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JBS (JBSS32): 2T26 supera estimativas, mas recuperação nos EUA e alavancagem preocupam; veja o que dizem os bancos

11 ago 2026, 12:56
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(iStock.com/Erich Sacco)

A JBS (JBSS32) entregou um segundo trimestre de 2026 (2T26) melhor do que o esperado por boa parte dos bancos, mas o resultado não foi suficiente para afastar as preocupações com a recuperação da operação de carne bovina nos Estados Unidos e com o nível de alavancagem da companhia.

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A JBS registrou receita líquida recorde de US$ 23,9 bilhões no 2T26, alta de 14% em relação ao mesmo período de 2025. O Ebitda (métrica do mercado para avaliar a geração de caixa de uma empresa) ajustado ficou em US$ 1,43 bilhão, queda de 18,5% na comparação anual, enquanto o lucro líquido ajustado foi de US$ 218 milhões. Com efeitos não recorrentes, porém, a companhia registrou prejuízo de US$ 102 milhões.

A leitura dos bancos foi majoritariamente positiva no operacional. Bank of America, BTG Pactual e Itaú BBA apontaram resultados acima de suas estimativas, enquanto a XP Investimentos classificou o trimestre como em linha com suas projeções.

Em comum, as instituições destacaram o desempenho melhor que o esperado da carne bovina nos EUA, mas divergiram sobre a velocidade de recuperação do ciclo.



EUA: o pior pode ter passado, mas recuperação ainda é incerta

A operação de carne bovina nos EUA foi o principal destaque positivo do balanço. A unidade registrou receita recorde de US$ 7,8 bilhões, alta de 14,2% na comparação anual, mas ainda teve Ebitda ajustado negativo, de cerca de US$ 100 milhões. A pressão continua vindo principalmente da oferta restrita de gado e dos elevados custos da matéria-prima.

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Para o Bank of America, a margem da US Beef — de -1,3% — ficou 70 pontos-base acima do esperado. O banco entende que a melhora pode ajudar a recuperar o sentimento dos investidores e ser um sinal de que “o pior ficou para trás”.

O Itaú BBA teve leitura semelhante. O banco destacou que a margem foi significativamente menos negativa do que a faixa de -2% a -3% que vinha sendo considerada ao longo do trimestre. Para os analistas, isso torna a surpresa positiva mais relevante, já que não houve ganhos contábeis relevantes para explicar o resultado.

Ainda assim, o Itaú ressalta que a direção de melhora parece correta, mas o ritmo da recuperação permanece incerto. A XP é mais cautelosa e afirma continuar cética quanto à velocidade com que a operação americana poderá se recuperar.

A reabertura da fronteira para o gado mexicano é um dos fatores que alimentam as expectativas de melhora. O novo CEO eleito da JBS, Wesley Batista Filho, afirmou que espera uma melhora na oferta de gado americano até o primeiro trimestre de 2027.

China ajuda Brasil e Austrália, mas efeito pode perder força

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Outro ponto de destaque nos relatórios foi o desempenho das operações de carne bovina no Brasil e na Austrália.

A JBS Brasil registrou receita recorde de US$ 4,6 bilhões, alta de 28% na comparação anual, com Ebitda ajustado de US$ 273 milhões e margem de 5,9%. O resultado foi impulsionado por preços e volumes maiores nas exportações.

BofA e Itaú BBA, porém, fazem uma ressalva: parte da força pode estar relacionada à antecipação de embarques para a China antes do esgotamento das cotas de importação.

O BTG Pactual também chama atenção para esse efeito. Na Austrália, a receita avançou 30%, para US$ 2,6 bilhões, e o Ebitda alcançou US$ 218 milhões. Mas, com a cota chinesa preenchida em junho, o banco espera um ambiente menos favorável no próximo trimestre para receita e margens.

Seara mostra resiliência

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A Seara foi outro ponto positivo do trimestre. A unidade registrou receita de US$ 2,5 bilhões, alta de 18,2%, e Ebitda ajustado de US$ 315 milhões, com margem de 12,3%.

