Ibovespa recua com Petrobras (PETR4) e ignora alívio externo; dólar cai a R$ 5,18
O Ibovespa (IBOV) encerrou o último pregão da semana em tom negativo, na contramão dos índices de Wall Street, com investidores locais mais avessos a risco após dados de inflação e eleições em foco.
Nesta sexta-feira (25), o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com baixa de 0,27%, aos 183.476,86 pontos. Na semana, o IBOV acumulou queda de 0,95%, estendendo as perdas pela segunda semana consecutiva.
Já o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,1817, com queda de 0,23%. No acumulado dos últimos cinco pregões, a divisa acumulou alta de 0,73% ante o real.
Por aqui, os investidores dividiram as atenções com novos dados de inflação e cenário eleitoral.
A prévia da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), subiu 0,70% em setembro e fechou o período de 12 meses com alta acumulada de 4,47%, acima das expectativas.
O número acelerou tanto na comparação mensal quanto na anual, após deflação de 0,40% em agosto e de 4,24% no acumulado em 12 meses no mês anterior. Mesmo com o avanço, o número indica que a inflação está dentro do teto da meta do Banco Central — de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.
Apesar disso, a média dos núcleos interrompeu a trajetória benigna das leituras recentes, na avaliação da economista Basiliki Litvac, da XP Investimentos. As surpresas, segundo Litvac, partiram de três grupos: a alimentação no domicílio, os serviços por conta de passagens aéreas e seguro de veículo, e os bens industriais com cigarro, ganhos em bens duráveis e vestuário.
Altas e quedas do Ibovespa
A ponta positiva do Ibovespa foi liderada por Azzas 2154 (AZZA3), que saltou 12,97% (R$ 16,38). Sem novidades sobre a companhia até o fechamento dos mercados, os papéis avançaram com a venda da Farm Rio no radar, que deve ter alguma resolução até o final deste mês.
Já a ponta negativa foi encabeçada por Ultrapar (UGPA3), que recuou 5,77% (R$ 36,56). A queda foi acompanhada por Vibra (VBBR3), com baixa de 4,96% (R$ 37,21), com os possíveis impactos da política de preços dos combustíveis, com o etanol mais caro, na geração de caixa e nas margens da companhia.
Entre as blue chips, o tom foi misto. As ações da Petrobras (PETR4;PETR3) acompanharam o alívio nos preços do petróleo, embora o Brent tenha continuado acima de US$ 100 por barril: PETR3 recuou 2,00% (R$ 53,04) e PETR4 teve queda de 2,58% (R$ 47,99).
Ainda no setor de commodities, Vale (VALE3), que detém 11% de participação do índice, subiu 0,16% (R$ 70,77), sem a referência do minério de ferro na Bolsa de Dalian, na China, por feriado local.
O setor de bancos também fechou no azul:o Índice Financeiro (IFNC) subiu 0,52%, puxado pela alta de 0,23% (R$ 21,59) do Banco do Brasil (BBAS3).
Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e bancos correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
Exterior
Os índices de Wall Street encerram a semana em alta, impulsionados pelos ganhos do setor de tecnologia. A moderação do petróleo também contribuiu para a retomada do apetite a risco.
Confira o fechamento dos índices:
- Dow Jones: +0,93%, aos 51.828,62 pontos
- S&P 500: +0,51%, aos 7.743,41 pontos;
- Nasdaq: +0,48%, aos 27.068,716 pontos.
Na Europa, os mercados fecharam em queda: o índice pan-europeu Stoxx 600 avançou 0,35%, aos 638,65 pontos. Na semana, a alta foi de 0,5%, o maior ganho semanal do índice desde o início de agosto.
Na Ásia, os índices terminaram em tom misto: o índice Nikkei, do Japão, subiu 1,30%, aos 66.364,20 pontos, e o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve perda de 1,01%, aos 24.510,09 pontos.