Juros futuros têm alta firme com petróleo a US$ 100 e temor de reescalada da guerra no Irã
A curva de juros futuros encerrou as negociações desta quinta-feira (23) com forte ganhos, acima dos 20 pontos-base em vários vencimentos.
A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, subiu 13 pontos-base e fechou a 14,140% ante 14,010% do ajuste anterior.
Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em alta, a 13,575% ante 13,305% do fechamento anterior – um avanço de 27 pontos-base.
A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o dia a 13,660% ante 13,510% do fechamento da última quarta-feira (22).
Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, registraram alta e fecharam próximos das máximas intradia.
O yield do Treasury de dois anos – mais sensível a política monetária – terminou a 3,838% ante 3,794% do ajuste anterior.
Já o retorno do título de dez anos – referência global para decisões de investimento – subiu a 4,325% ante 4,294% do fechamento anterior.
O que mexeu com os DIs hoje?
Os investidores continuaram a monitorar os desdobramentos nas negociações de paz no Oriente Médio.
No início da tarde desta quinta-feira, o presidente do Parlamento do Irã e principal negociador, Mohammad Baqer Qalibaf, deixou a equipe de negociações com os Estados Unidos, segundo a mídia israelense. A notícia acendeu um alerta no mercado de retomada das tensões entre os dois países.
O presidente norte-americano Donald Trump reforçou que um acordo com o país persa só será feito quando for “apropriado e bom” para os EUA.
Além disso, as negociações entre o Líbano e Israel foram transferidas para a Casa Branca para que o presidente Trump pudesse acompanhar as conversas de perto, segundo um alto funcionário da Casa Branca ao New York Times.
Diante das incertezas, os preços do petróleo mantiveram-se no nível de US$ 100 o barril e o mercado voltou a precificar possíveis choques inflacionários. Na próxima semana, os Bancos Centrais dos Estados Unidos, Europa e Brasil divulgam novas decisões de política monetária.
Por aqui, Ministério da Fazenda adiantou que o governo federal anunciaria uma medida de redução de alíquotas de PIS/Cofins incidentes sobre a gasolina.
Depois do fechamento, ministros da Fazenda, Dario Durigan, e do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti informaram que o governo propôs ao Congresso Nacional um projeto de lei complementar que permitirá transformar ganhos extraordinários de arrecadação provenientes da alta do preço do petróleo em cortes de tributos sobre combustíveis.
A partir da eventual aprovação do projeto pelo Legislativo, o governo editará decretos com as reduções tributárias, que poderão beneficiar diesel, gasolina, etanol e biodiesel com cortes em PIS, Cofins e Cide.
A medida faz parte do pacote de iniciativas do governo para tentar conter os preços de combustíveis diante da escalada recente das cotações do petróleo no mercado internacional.