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O que faz o Ibovespa saltar mais de 5 mil pontos nesta sexta-feira (10)

10 jul 2026, 14:35 - atualizado em 10 jul 2026, 15:11
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(Imagem: Freepik/ Montagem: Julia Shikota)

O Ibovespa (IBOV) ganha mais de 4 mil pontos durante a sessão desta sexta-feira (10) com uma combinação de fatores domésticos e externos que impulsionam o apetite a risco dos investidores.

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Por volta de 15h (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira bateu a máxima intradia, aos 177.767,30 pontos, com alta de 2,91%. A pontuação representa um ganho de 5.025,18 pontos em relação ao fechamento anterior.



Um dos gatilhos para os ganhos é o otimismo com um novo corte na taxa básica de juros, a Selic, após dados de inflação. Hoje, a Selic está em 14,25% ao ano e o mercado precifica um novo corte de 25 pontos-base na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em 5 de agosto.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou no comparativo mensal. A inflação oficial do Brasil subiu 0,16% em junho, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em maio, o índice de preços havia avançado 0,58%.

No acumulado dos 12 meses, a inflação subiu 4,64% — ainda acima da meta perseguida pelo Banco Central (BC), de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

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Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o resultado abaixo do esperado ajuda a aliviar um pouco a pressão na inflação corrente no curto prazo e contribui para as apostas de mais um corte na Selic.

Após o dado, o Bank of America (BofA) também alterou a expectativa de manutenção para uma redução da taxa básica de juros em 25 pontos-base, considerando um cenário externo mais favorável – entre outros fatores, os preços do petróleo abaixo de US$ 80 o barril.

O banco ainda considera o ‘risco’ de mais um corte na Selic de 25 pontos-base além de agosto, embora o cenário-base seja de manutenção da taxa a 14% ao ano até dezembro.

A desaceleração do IPCA também tem reflexo na curva de juros futuros, com os vértices de médio prazo recuando mais de 20 pontos-base. A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, chegou a cair 9 pontos-base na mínima intradia, a 13,900%, ante 13,990% do fechamento anterior.

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Na bolsa, o recuo na curva de juros e a expectativa de Selic menor beneficiam as ações cíclicas, que são mais sensíveis a fatores macroeconômicos, como juros. Magazine Luiza (MGLU3), por exemplo, lidera os ganhos do Ibovespa desde o início da sessão, alcançando máxima intradia com alta de 9,05% (R$ 5,30).

Contudo, o forte tom positivo do principal índice da bolsa brasileira é patrocinado pelo setor de bancos. O Índice Financeiro (IFNC) registra avanço de 3,40% com a melhora do apetite a risco, às 14h (horário de Brasília). Bradesco (BBDC4) é a ação com maior ganho no setor, com alta de 4,06% (R$ 18,73), no mesmo horário, e a mais negociada da B3, com 57,3 mil negócios.

Os pesos-pesados Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4;PETR3) também avançam mais de 1%. Bancos, Vale e Petrobras correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.

Apenas Prio (PRIO3) opera em queda entre as ações que compõem o IBOV, com baixa de 0,36% (R$ 55,37). Os papéis são pressionados pela prorrogação do imposto de exportação sobre o petróleo. A medida, adotada pelo governo em março, foi estendida por mais 60 dias e prevê a alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo bruto e de 50% sobre o óleo diesel.

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Na visão de analistas, Prio é a companhia mais pressionada pela medida, já que exporta 100% da sua produção.

O exterior também ‘ajuda’ na possível redução de riscos inflacionários com a breve queda nos preços do petróleo. O contrato mais líquido do Brent, negociado para setembro, operava em queda de mais de 1% no início da tarde após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que aceitou o pedido do Irã de continuar as negociações para um acordo de paz definitivo no Oriente Médio.

Trump, porém, reiterou que o cessar-fogo entre os dois países acabou.

E o dólar?

O dólar opera em queda ante as moedas globais, como euro e libra. Por volta de 14h20, o indicador DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, caía 0,05%, a 100,850 pontos.

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Na comparação com o real, o dólar acompanha o movimento externo. No mesmo horário, a divisa norte-americana operava a R$ 5,1055, com baixa de 0,34%.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
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