Inter (INTR;INBR32): Itaú BBA corta preço-alvo de olho em ‘pé no freio’ dos lucros e aponta fator que segura avanço
O Itaú BBA cortou o preço-alvo para as ações do Inter (INTR;INBR32) de US$ 10 para US$ 8 e reiterou a classificação market perform, equivalente à neutra. A casa permanece cautelosa com o banco, de olho em um possível período de desaceleração no crescimento dos lucros.
O preço-alvo em dólar se refere às ações listadas no Nasdaq, vale lembrar que o ticker INBR32 corresponde ao BDR (Brazilian Depositary Receipt) da ação. Considerando a cotação de US$ 5,39 da ação INTR, o preço implica em um potencial de alta de 48,4%.
A equipe de analistas liderada por Pedro Leduc pondera que, após o Inter percorrer um longo caminho, saindo de lucros praticamente nulos para ROEs (retornos sobre o patrimônio) atuais de cerca de 15%, agora aexpectativa é de um período de desaceleração no crescimento dos lucros nos próximos trimestres.
O ponto de alerta no Inter
A mudança no mix da carteira em direção a cartões com juros e empréstimos consignados privados já foram uma fonte de benefícios para o Inter, impulsionando as margens financeira líquidas (NIMs) do banco. No entanto, agora é justamente esse fator que traz um maior custo e risco, na leitura do Itaú BBA.
"A perspectiva é de uma inflexão no 4º trimestre, quando as novas safras amadurecerem e as garantias recentemente anunciadas sobre o consignado privado entrarem em vigor. À medida que o crescimento da carteira de crédito desacelera para cerca de aproximadamente 25% ao ano, esforços maiores de eficiência provavelmente serão implementados".
Neste cenário, a casa reduziu as estimativas de lucro para os anos fiscais de 2026 e 2027 em 6% e 10%, para R$ 1,7 bilhão e R$ 2,1 bilhão, ficando 6% e 8% abaixo do consenso, respectivamente.
Ainda que o BBA veja a história de longo prazo do Inter intacta e com uma avaliação atrativa, o pé no freio dos lucros no curto prazo deve impedir uma reprecificação positiva da ação.
Pressão no lucro
Para o BBA, o custo do risco é o fator que deve pressionar os lucros do Inter nos próximos trimestres. A mudança no mix da carteira de crédito levou o banco a elevar a rentabilidade, no entanto, há um contraponto.
Em linhas gerais, crédito de maior rendimento costuma carregar também risco mais elevado. Na visão do BBA, embora os NIMs atuais já reflitam o mix de ativos de maior rendimento, o custo de risco pode aumentar em um ritmo mais rápido.
"Observamos que essas pressões são impulsionadas mais pelo processo de maturação dos produtos do Inter do que por condições macroeconômicas. A subscrição de crédito está sendo ajustada, e os custos de crédito devem começar a se normalizar'", ponderam os analistas.
Até que isso se concretize, o crescimento da carteira de crédito e os NIMs ajustados ao risco devem desacelerar, limitando o momentum de lucro no curto prazo. Para os analistas, esforços maiores de eficiência provavelmente serão implementados como forma de compensar resultados de crédito mais fracos.
Estimativas
Tendo em vista o atual cenário para o Inter, o Itaú BBA reduziu as estimativas, com expectativa de crescimento consolidado da carteira de crédito de 25% ano contra ano, com a receita líquida de juros (NII) crescendo em ritmo mais forte (31% ano contra ano) por efeitos de mix.
Os NIMs ajustados ao risco devem cair ao longo dos próximos três trimestres, encerrando o ano fiscal de 2026 com média de 5,3%. Uma melhora deve começar no quaro trimestre deste ano, atingindo cerca de 5,2% no ano fiscal de 2027.
Além de fatores macroeconômicos, ajustes na política de crédito de cartões estão no radar do BBA como fatores que devem levar a uma melhora nas inadimplências iniciais (15–90 dias) no segundo trimestre.
"No consignado privado, uma política de crédito reformulada já está sendo refletida nas safras mais recentes, e alívio adicional é esperado com as garantias para novas originações (efetivas em 23 de junho), bem como com o processo de revinculação (ainda manual hoje, mas que o Inter começou a executar em março)", dizem os analisras.
Em conjunto, essas medidas devem reduzir o custo de risco do produto de uma taxa atual na faixa dos teens altos para níveis de dois dígitos baixos, vê o Itaú BBA.
A disciplina na linha de de SG&A (despesas gerais e administrativas) deve compensar parte do maior custo de risco. O BBA espera crescimento de SG&A de 15% ano contra ano em 2026, gerando cerca de 5 pontos percentuais de eficiência, e mais 3 pontos percentuais em 2027.
No total, os lucros líquidos de 2026 e 2027 de R$ 1,7 e 2,1 bilhões estão 6% e 10% abaixo das estimativas anteriores da casa, respectivamente.
Expansão do ROE ainda está no radar
Apesar do alerta acedo para o Inter, os analistas afirmam que a história de expansão de ROE de longo prazo ainda está lá, apenas esperando um ponto de entrada.
"Apesar dessas revisões negativas, o Inter ainda deve mostrar crescimento de lucro de 27% ano contra ano em 2026. A franquia de clientes é forte e oportunidades de ROE de longo prazo são vistas em NII e eficiência de custos", dizem os analistas.
Empréstimos consignados privados e cartões de crédito foram dois dos principais motores da recente melhoria de ROE. Além dos ruídos atuais, acreditamos que eles continuarão a crescer e gradualmente penetrar a base de clientes.
"Assim, à medida que os custos de crédito se normalizarem no próximo ano, os drivers subjacentes de expansão de ROE via receita/custos devem reaparecer. Projetamos um ROE de 15% em 2026, melhorando para 17% em 2027 e 23% até 2030", afirma o BBA.
Os analistas defendem que o Inter não está caro, mas ainda vão procurar sinais mais claros de inflexão no custo de risco e revisões de lucro antes de estabelecerem uma visão mais construtiva para o papel.