Iguatemi (IGTI11) cai na bolsa após balanço do 2T26; veja o que fazer com a ação, segundo estes analistas
As ações da administradora de shopping centers Iguatemi (IGTI11) operam em queda nesta quarta-feira (5), um dia após a companhia divulgar o seu balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26).
Por volta das 13h10 (de Brasília), os papéis recuavam 1,13% na bolsa de valores, negociados a R$ 25,28, enquanto, no mesmo horário, o Ibovespa (IBOV), principal índice da B3, avançava 0,4%, aos 178.535 pontos. Acompanhe o tempo real.
O 2T26 da Iguatemi
Entre abril e junho, a Iguatemi teve lucro líquido recorrente de R$ 133,8 milhões, alta de 22,1% ante o mesmo período de 2025, em termos “pro forma”.
O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente somou R$ 290,5 milhões, crescimento de 10,8% na mesma base de comparação anual.
Já o FFO (lucro líquido excluindo depreciação, amortização e efeitos não caixa) chegou a R$ 170,9 milhões, subida de 21%, enquanto a receita líquida totalizou R$ 396 milhões, avanço de 11,6%.
Neste trimestre, a companhia fez a publicação do balanço em termos “pro forma”, que excluem os ganhos de capital e outros efeitos temporários relacionados às aquisições e vendas de participações em shopping centers.
De acordo com a empresa, a publicação nesse formato permite uma base de comparação mais adequada entre os períodos.
Fora da base “pro forma”, os números da Iguatemi foram decrescentes, com quedas anuais de 35,8% no lucro líquido, 34,8% no Ebitda, 28,9% no FFO e 2,7% na receita líquida.
BTG vê trimestre misto
Na avaliação do BTG Pactual, a Iguatemi entregou um trimestre “misto”. Os números financeiros vieram praticamente em linha com as expectativas, com destaque para o FFO, que ficou 6% acima das projeções do banco.
Segundo os analistas, a comparação anual é difícil porque o segundo trimestre de 2025 incorporava integralmente os efeitos da aquisição das participações nos shoppings Pátio Paulista e Pátio Higienópolis.
O principal ponto negativo do 2T26, de acordo com a casa, ficou por conta do balanço operacional, especialmente nos indicadores de vendas e aluguel.
Isso porque as vendas nas mesmas lojas (SSS) cresceram apenas 1,7%, abaixo da expectativa de alta de 5%, reflexo de uma base de comparação forte e dos impactos da Copa do Mundo sobre o fluxo de consumidores em junho.
Já o aluguel nas mesmas lojas (SSR) avançou 2,7%, equivalente a um crescimento real de 1,8%, também abaixo do esperado.
Por outro lado, o BTG destacou que os demais indicadores permaneceram sólidos: a vacância caiu 0,5 ponto percentual em um ano, para 3,1%, o custo de ocupação dos lojistas ficou em 10,8% das vendas e a inadimplência líquida permaneceu em apenas 0,1%.
“Em termos operacionais, a Iguatemi registrou crescimento de SSS e SSR abaixo do esperado, enquanto os outros indicadores permaneceram saudáveis”, afirmou o banco.
“Planejamos atualizar nossas estimativas para a empresa em breve, mas, por enquanto, mantemos recomendação de compra para a ação, com base em um múltiplo P/FFO de 9,5 vezes estimado para 2027, visto que a companhia possui um portfólio de shoppings de alto padrão que deve se mostrar mais resiliente em um cenário macroeconômico desafiador no Brasil”, prosseguiu.
Safra mantém visão positiva
O Safra, por sua vez, classificou o trimestre como “sólido”, embora sem grandes surpresas, destacando que espera uma reação neutra das ações no curto prazo.
Para o banco, a desaceleração observada nas vendas decorreu principalmente de efeitos de calendário, como a Copa do Mundo, que reduziram o fluxo de consumidores nos shoppings.
Entre os destaques operacionais, a instituição cita o crescimento anual de 4,2% nas vendas por área (SAS) e avanço de 4,6% nas vendas por metro quadrado.
Além disso, pontua que a taxa de ocupação subiu para 96,9%, enquanto a inadimplência líquida ficou em apenas 0,1%.
“Os resultados do segundo trimestre foram sólidos, embora amplamente em linha com as expectativas, o que deve gerar uma reação neutra do mercado”, afirmou o Safra.
“Reiteramos nossa recomendação outperform (compra) para IGTI11, visto que a empresa detém o portfólio mais premium do setor, e seus principais shoppings, Iguatemi SP e JK Iguatemi, respondem por cerca de 40% das receitas de aluguel e sustentam as maiores médias de vendas por metro quadrado do país”, acrescentou.
Itaú BBA adota postura mais cautelosa
Já em um tom mais cauteloso, o Itaú BBA avaliou que a Iguatemi apresentou um trimestre “fraco”, embora os resultados financeiros tenham ficado, em geral, dentro das expectativas internas.
Na visão do banco, a qualidade dos números foi inferior ao esperado porque a receita de aluguel dos shoppings veio mais fraca, enquanto o desempenho foi compensado pelo crescimento de 26% da operação iRetail — unidade de negócios e incubadora estratégica da Iguatemi criada para trazer, desenvolver e gerenciar marcas internacionais de luxo no Brasil.
Assim como o BTG, o BBA destacou a decepção com o avanço de apenas 1,7% das vendas nas mesmas lojas (SSS), atribuindo o desempenho à concentração da Páscoa no primeiro trimestre e aos impactos da Copa do Mundo sobre o fluxo de visitantes em junho.
Por outro lado, ressaltou que os demais indicadores permaneceram saudáveis, com vacância de 3,1%, custo de ocupação de 10,8% e inadimplência líquida de apenas 0,1%.
Embora não enxergue catalisadores relevantes para as ações no curto prazo, o banco continua otimista para o longo prazo, com recomendação outperform (compra) para o papel.
Na avaliação dos analistas da casa, o portfólio premium da Iguatemi deve estar entre os principais beneficiados pela reforma tributária a partir de 2027.
Confira as recomendações para Iguatemi:
| Instituição | Recomendação | Preço-alvo | Potencial |
|---|---|---|---|
| BTG Pactual | Compra | R$ 25,00 | -1,1% |
| Safra | Outperform (Compra) | R$ 36,00 | +42,4% |
| Itaú BBA | Outperform (Compra) | R$ 31,00 | +22,6% |