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Saída de estrangeiros já é a 3ª maior desde 2008: O que esperar agora, segundo o JP Morgan

21 ago 2026, 10:10
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Diagramas coloridos e dados do mercado de ações com linhas e dinâmica (Imagem: ismagilov)

O investidor estrangeiro já retirou quase R$ 20,5 bilhões da bolsa brasileira em agosto, considerando o acumulado do mês até o última terça-feira (18), e o JP Morgan não vê a retomada do fluxo positivo no curto prazo.

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Em relatório, os analistas do banco avaliam que, em oito dos nove períodos de fortes saídas mensais analisados, os fluxos permaneceram negativos nos três meses seguintes após o evento de “saída extrema”.

Por aqui, a “saída extrema” aconteceu em 11 de agosto, quando os ‘gringos’ sacaram R$ 4,72 bilhões da B3 e resultou em uma queda de 2,5% do Ibovespa (IBOV) recuou, que voltou ao menor nível desde janeiro, aos 167 mil pontos.

O gatilho foi o rebaixamento da recomendação de Brasil, de compra para neutra, pelo JP Morgan, citando piora do crédito local, proximidade das eleições e juros elevados por mais tempo. Desde então, mais de R$ 13 bilhões em fluxos de capital estrangeiro deixaram o mercado acionário brasileiro.

“Um fator agravante desta vez é que houve entradas enormes no primeiro trimestre, de cerca R$ 53,4 bilhões, perdendo apenas para o primeiro trimestre de 2022, quando começou a guerra entre Rússia e Ucrânia”, destacou o banco.

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Vale destacar que agosto registra o terceiro maior fluxo de saída mensal desde 2008, atrás apenas do meses de fevereiro e março de 2020, início da pandemia de Covid-19 — em que os “gringos” sacaram cerca de R$ 21 bilhões e R$ 24,2 bilhões, respectivamente.

Para a bolsa, o pior já passou?

De acordo com os analistas do banco,”pode-se argumentar que os resgates já foram praticamente concluídos” neste mês de agosto.

Desde 2008, houve apenas nove episódios em que a relação entre o fluxo mensal e a capitalização de mercado ficou abaixo de -0,3%. Desses, dois ocorreram durante a crise financeira global e outros dois na pandemia de Covid-19.

Nesses períodos de “saídas extremas”, o Ibovespa registrou queda média de 11,3%, resultado fortemente influenciado pelos recuos de cerca de 25% observados durante a crise financeira global e a pandemia. Excluídos esses dois episódios, a perda média do índice ainda seria de 6,7% no mês respectivo do evento. Confira:

Mês de “fluxo de saída extremo”Fluxo/Capitalização de mercadoRetorno do IBOV
Jun-08-0,31%-10,4%
Jul-08-0,36%-8,5%
Out-08-0,34%-24,8%
Jan-20-0,40%-1,6%
Fev-20-0,48%-8,4%
Mar-20-0,77%-29,9%
Ago-20-0,31%-5,1%
Mai-26-0,30%-7,2%
Ago-26-0,42%-5,4%
Média-11,3%
Mediana-8,4%
Ex-outubro de 2008 e março de 2020 — Média-6,7%
Ex-outubro de 2008 e março de 2020 — Mediana-7,2%
Liquidação mensal atual em 20 de agosto-5,7%
Fonte: Bloomberg Finance L.P.; J.P. Morgan
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Em agosto, o Ibovespa acumula queda de 5,65% até o momento. Nesse contexto, a leitura é de que o índice pode estar apresentando uma correção menor do que seria esperado diante da magnitude das saídas registradas.

Não é culpa das eleições

No relatório, os analistas do JP Morgan também afirmaram que não há uma associação “clara” entre eleições e fluxos de capital estrangeiro.

Na avaliação deles, desta vez, as saídas de capital estão fortemente ligadas a fatores externos como o avanço recente nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e o desempenho do dólar.

De acordo com o análise do banco, as eleições favorecem o movimento contrário ao atual: de entrada de capital estrangeiro.

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“Por curiosidade, analisamos o que aconteceu com os fluxos em torno das eleições e as notícias são, em sua maioria, positivas. Os fluxos foram positivos nos três meses anteriores às eleições nas últimas quatro disputas eleitorais e também foram positivos nos três meses posteriores às eleições em todas as ocasiões, exceto uma (2018)”, afirmou o banco.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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