Taxa Selic

Mudou de ideia: BofA vê mais um corte na Selic na próxima reunião após surpresa no IPCA

10 jul 2026, 15:14 - atualizado em 10 jul 2026, 15:14
selic - corte de juros - copom - bano central
(Imagem: Parradee Kietsirikul/ iSotck)

A surpresa baixista do IPCA de junho levou o Bank of America (BofA) a revisar sua expectativa para a política monetária brasileira. Após projetar que o Banco Central manteria a taxa básica de juros inalterada na próxima reunião, o banco agora espera um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14%.

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A mudança ocorre depois de a inflação oficial subir apenas 0,16% em junho, bem abaixo das expectativas do mercado (0,31%) e da própria estimativa do BofA (0,36%). Em 12 meses, o IPCA desacelerou de 4,72% para 4,64%.

Na avaliação do banco americano, o resultado trouxe uma composição mais favorável do que o esperado, com desaceleração não apenas nos itens mais voláteis, mas também nos principais indicadores de inflação subjacente.

“O resultado de hoje trouxe um número cheio e uma abertura mais favoráveis do que o esperado”, escreveram os economistas do BofA. Segundo eles, apesar de alguns fatores específicos terem exercido pressão baixista sobre o índice, a desinflação também foi observada em medidas mais amplas, como os núcleos e o índice de difusão.

O que mudou na visão para a Selic

Com o dado de inflação em mãos, o banco passou a projetar um corte na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), substituindo a expectativa anterior de manutenção dos juros.

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Para a reunião seguinte, o cenário-base continua sendo de estabilidade, mas os economistas destacam que existe risco de um novo corte de 0,25 ponto percentual, dependendo principalmente da evolução dos preços do petróleo.

Além do IPCA mais benigno, o BofA cita um ambiente externo mais favorável como justificativa para a mudança de cenário. O banco destaca que o petróleo permanece relativamente estável abaixo de US$ 80 por barril e que os dados recentes do mercado de trabalho americano também vieram em linha mais favorável.

Inflação perdeu força em várias frentes

Na avaliação do banco, a desaceleração foi disseminada.

A principal contribuição para o resultado de junho veio do grupo de alimentação e bebidas, que passou a registrar deflação após forte alta em maio. A queda dos preços foi puxada por itens como tomate e batata, mas o movimento foi considerado amplo entre os alimentos.

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Também houve alívio no grupo habitação, com menor pressão da energia elétrica, já que a bandeira tarifária permaneceu amarela em junho, diferentemente de maio, quando houve a mudança da bandeira verde para a amarela. A queda nos preços de perfumes, associada à sazonalidade, também ajudou a conter a inflação.

Os indicadores de inflação subjacente reforçaram o diagnóstico de desaceleração. A média dos núcleos caiu de 0,45% para 0,21% na comparação mensal, enquanto o núcleo de serviços recuou de 0,40% para 0,22%. O índice de difusão também diminuiu de 65% para 53,6%, indicando que menos itens registraram aumento de preços.

Apesar da revisão na trajetória dos juros, o Bank of America manteve sua projeção para o IPCA de 2026 em 5,5%. No entanto, os economistas afirmam que os riscos para essa estimativa agora são de baixa.

Para os anos seguintes, o banco continua projetando desaceleração gradual da inflação, com IPCA de 4,7% ao fim de 2027 e de 3,5% em 2028. Segundo a instituição, a combinação de uma inflação mais comportada e de um cenário externo menos pressionado abre espaço para o Banco Central iniciar um ciclo cauteloso de flexibilização monetária já na próxima reunião do Copom.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
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