Guerra

Mesmo desautorizado por Trump, Israel faz novos ataques ao Irã e atinge complexo petroquímico

08 jun 2026, 4:28 - atualizado em 08 jun 2026, 4:28
irã israel agronegócio eua (1)
(iStock.com/theasis)

Israel informou nesta segunda-feira (8) que atingiu um complexo petroquímico no sudoeste do Irã, além de realizar ataques a outros alvos militares, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria dito ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para se abster de novos ataques.

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No primeiro ataque a uma instalação de energia dentro do Irã desde o cessar-fogo de 8 de abril, Israel afirmou ter atingido alvos no complexo petroquímico de Mahshahr, enquanto uma autoridade provincial disse à agência semioficial iraniana Fars que partes da instalação foram danificadas.

Horas antes, Trump declarou que novos ataques de Israel e do Irã não afetariam as negociações de paz de seu governo com Teerã, acrescentando que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu “não é quem dá as ordens”.

Trump tem pressionado Israel a interromper seus ataques no Líbano para abrir espaço para um acordo que encerre a guerra mais ampla com o Irã, chegando a repreender Netanyahu com palavrões durante uma ligação telefônica na semana passada.

No entanto, neste domingo (7), Israel lançou ataques na região de Beirute pela primeira vez desde que os Estados Unidos anunciaram um plano de trégua para o Líbano na semana passada.

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O Irã respondeu disparando salvas de mísseis contra alvos israelenses, colocando em risco as negociações de paz entre EUA e Irã. Ainda assim, Trump insistiu que um acordo para encerrar o conflito mais amplo continuava plenamente ao alcance.

“Isso não terá nenhum impacto no acordo”, disse Trump ao Financial Times. “Quem dá as ordens sou eu. Eu dou todas as ordens. Ele (Netanyahu) não dá as ordens.”

Poucas horas depois, as Forças de Defesa de Israel informaram que haviam atacado alvos militares iranianos. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que Israel utilizou mísseis balísticos lançados do ar em seus ataques.

O embaixador de Israel nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, afirmou em rede social que o Irã havia disparado 11 mísseis balísticos contra Israel, acrescentando: “Todos já estão fartos deste regime iraniano maníaco.”

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Segundo ele, Israel estava atacando locais de lançamento de mísseis e instalações de infraestrutura iranianas. “Nenhum país que se respeite no mundo toleraria um ataque como esse e Israel também não tolerará”, declarou.

Em um breve comunicado, as Forças de Defesa de Israel disseram: “A Força Aérea Israelense atingiu vários alvos no complexo petroquímico de Mahshahr.”

Mais detalhes sobre os danos causados nesta segunda-feira não estavam imediatamente disponíveis. A mídia estatal iraniana informou que projéteis inimigos já haviam atingido cinco linhas de produção da instalação desde o início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado a base aérea de Ramat David, próxima a Nazaré. Os militares israelenses disseram ter identificado mísseis lançados do Irã e que seus sistemas de defesa os interceptaram.

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“O alerta de mísseis soou às 6h da manhã em Jerusalém”, escreveu em rede social o embaixador dos EUA, Mike Huckabee, acrescentando: “A nave-mãe de Satanás está em Teerã.”

Os militares israelenses também informaram que ativaram seus sistemas de defesa aérea para interceptar um míssil identificado como lançado do Iêmen, em um ataque que seria o primeiro do país contra Israel desde o cessar-fogo.

Trump pediu a Netanyahu que suspendesse novos ataques

Trump conversou por telefone com Netanyahu a partir de seu clube de golfe em Bedminster, Nova Jersey, por pouco menos de meia hora neste domingo, segundo uma autoridade israelense, que não forneceu detalhes.

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A Casa Branca e o gabinete do primeiro-ministro israelense não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Durante a ligação, Trump pediu a Netanyahu que evitasse novos ataques porque “estamos perto de fazer algo positivo em termos de um acordo”, segundo uma autoridade americana citada pelo site Axios.

Desde o início das negociações, Israel manteve os ataques no Líbano em seu conflito com o Hezbollah, que autoridades israelenses insistem que deve ser tratado separadamente de qualquer cessar-fogo envolvendo o Irã.

Teerã afirma há muito tempo que qualquer acordo de paz com os Estados Unidos dependeria também da manutenção de um cessar-fogo no Líbano, que Israel invadiu em março para perseguir combatentes do Hezbollah apoiados pelo Irã, os quais lançavam foguetes e drones através da fronteira em solidariedade a Teerã.

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O principal negociador de paz iraniano, o presidente do Parlamento Mohammed Baqer Qalibaf, afirmou que bases americanas e ativos israelenses eram alvos legítimos devido a atos hostis, incluindo a “violação dos acordos relativos ao Líbano”.

Antes de domingo, o Irã não atacava Israel desde o início do cessar-fogo da guerra mais ampla em abril, embora o Hezbollah tivesse continuado seus ataques.

Trump tem repetidamente afirmado que Washington e Teerã estavam próximos de um acordo para encerrar a guerra.

“Estamos muito perto de um acordo, ou vou bombardear eles sem piedade”, disse Trump ao programa Meet the Press, da NBC News, em entrevista gravada exibida no domingo para marcar 100 dias do conflito.

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Trump não quer ataques no Líbano

Israel jamais interrompeu sua campanha militar no Líbano, que matou milhares de pessoas e forçou centenas de milhares a deixarem suas casas.

O Hezbollah, que ficou de fora das negociações de trégua, também continuou seus ataques e afirma que não entregará suas armas enquanto Israel não cessar seus ataques e se retirar do território libanês.

Netanyahu afirmou que os ataques israelenses de ontem aos subúrbios do sul de Beirute, uma área conhecida como Dahiyeh e tradicional reduto do Hezbollah, foram ordenados em resposta a disparos do grupo contra Israel.

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A guerra mais ampla permanece em impasse desde que os Estados Unidos e Israel suspenderam os ataques ao Irã no início de abril, enquanto Teerã bloqueava a maior parte da navegação pelo Estreito de Ormuz, principal rota de trânsito de um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito comercializados no mundo.

Washington também impôs seu próprio bloqueio aos portos iranianos.

Embora Washington e Teerã afirmem estar próximos de um acordo preliminar para reabrir o estreito, os dois lados continuam trocando ataques, com escaladas recentes que incluíram ofensivas contra países árabes vizinhos que abrigam bases americanas.

Trump afirmou que qualquer acordo para encerrar a guerra deve impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear, e enfrenta pressão para obter termos mais rígidos do que os negociados em 2015 sob o então presidente Barack Obama, acordo que Trump posteriormente repudiou.

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As exigências de Teerã incluem o levantamento das sanções americanas e internacionais, a liberação de bilhões de dólares em ativos congelados e o reconhecimento de sua influência sobre o estreito.

“É claro que esse estreito será aberto, mas sob novas condições a serem determinadas pelas autoridades iranianas e omanenses”, disse o embaixador iraniano Kazem Jalali ao jornal russo Izvestia em entrevista publicada nesta segunda-feira.

“Entendemos que Irã e Omã fornecem determinados serviços relacionados a esse estreito. E serão cobradas taxas por esses serviços”, afirmou, sem fornecer mais detalhes.

Uma fonte familiarizada com os planos dos Estados Unidos disse à Reuters no sábado que Washington poderia disponibilizar ativos iranianos aos vizinhos do Golfo para reparar danos causados pelo Irã.

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No entanto, qualquer desvio de ativos iranianos seria ilegal, e Teerã adotaria medidas de resposta, afirmou no domingo o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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