GPA (PCAR3) busca desconto de 90% em dívida bilionária, diz jornal; veja impasse com credores
O GPA (PCAR3), dono da bandeira Pão de Açúcar, está em busca de um desconto com seus credores. A varejista, que enfrenta uma recuperação extrajudicial, pediu um deságio de até 90% nas suas dívidas de R$ 4,5 bilhões.
A companhia também propôs a conversão de dívidas em ações, no entanto, não pelo valor de R$ 2,28 por papel, segundo o último fechamento, mas sim com base preço de tela de 2029, após a possível reestruturação e consequente valorização do papel, de acordo com fontes ouvidas pelo Valor Econômico.
A rede ainda não avançou nas tratativas com os credores, de acordo com o jornal. No início de abril, ainda não havia definições ou formalizações sobre o tema; desde então, não apresentou novidades.
As maiores críticas às ofertas do GPA vêm dos detentores de debêntures e recebíveis mobiliários, segundo o Valor, que afirmam não terem as mesmas condições de negociação com a empresa. Ao final de 2025, a companhia tinha R$ 1,48 bilhão de dívida em debêntures de curto prazo e R$ 1,19 bilhão no longo prazo.
Diferentemente da recuperação judicial, a extrajudicial permite que empresas em crise financeira renegociem dívidas diretamente com credores. A ideia não é levar à Justiça a recuperação, mas chegar a acordos sobre a reestruturação de dívidas diretamente com os credores
Dessa maneira, o processo tende a ser mais rápido, menos burocrático e mais barato que a recuperação judicial, focado no acordo voluntário para reestruturar passivos. Se conseguir aval da maioria para a proposta, ela é imposta a todos, mesmo se houver dissidentes.
GPA X Casino
Além das disputas com credores, o GPA também enfrenta uma briga com seu principal acionista. Neste mês, o GPA informou ao mercado que o Juízo Titular da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do Estado de São Paulo decidiu conceder o pedido de tutela cautelar para impedir que o Casino se desfaça de suas ações da companhia.
O movimento ocorre no contexto de um pedido de reconhecimento de processo estrangeiro iniciado pelo acionista Casino contra o GPA, por meio do qual buscava homologar a autorização para vender as suas ações da companhia no Brasil.
A decisão reconheceu a probabilidade do direito da companhia e o risco de esvaziamento do patrimônio do acionista Casino por meio da venda de suas ações.
Dessa maneira, o Casino está impedido de se desfazer de sua participação acionária no GPA tanto em relação às ações que já foram vendidas, com interrupção de sua compensação financeira em bolsa de valores antes que sejam concretizadas, quanto às ações que ainda não foram vendidas (ou já vendidas mas não liquidadas), ficando proibida sua venda ou liquidação.
Recuperação extrajudicial
No mês passado, o GPA entrou com pedido de recuperação extrajudicial, com cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas para renegociação.
O mercado já vinha monitorando uma pressão financeira relacionada a vencimentos de curto prazo. Antes do pedido, o GPA chegou a anunciar a contratação de consultores para auxiliar na busca de alternativas para a melhoria do perfil do endividamento.
Entre os credores, estão nomes como Itaú, HSBC e Casas Bahia, sendo que essa última já pertenceu ao mesmo grupo que o dono da bandeira Pão de Açúcar. Veja aqui a lista completa.
*Com Seu Dinheiro