Juros globais têm novas disparada com petróleo acima de US$ 100; Treasury de 30 anos atinge maior nível desde 2004
Uma nova onda de venda de títulos do Tesouro dos Estados Unidos levou a disparada dos rendimentos de longo prazo nesta terça-feira (24).
Mais cedo, o rendimento (yield) do título de 30 anos, referência para hipotecas de longo prazo, atingiu 5,446%, no maior nível desde 2004.
Na véspera, o yield do Treasury de 10 anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — alcançou 5,15%, na máxima desde julho e 2007 e registrou o maior aumento diário desde 3 de abril de 2025, dia seguinte ao anúncio do tarifaço de Trump conhecido como “Dia da Libertação”.
O movimento também foi visto em títulos soberanos de outras economias: o rendimento dos títulos do governo japonês (JGB) com vencimento em 10 anos atingiu o maior patamar desde agosto de 1996. Os títulos do governo britânico (Gilts) e os títulos alemães (Bunds) também registraram alta, com os rendimentos de diversos títulos europeus atingindo novas máximas em vários anos.
Os motivos por trás
A disparada dos juros globais acontece em um momento em que os preços do petróleo avançam para o nível acima de US$ 100 por barril.
Mais cedo, o contrato mais negociado do Brent, para novembro, superou US$ 106 por barril, com a redução do otimismo de avanço nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã e possível reabertura do Estreito de Ormuz.
O temor de pressão inflacionária na economia global, decorrente da alta nos preços de energia, também é combinado com a expectativa de novas altas nos juros norte-americanos.
Segundo dados do CME Group, os investidores agora veem uma probabilidade de 64,2% de que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) aumente as taxas de juros novamente no próximo mês — um aumento em relação aos 55% da semana passada e aos 11% do mês passado.
Os operadores do mercado financeiro veem uma probabilidade de aproximadamente 50% de que as taxas de juros estejam pelo menos um ponto percentual mais altas em meados de 2027 — um cenário que não era precificado há apenas um mês.
A perspectiva ainda foi reforçada por novos dados de atividade econômica e declarações de dirigentes do Fed.
Ontem (23), o Índice de Gerentes de Compras (PMI) do país, que acompanha os setores de manufatura e serviços, subiu para 58,4 neste mês, segundo a S&P Global. Esse foi o nível mais alto desde julho de 2021, após um resultado de 56,0 em agosto.
A leitura acima de 50 indica expansão no setor privado, o que foi lido pelo mercado como um sinal de pressão inflacionária.
Já o diretor do Fed, Michael Barr, afirmou que o BC eu um passo importante na semana passada para “recalibrar” os juros de curto prazo a fim de reduzir a inflação, acrescentando que provavelmente será preciso realizar novos aumentos nas taxas.
“Os riscos para alcançarmos nossa meta de inflação aumentaram, enquanto os riscos para o mercado de trabalho diminuíram”, disse Barr em discurso preparado para ser proferido em uma conferência sobre acessibilidade à moradia, organizada pelo Fed de Chicago.
Há também rumores de um possível desmonte de posições. “O movimento tem todas as características de uma negociação para compensar a dor do mercado e de uma venda forçada por parte dos investidores nesses níveis mais elevados, e pode continuar a subir”, disse Derek Halpenny, do MUFG Bank, em nota divulgada hoje.