Economia

Inflação piora e Citi abandona previsão de novos cortes da Selic: ‘não vemos espaço’

30 jun 2026, 11:05 - atualizado em 30 jun 2026, 11:05
Selic Copom juros
(Créditos: Rmcarvalho/iStock)

O Citi revisou seu cenário para a economia brasileira e passou a projetar o fim do ciclo de flexibilização da política monetária. A instituição agora espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a taxa Selic em 14,25%, diante da deterioração do cenário inflacionário e da piora das expectativas para os preços.

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Anteriormente, o banco ainda enxergava espaço para novos cortes de juros. Agora, no entanto, avalia que o chamado ciclo de “calibragem” chegou ao fim, já que as expectativas de inflação seguem desancoradas e não devem apresentar melhora no curto prazo.

A mudança veio acompanhada de uma revisão para cima nas projeções do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O Citi elevou sua estimativa de inflação para 4,8% em 2026, ante projeção anterior mais baixa, e passou a prever alta de 4,0% em 2027, ambas acima da meta perseguida pelo Banco Central.

Segundo o banco, a revisão reflete uma combinação de inflação de serviços ainda elevada, hiato do produto apertado e expectativas inflacionárias que continuam distantes da meta, fatores que limitam o espaço para uma flexibilização da política monetária.

Apesar de esperar a manutenção da Selic neste ano, o Citi continua projetando uma retomada dos cortes em 2027. Nesse cenário, a taxa básica encerraria aquele ano em 12,5%.

Atividade perde força, mas mercado de trabalho segue resiliente

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Do lado da atividade econômica, o Citi manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,8% para 2026. Na avaliação da instituição, o desempenho mais forte da economia no primeiro trimestre foi impulsionado de forma temporária pelos setores de agropecuária e indústria.

Para os próximos trimestres, a expectativa é de desaceleração gradual da atividade, com a economia crescendo próxima ao seu potencial. Ainda assim, o banco avalia que o mercado de trabalho deve permanecer aquecido, com a taxa média de desemprego em 5,8%, próxima das mínimas históricas.

Fiscal e eleições permanecem no radar

O Citi também destaca que o cenário fiscal continua sendo uma fonte importante de preocupação. De acordo com a instituição, as medidas fiscais recentes ampliaram as incertezas sobre a trajetória das contas públicas.

Além disso, o banco observa que as pesquisas eleitorais continuam mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente da disputa presidencial, em um ambiente de estabilidade na avaliação do governo.

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Nesse contexto, o Citi projeta que a dívida bruta do governo geral alcance 83,4% do PIB ao fim de 2026, acima dos 78,6% estimados para o encerramento de 2025.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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