O BTG destacou que a queda da margem foi menor do que o esperado, enquanto o BofA classificou a operação como resiliente, apoiada pelo mercado de exportação e por uma base de comparação mais favorável após o surto de gripe aviária no 2T25.

Para a XP, US Beef e Seara foram justamente os dois segmentos que apresentaram desempenho acima de suas estimativas.

O Itaú BBA, por outro lado, pondera que a discussão para a JBS não envolve apenas a recuperação da carne bovina nos EUA: existe o risco de que as margens da Seara comecem a enfraquecer antes que a US Beef apresente uma recuperação mais significativa.

Alavancagem entra no radar

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Além das margens, a estrutura de capital ganhou atenção após o trimestre.

A JBS encerrou junho com alavancagem de 3,1 vezes a dívida líquida sobre Ebitda, acima do intervalo-alvo de 2 a 3 vezes. O nível também foi influenciado pelo pagamento de cerca de US$ 1 bilhão em dividendos no trimestre.

Para o BTG, apesar de a alavancagem ter entrado na chamada “zona de atenção”, entre 3 e 3,75 vezes, o balanço continua confortável, considerando o prazo médio da dívida superior a 15 anos e custo médio de financiamento de 5,7%.

A XP também chama atenção para a alavancagem, além das despesas recorrentes — embora classificadas como não recorrentes — relacionadas a litígios, que podem continuar pressionando o lucro líquido em um momento menos favorável do ciclo.

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O fluxo de caixa livre, por sua vez, permaneceu positivo em cerca de US$ 130 milhões, uma melhora de US$ 185 milhões ante o 2T25, favorecida pela gestão do capital de giro.

JBSS32: o que fazer com a ação?

As leituras dos bancos ficam mais divergentes quando a discussão passa do trimestre para os próximos anos.

O BofA mantém recomendação de compra e entende que a melhora das margens da carne bovina americana pode ser um gatilho para recuperação do sentimento em relação à ação. O banco recomenda compra para as ações listadas em NY, com preço-alvo de US$ 20.

O BTG também mantém uma visão construtiva e considera a JBS a melhor proposta de valor entre seus pares de proteínas nos EUA e no Brasil.

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Ao mesmo tempo, alerta que a ação ainda não é uma aposta clara de alpha até que exista uma tendência mais evidente de melhora das margens. Os analistas têm recomendação de compra e preço-alvo de R$ 100 para o BDR.

O Itaú BBA vê uma relação risco-retorno atrativa no médio e longo prazo, sustentada pela possibilidade de normalização das margens da US Beef e de expansão do múltiplo em relação aos pares globais. O banco tem preço-alvo de US$ 18 e recomendação de compra para a ação em Nova York ao fim de 2026.

Já a XP considera o resultado neutro e afirma que não houve mudanças relevantes na tese de investimento. Para a casa, a diversificação continua sendo um dos principais diferenciais da JBS, mas faltam gatilhos positivos claros no curto prazo.A XP tem recomendação de compra e preço-alvo de R$ 89 para o BDR.

Assim, depois de um 2T26 melhor do que o temido em várias frentes, o principal teste para a JBS passa a ser a velocidade de recuperação da carne bovina nos EUA — e se ela acontecerá antes de uma eventual deterioração de outras operações.

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Ao mesmo tempo, a companhia atravessa uma sequência de mudanças relevantes: a reabertura da fronteira mexicana para o gado, a joint venture com o fundo soberano da Indonésia e a escolha de Wesley Batista Filho para assumir o comando global em janeiro de 2027. A mudança marca a primeira troca de CEO da JBS em oito anos e foi apresentada pelo executivo como uma transição de continuidade.

Nesse cenário, os bancos parecem concordar em um ponto: o 2T26 não muda radicalmente a tese da JBS. O que pode mudar a percepção sobre a ação é a confirmação de que a recuperação da US Beef finalmente começou.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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