproximadamente R$ 5,80.

Uma situação intermediária, com um prêmio fiscal semelhante ao registrado em setembro de 2024, antes da piora das expectativas fiscais no fim daquele ano, levaria o dólar para cerca de R$ 5,40, nas contas do banco.

O Goldman Sachs destaca, porém, que o comportamento do dólar não depende apenas da política brasileira. O ambiente externo, incluindo a trajetória do dólar global, commodities, juros dos EUA e percepção de risco, também entra na conta.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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