Economia

Do empurrão ao trupicão: Impulso fiscal perde força e economia brasileira pode patinar, segundo BTG Pactual

25 ago 2026, 11:16
fiscal
(Imagem: rodrigobellizzi/Getty Images Pro)

O BTG Pactual reduziu a estimativa para o impacto do impulso fiscal sobre o crescimento da economia brasileira em 2026, diante de uma execução abaixo do esperado de programas anunciados pelo governo e de uma pressão menor das transferências às famílias.

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Em relatório, o banco cortou a contribuição estimada do impulso fiscal para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 1,4 ponto percentual (p.p.) para 1,0 p.p.. Para 2027, o movimento foi na direção contrária: a projeção subiu de 0,2 p.p. para 0,5 p.p..

A leitura é que parte do estímulo que deveria ocorrer agora não está chegando à economia. Com isso, há menos crescimento em 2026, mas também uma reversão menos forte desse impulso em 2027.

“A principal mudança decorre da execução abaixo do esperado das políticas parafiscais anunciadas pelo governo”, afirmam os economistas do BTG. Segundo eles, os desembolsos menores reduzem tanto a antecipação do consumo neste ano quanto o comprometimento futuro da renda das famílias.

O principal motivo para a revisão está em três iniciativas: Reforma Casa Brasil, Move Brasil e Novo Desenrola. Juntas, elas somavam aproximadamente R$ 78 bilhões em recursos disponíveis, mas mobilizaram apenas cerca de R$ 6 bilhões até agora.

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No Reforma Casa Brasil, por exemplo, foram disponibilizados R$ 40 bilhões para financiamento. Apesar disso, a execução alcança aproximadamente R$ 3 bilhões, mesmo após mudanças nas condições do programa para ampliar seu alcance.

Já o Move Brasil, destinado a taxistas e motoristas de aplicativo, conta com até R$ 30 bilhões e desembolsou cerca de R$ 3 bilhões. No Novo Desenrola, que autorizou até R$ 8,2 bilhões do FGTS para quitação de dívidas renegociadas, somente R$ 62 milhões haviam sido utilizados no dado mais recente. Diante da baixa adesão, o BTG afirma que “praticamente zeramos o impacto estimado do programa sobre a atividade”.

A lógica por trás da revisão é que esses programas deveriam permitir às famílias antecipar consumo, puxando a atividade em 2026. Em 2027, porém, o pagamento das parcelas passaria a consumir parte da renda disponível, provocando uma espécie de devolução do estímulo.

Com desembolsos menores, os dois movimentos perdem força. “Como consequência, há menos impulso em 2026, mas também uma reversão menos intensa a partir de 2027”, diz o banco.

INSS também pesa na revisão

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Outro fator foi a normalização da fila de requerimentos do INSS. Inicialmente, o BTG esperava que a redução do estoque de pedidos provocasse cerca de R$ 18 bilhões em despesas adicionais.

A pressão, contudo, tem sido menor do que o banco projetava, em parte por uma taxa de indeferimento mais alta. Por isso, a estimativa de despesas foi reduzida em aproximadamente R$ 5 bilhões.

Nesse caso, o efeito é negativo sobre o impulso fiscal nos dois anos, já que menos concessões significam uma trajetória menor de transferências às famílias tanto em 2026 quanto em 2027.

PIB de 2026 ganha viés de baixa

O menor estímulo já aparece nas projeções para a atividade. O BTG reduziu a expectativa para o crescimento do PIB no segundo trimestre de 0,5% para 0,4% na comparação trimestral.

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Para 2026, o banco ainda projeta expansão de 2,0%, mas agora enxerga viés baixista para a estimativa. Segundo a equipe, indicadores de comércio, serviços e indústria surpreenderam negativamente entre abril e junho, enquanto dados de renda do mercado de trabalho também apontam para uma desaceleração.

O menor impulso fiscal também levou o BTG a revisar sua estimativa para o hiato do produto, indicador que mede a distância entre o nível efetivo da atividade e o potencial da economia. A projeção para o fim de 2026 caiu de +0,5% para +0,1%, sinalizando uma economia menos pressionada do que anteriormente esperado.

Para 2027, apesar de elevar a contribuição esperada do impulso fiscal para 0,5 p.p., o banco manteve a projeção de crescimento do PIB em apenas 1,1%, também com viés baixista.

“Embora a revisão para cima do impulso fiscal ofereça algum suporte adicional à atividade em 2027, ela não é suficiente para evitar uma desaceleração mais acentuada no próximo ano”, afirma o BTG.

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Além do carregamento mais fraco deixado por 2026, o banco cita uma política monetária ainda em território contracionista e o risco de deterioração do crédito, em meio a níveis elevados de inadimplência e comprometimento da renda das famílias.

Precatórios e ciclo eleitoral enfraquecem 2027

Mesmo com a revisão para cima, o impulso fiscal ainda deve perder força entre 2026 e 2027. Um dos motivos é a expectativa de queda de aproximadamente R$ 25 bilhões nos pagamentos de precatórios, de cerca de R$ 120 bilhões neste ano para R$ 95 bilhões no próximo.

O BTG também espera uma reversão do ciclo eleitoral dos investimentos estaduais. Esses gastos devem contribuir positivamente para a atividade em 2026, mas passar a exercer efeito negativo em 2027.

O banco observa, porém, que o avanço dos investimentos estaduais neste ano tem sido mais gradual do que em ciclos eleitorais anteriores.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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