Grupo Toky (TOKY3), dona da Mobly e Tok&Stok, entra com pedido de recuperação judicial; veja os motivos
O Grupo Toky (TOKY3), formado pela união entre a Mobly e Tok&Stok, entrou com pedido de recuperação judicial da companhia e suas subsidiárias, mostra fato relevante divulgado ao mercado nesta terça-feira (12).
De acordo com o documento, o ambiente macroeconômico desafiador, especialmente para o segmento de móveis e decoração, vem impactando as vendas. Taxas de juros elevadas, maior endividamento das famílias, condições de crédito mais restritas estão resultando em menor confiança do consumidor e postergação de decisões de compra, argumenta o Grupo Toky.
“Além das condições macroeconômicas, as restrições temporárias nos níveis de estoque vêm causando um impacto significativo na liquidez de curto prazo”, afirma a empresa. Dessa maneira, apesar de esforços na negociação da reestruturação do endividamento justos aos credores e da controlada Tok&Stok, o alto endividamento do grupo persiste e está se agravando.
Segundo a empresa, esse cenário exige a adoção de medidas adicionais destinadas a preservar as atividades, proteger liquidez e permitir a implementação de uma reestruturação ordenada de endividamento e de estrutura de capital.
O pedido de recuperação judicial foi ajuizado nesta terça perante a Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível do Estado de São Paulo, sob segredo de justiça.
Saída de fundos da SPX
O Grupo Toky havia informado ao mercado na noite de segunda-feira (11) que quatro fundos geridos pela SPX Private Equity estão em “estágio avançado de negociações” para a venda da totalidade de suas participações em ações e bônus de subscrição da empresa.
De acordo com o documento, os fundos anunciaram que Fernando Porfirio Borges renunciaria ao cargo no conselho de administração em razão das negociações.
Em outro comunicado também enviado na noite de segunda-feira, o grupo disse que Felipe Fonseca Pereira também renunciou ao seu cargo no conselho de administração da companhia.
Para ocupar essas vagas, a empresa elegeu interinamente Fabio Ferrante, como conselheiro, e André França, como conselheiro independente.
Problemas no Grupo Toky
O Grupo Toky já esteve no radar do mercado devido à conflitos internos. Em março do ano passado, veio à tona a intenção da família Dubrule, fundadora da Tok&Stok, de realizar uma oferta pela Mobly, sendo desde o início classificada como “inviável” pela diretoria e conselho da companhia.
O movimento deu início a um embate com acusações entre os dois nomes do setor de móveis e decoração, menos de um ano após a união das companhias.
A Mobly chegou a informar ao mercado ter identificado, por meio de uma investigação interna, indícios de uma atuação coordenada e não divulgada na aquisição de suas ações — supostamente em condições diferentes das previstas no edital da oferta pública de ações.
Após apontar possíveis irregularidades envolvendo a família Dubrule, o Grupo XXXLutz e a Home4 na compra das ações, a Mobly obteve do seu conselho de administração autorização para adotar medidas cabíveis nas esferas administrativa, cível e criminal. Neste momento, sinalizou que pediria o cancelamento da OPA.
Houve revogação da oferta pública de ações (OPA) que visava a aquisição de 100% das ações da Mobly.
*Com Reuters