Crédito

Inadimplência em crédito com recursos livres no Brasil sobe a nível recorde apesar do Desenrola

01 jul 2026, 11:29 - atualizado em 01 jul 2026, 11:29
Dinheiro esquecido
(Imagem: Canva)

A inadimplência no segmento de crédito com recursos livres no Brasil subiu em maio para 6,2%, contra 6,1% no mês anterior, atingindo o nível mais alto desde o início da série do Banco Central em março de 2011, mostraram dados divulgados pela autarquia nesta quarta-feira.

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O aumento ocorreu a despeito do lançamento pelo governo no início de maio do Novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas para famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares que prevê a utilização de até R$15 bilhões em garantias da União para viabilizar juros mais baixos aos devedores, com um impacto fiscal de até R$5 bilhões.

Em seu Relatório de Política Monetária da semana passada, o Banco Central citou o aumento da inadimplência em aquisição de veículos, no crédito pessoal não consignado sem garantias e nos empréstimos consignados para trabalhadores do setor privado como os principais fatores para a deterioração da qualidade dos ativos no crédito livre, em que as condições do financiamento são definidas sem a interferência do governo.

As taxas de inadimplência nos três segmentos aumentaram em maio, atingindo 6,5% nos financiamentos de veículos, 14,2% no crédito pessoal sem garantia e 7,9% nos empréstimos consignados para trabalhadores do setor privado.

“Medidas recentes que promovem a renegociação de dívidas de pessoas físicas tendem a reduzir a taxa de inadimplência nas linhas elegíveis nos próximos meses”, disse o BC no relatório.

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No ano passado, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva introduziu novas regras para ampliar o crédito consignado para trabalhadores do setor privado, com o objetivo de impulsionar o segmento cujo estoque cresceu 140,3% em relação ao ano anterior, alcançando R$109,2 bilhões em maio.

Na época, o governo previu que muitos tomadores utilizariam o novo modelo para refinanciar dívidas mais caras por meio de empréstimos consignados mais baratos, cujas parcelas são descontadas diretamente dos salários.

Juros

Os dados do BC desta quarta-feira mostraram ainda que os juros dos empréstimos consignados para trabalhadores do setor privado estavam em 54,1% ao ano em maio, em comparação com 142,7% ao ano no crédito pessoal sem garantia.

A taxa básica de juros está em 14,25%, e o BC indicou que, apesar do ciclo de afrouxamento iniciado em março, a Selic terá que permanecer em níveis restritivos para levar a inflação de volta à meta de 3%.

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As concessões totais de empréstimos no Brasil aumentaram 0,2% em maio na comparação com o mês anterior, informou o BC, com o estoque total de crédito avançando 0,6% no período, a R$7,3 trilhões.

No mês, as concessões de financiamentos com recursos livres, nos quais as condições dos empréstimos são livremente negociadas entre bancos e tomadores, caíram 1,1% em relação ao mês anterior. Para as operações com recursos direcionados, que atendem a parâmetros estabelecidos pelo governo, houve alta de 13,3% no período.

Já os juros cobrados pelas instituições financeiras no crédito livre ficaram em 49,5% ao ano, um aumento de 0,1 ponto percentual em relação ao mês anterior.

Nos recursos direcionados, houve recuo mensal de 0,3 ponto percentual nos juros cobrados, a 12,2% ao ano.

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O spread bancário, diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente, ficou estável em 35,8 pontos percentuais nos recursos livres.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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