Inflação de julho pode repetir surpresa positiva e colocar uma pitada de bom humor no mercado; o que esperar do IPCA hoje?
Nesta terça-feira (10), os investidores recebem os dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referentes ao mês de julho e, se depender do que foi visto na prévia da inflação, divulgada recentemente, o mercado pode esperar por um dado mais fraco novamente.
No fim de julho, o IBGE mostrou que os quinze primeiros dias do mês vieram bem abaixo das projeções do mercado marcando 0,06% de alta, contra os 0,21% projetados. Os economistas destacaram ainda que a composição veio melhor do que esperado.
Depois de reavaliar, diversas casas ajustaram suas projeções para o mês e, na média, o mercado passou a esperar uma alta de 0,03% no índice do sétimo mês do ano. Para o acumulado dos 12 meses, a projeção é de 4,40% – abaixo do teto da meta da inflação.
O que deve ser destaque no mês?
Para Leonardo Costa, economista do ASA, o principal destaque deve ser a ampliação da deflação de alimentação no domicílio, especialmente nos produtos in natura, beneficiados pela sazonalidade favorável.
Os combustíveis também devem contribuir para o resultado mais comportado, principalmente diante da continuidade do recuo dos preços do etanol.
Além da inflação mais baixa no índice cheio, Costa espera uma composição favorável. A projeção contempla moderação da inflação subjacente de serviços e dos bens industriais, que continuam devolvendo parte do choque provocado pela alta do petróleo observada no primeiro semestre.
“Em conjunto, a leitura deve reforçar a percepção de inflação mais comportada no curto prazo”, avalia o economista.
Inflação deve voltar a acelerar no fim do ano
A economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti também vê uma sequência de dados mais favoráveis no curto prazo, apesar da sua projeção ser um pouco maior do que da mediana, de 0,05%.
Segundo a economista, a desaceleração dos preços de transportes e alimentos, além de uma possível contribuição menor da energia elétrica, deve ajudar a manter o índice comportado.
“Uma nova desaceleração dos serviços, caso se confirme, seria especialmente positiva por melhorar não apenas o resultado cheio, mas também a composição da inflação”, destaca.
O alívio, porém, tende a ser temporário. Para Kawauti, os números mais baixos devem se concentrar entre julho e agosto, com possibilidade até de uma inflação negativa em agosto. A partir de setembro, o IPCA deve voltar a registrar taxas mais elevadas, na faixa de 0,20% a 0,30%, podendo acelerar ainda mais na reta final do ano para chegar nos 5% projetados pela maioria do mercado.