Mercados

Juros futuros têm forte alta com Caged e decisões de política monetária em foco

29 abr 2026, 18:16 - atualizado em 29 abr 2026, 18:25
(Imagem: alexsl/ iStock)

A curva de juros futuros encerrou as negociações desta quarta-feira (29) em forte alta em todos os vencimentos após dados do mercado de trabalho e decisões de política monetária em foco.

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A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, subiu 9 pontos-base e fechou a 14,205% ante 14,115% do ajuste anterior.

Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações em 13,845% ante 13,580% do fechamento anterior – alta de 26 pontos-base.

A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o dia a 13,820% ante 13,600% do fechamento da última segunda-feira (28), um avanço de 22 pontos-base.

Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, registraram alta.

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O yield do Treasury de dois anos – mais sensível a política monetária – terminou a 3,955%, na máxima intradia, ante 3,844% do ajuste anterior, alta de 11 pontos-base.

Já o retorno do título de dez anos – referência global para decisões de investimento – subiu a 4,430% ante 4,354% do fechamento anterior.

O que mexeu com os DIs hoje?

Os investidores concentraram as atenções nas decisões de política monetária.

Nos Estados Unidos, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve os juros inalterados pela terceira vez consecutiva na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, em uma decisão não unâmime. Stephen Miran foi o único voto dissidente, votando por um corte de 0,25 ponto percentual.

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Contudo, o que chamou a atenção do mercado foi a dissidência de outros três membros: Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan apoiaram a manutenção dos juros, mas sem sinalização de flexibilização monetária. Essa foi a maior dissidência desde 1992.

No comunicado, o Fomc afirmou que continuará monitorando as implicações das novas informações para as perspectivas econômicas e acrescentou que “estará preparado para ajustar a postura da política monetária conforme apropriado, caso surjam riscos que possam impedir o alcance de seus objetivos”.

Durante a coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, – que encerra mandato em maio – afirmou que permanecerá como membro do Conselho do BC norte-americano.

Por aqui, o mercado operou à espera um novo corte na Selic de 0,25 ponto percentual, reduzindo a taxa básica de juros de 14,75% para 14,50% ao ano, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

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As ações do Copom negociadas na B3 precificavam 90,5% de probabilidade de corte de 25 pontos-base na próxima semana, contra 2,5% de chance de redução de 50 pontos-base, de acordo com a atualização mais recente, da última segunda-feira (27).

Essa decisão, excepcionalmente, será tomada pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, e os demais cinco diretores. O diretor de diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, participará da decisão devido ao falecimento de um familiar em primeiro grau.

Além disso, há duas cadeiras vagas no BC: a diretoria de Política Monetária e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, com o fim do mandato de Diogo Guillen e Renato Dias de Brito Gomes em janeiro.

Mercado de trabalho brasileiro

Os dados macroeconômicos também movimentaram o câmbio. Entre eles, o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontou a criação de 228.208 vagas formais de trabalho em março.

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O resultado ficou acima da expectativa de economistas apontada em pesquisa da Reuters de criação líquida de 150.000 vagas.

Para Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, o Caged ainda é reflexo ainda do período anterior aos dobramentos do conflito no Oriente Médio, cenário em que a economia brasileira passava por um choque positivo sobre atividade econômica decorrente da isenção de imposto de renda e da valorização do salário mínimo no começo do ano.

“Por mais que o dado tenha sido positivo, é importante ressaltar que a partir de então, com o prolongamento do conflito no Oriente Médio, e, consequentemente, aumento do preço do petróleo afetando a cadeia produtiva dos custos brasileiro e também com uma Selic terminal mais alta do que anteriormente projetada, deve impactar a atividade daqui para frente”, afirmou o economista.

Ricciardi ainda destaca que o dado mostrou “alguma recuperação” do mercado de trabalho formal brasileiro. “Temos agora uma média móvel trimestral passando das 100 mil vagas, que é algo que a gente não observava desde agosto do ano passado.”

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.

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