Hapvida (HAPV3) diz não ter recebido notificação da ANS sobre suspensão de reajustes e cancelamentos de contratos
A Hapvida (HAPV3) informou ao mercado, nesta sexta-feira (21), que não recebeu notificação formal da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) sobre medida cautelar contra a revisão de contratos de cerca de 947 mil beneficiários.
O comunicado vem após o presidente da ANS, Wadih Damous, anunciar na quinta-feira (20) que pediu a suspensão preventiva de reajustes e cancelamentos de contratos anunciados pela Hapvida.
De acordo com o órgão, a adoção da medida cautelar busca assegurar o cumprimento das normas regulatórias e a proteção dos beneficiários diante da dimensão da medida anunciada.
No material de divulgação do balanço do segundo trimestre, publicado na última semana, a Hapvida afirmou que fez uma análise criteriosa da sua base de contratos para avaliar aqueles cuja margem seria negativa, além de estabelecer critérios mais rigorosos para clientes inadimplentes.
“Esse processo se iniciou no fim do trimestre e, em junho de 2026, cerca de 947 mil vidas se enquadravam nos novos critérios, ou em torno de 11% do total de vidas”, afirmou, acrescentando que o ticket médio nesse grupo é aproximadamente metade do ticket médio consolidado de saúde.
“Nos próximos meses, no processo regular de renovação contratual, a companhia entende que, em função dos reajustes necessários para a retomada do equilíbrio econômico dos contratos e/ou da cobrança das faturas em aberto, parte dessas vidas pode ser descontinuada. Em ambos os cenários, seja na renegociação bem-sucedida, seja na descontinuidade das vidas, o efeito deverá ser favorável em termos de margem e geração de caixa”, afirmou.
A Hapvida reforça que a revisão comercial dos contratos com rentabilidade inadequada ou histórico de inadimplência é atividade ordinária da operação, a ser conduzida contrato a contrato, no seu respectivo aniversário de renovação, ao longo dos próximos 12 meses.
Revisão comercial de contratos da Hapvida
Em resposta ao pedido de esclarecimento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Hapvida afirmou que a renegociação dos contratos coletivos observa os dispositivos dos próprios contratos e as normas da ANS, inclusive prazos de vigência e aviso prévio. A companhia defende que propõe ao contratante as condições necessárias ao reequilíbrio do contrato, mas a decisão de aceitá-las é do cliente.
“A companhia tomou conhecimento sobre suposta adoção de medida cautelar de ofício pela ANS contra si pela imprensa, mas não recebeu da agência ofício, notificação ou decisão a respeito. Por esse motivo solicitou audiência, por iniciativa própria, para apresentar os elementos técnicos, contratuais e regulatórios envolvidos, e prestará à agência todos os esclarecimentos solicitados, pelos canais oficiais, como sempre fez”, disse a Hapvida em comunicado.
De acordo com a companhia, a situação não altera nas informações e nas perspectivas divulgadas ao mercado no segundo trimestre de 2026.
Receba gratuitamente as newsletters do Money Times
*Com informações da Reuters