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Investidores estrangeiros voltam a apostar pesado em Brasil e China em 2026

04 maio 2026, 8:48 - atualizado em 04 maio 2026, 8:48
China morning agenda wall street ibovespa
(Imagem: REUTERS/Kim Kyung-Hoon)

O mês de abril de 2026 trouxe um sinal relevante para o investidor global. O índice MSCI Emerging Markets avançou 14,52%, enquanto o MSCI Emerging Markets ex-China (sem China continental) subiu 22,24%.

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Na prática, o índice ex-China superou o índice geral em 7,72 pontos percentuais no acumulado de 2026.

Essa diferença entre os índices com e sem China sempre existiu, mas historicamente era mais pontual e ligada ao ciclo global — commodities, dólar ou crescimento sincronizado.

O que muda agora é a persistência e a natureza dessa divergência. Ela deixou de ser predominantemente cíclica e passou a ter características estruturais, refletindo uma defasagem mais ampla dos índices tradicionais em capturar o crescimento da nova economia.

Hoje, o MSCI Emerging Markets é composto aproximadamente por China continental (27%), Taiwan (21%), Índia (16%), Coreia do Sul (13%) e Brasil (5%).

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Do ponto de vista econômico, Taiwan está profundamente integrada à cadeia produtiva chinesa e ao ecossistema industrial da chamada “Grande China”, especialmente no setor de tecnologia.

Isso ajuda a explicar por que uma parcela relevante do desempenho recente veio de segmentos ligados à cadeia asiática de inovação — com destaque para semicondutores e inteligência artificial, principalmente em Taiwan.

Diante dessas diferenças, investidores globais têm migrado de uma exposição passiva em um único índice amplo para uma combinação estratégica entre diferentes vetores de crescimento dentro dos mercados emergentes.

Por que o crescimento da China não se traduz no índice amplo

    A economia chinesa iniciou o ano com crescimento de 5,0% no primeiro trimestre, acima das expectativas.

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    Mais importante do que o número, no entanto, é sua composição: Os motores atuais estão concentrados na nova economia: manufatura de alta tecnologia (+12,5%), semicondutores (+22%), robótica industrial (+31%) e baterias (+28%).

    O problema é que esses setores ainda têm peso limitado nos índices tradicionais. O MSCI China — e, por consequência, o MSCI Emerging Markets — permanece concentrado em segmentos da chamada “economia tradicional”, como consumo básico e setor imobiliário, que enfrentam desafios, ajustes e compressão de margens.

    O resultado é um desalinhamento direto: a economia cresce em setores com baixo peso no índice, enquanto o índice está exposto a áreas de menor dinamismo. Isso ajuda a explicar por que um desempenho macroeconômico sólido não se traduz automaticamente em retorno no mercado acionário.

    Para o investidor, a implicação é clara: investir na China de forma passiva pode significar maior exposição à “China antiga” do que à “nova China”. Já uma abordagem mais seletiva — focada em tecnologia e inovação — tende a capturar melhor os vetores reais de crescimento do país.

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    Brasil: o motor cíclico que equilibra o portfólio

      Se a China representa transformação estrutural, o Brasil representa o ciclo econômico — e essa diferença é complementar.

      O país entra em 2026 em um ambiente de queda de juros. Historicamente, os 12 meses seguintes ao início desse movimento tendem a ser positivos para o mercado acionário, especialmente em setores como bancos, consumo e crédito.

      Além disso, a exposição a commodities segue como um fator de suporte relevante em um cenário global incerto.

      Por outro lado, o Brasil carrega elevada volatilidade. As eleições de 2026 e o cenário fiscal adicionam incerteza, mas também criam oportunidades. Momentos de correção mais intensa tendem a funcionar como pontos de entrada para alocações táticas.

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      Nesse contexto, o Brasil não compete com a China dentro do portfólio. Ele cumpre um papel distinto: capturar o ciclo de curto prazo, enquanto a China se posiciona como vetor de crescimento estrutural de longo prazo.

      Diversificação estratégica e seletiva

        Entre China e Brasil, há um terceiro vetor essencial: outros mercados emergentes, especialmente aqueles integrados à cadeia asiática de tecnologia.

        Taiwan e Coreia do Sul, por exemplo, concentram hoje uma parcela significativa do crescimento de lucros do universo emergente, impulsionadas por inteligência artificial, semicondutores e digitalização.

        Diante desse cenário, o MSCI Emerging Markets — com expectativa de retorno de longo prazo próxima ou abaixo de 7% ao ano — deixa de ser a principal fonte de retorno e passa a atuar como base de diversificação.

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        A construção de portfólio, portanto, segue uma lógica mais clara:

        • exposição ao Brasil para capturar o ciclo de queda de juros;
        • alocação seletiva na China continental, focada na nova economia (como o índice Hang Seng Tech);
        • diversificação complementar em Ásia tecnológica por meio de índices ou estratégias específicas.

        A exposição passiva via índices amplos tende a refletir a estrutura tradicional da economia. Já estratégias mais direcionadas — especialmente em tecnologia — permitem capturar setores com crescimento esperado de dois dígitos e expansão de lucros estimada entre 22% e 28% nos próximos anos.

        O ponto central é que o investidor global não deve mais perguntar qual mercado vai subir mais, mas sim qual papel cada mercado desempenha dentro do portfólio. Em um ambiente de maior dispersão de retornos, o diferencial deixa de ser previsão e passa a ser construção.

          Nesse contexto, a combinação entre Brasil (ciclo), China continental (transformação estrutural) e outros emergentes integrados à cadeia asiática de tecnologia não é apenas uma estratégia possível — mas, cada vez mais, uma das formas mais eficientes de navegar o cenário global atual.

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          *As análises e opiniões são de responsabilidade exclusiva do autor e não representam uma visão das instituições das quais o autor pertence.

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          Vice-presidente do Bank of China (Brasil)
          Hsia Hua Sheng é vice-presidente do Bank of China (Brasil) e professor associado de finanças na Fundação Getulio Vargas (FGV- Eaesp). É economista pela Universidade de São Paulo (FEA - USP), mestre e doutor em administração em finanças pela FGV. Foi pesquisador visitante na NYU Stern School of Business e na Shanghai University of Finance and Economics (SHUFE). É especialista em finanças internacionais, com foco em mercados emergentes, com larga experiência profissional em multinacionais. Possui, ainda, várias publicações em revistas acadêmicas e profissionais de excelências internacionais e nacionais.
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          Hsia Hua Sheng é vice-presidente do Bank of China (Brasil) e professor associado de finanças na Fundação Getulio Vargas (FGV- Eaesp). É economista pela Universidade de São Paulo (FEA - USP), mestre e doutor em administração em finanças pela FGV. Foi pesquisador visitante na NYU Stern School of Business e na Shanghai University of Finance and Economics (SHUFE). É especialista em finanças internacionais, com foco em mercados emergentes, com larga experiência profissional em multinacionais. Possui, ainda, várias publicações em revistas acadêmicas e profissionais de excelências internacionais e nacionais.
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