Juros nos EUA: De olho em inflação e guerra no Irã, mercado já precifica alta das taxas em outubro
O recente impasse nas negociações de paz no Oriente Médio, os preços do petróleo acima de US$ 100 e preocupações com a inflação levaram o mercado a adiantar as apostas de elevação nos juros dos Estados Unidos para outubro deste ano.
Após o fechamento do mercado nesta sexta-feira (22), a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava para 51,7% de chance de o Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) elevar os juros na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na siga em inglês) de outubro.
Dentro da aposta majoritária, os traders veem 39,9% de chance de alta de 25 pontos-base; probabilidade de 10,8% de acréscimo de 50 pontos-base e 1% de chance de elevação de 75 pontos-base na decisão em questão.
A probabilidade de manutenção de juros na faixa atual de 3,50% a 3,75% ao ano é de 48,3%, ainda de acordo com o CME.
Na véspera, o cenário de retomada do aperto monetária era observado a partir de dezembro deste ano.
Por que o mercado já precifica alta de juros nos EUA?
Um dos principais pontos de preocupação dos investidores é a continuidade dos preços do petróleo acima de US$ 100 o barril, em meio ao impasse nas negociações de paz entre os EUA e Irã, e o possível choque inflacionário decorrente da alta nos preços de energia.
Nesta sexta-feira, o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio disse que “houve algum progresso” nas conversas. “Há mais trabalho a ser feito”, acrescentou. “Ainda não chegamos lá. Espero que cheguemos lá.”
Do outro lado, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que ainda não é possível dizer que um acordo com os EUA esteja próximo, ao afirmar a existência de “divergências profundas e extensas”.
Além disso, o sentimento de confiança do consumidor norte-americano caiu para a mínima recorde em maio.
A Universidade de Michigan informou que seu Índice de Confiança do Consumidor caiu para uma leitura final de 44,8, menor patamar histórico. O índice ficou em 49,8 em abril. Os economistas consultados pela Reuters previam que o índice permaneceria inalterado em 48,2.
Logo após a divulgação do dado, o diretor do Fed Christopher Waller afirmou ser “uma loucura” falar em corte nos juros em um futuro próximo, em meio a uma queda abaixo do esperado no sentimento do consumidor e alta nas expectativas de inflação.
Há também incerteza quanto a atuação de Kevin Warsh à frente do Fed.
Hoje, durante a cerimônica de posse de Warsh, o presidente Donald Trump, afirmou que deseja um BC “totalmente independente”.
“Quero que Kevin seja totalmente independente. Quero que ele seja independente e simplesmente faça um grande trabalho. Não olhe para mim, não olhe para ninguém, apenas faça as coisas do seu jeito”, disse.
A fala chamou atenção pelo histórico de embates entre Trump e o Fed durante seu primeiro mandato, quando o republicano criticou repetidamente a condução dos juros pelo então presidente da autoridade monetária, Jerome Powell.
Horas depois, o chefe da Casa Branca declarou que “agora tem um grande nome para comandar o Fed”.