MBRF (MBRF3) vê cenário favorável para frango, pior do ciclo nos EUA para trás e avança com planos de IPO da Sadia Halal
A MBRF (MBRF3) vê um cenário favorável para suas principais operações de proteínas no segundo semestre, com equilíbrio entre oferta e demanda no mercado internacional de frango, desempenho fortalecido no Oriente Médio e sinais de que a fase mais difícil do ciclo de carne bovina nos Estados Unidos ficou para trás.
Ao mesmo tempo, os resultados da Sadia Halal reforçam, na avaliação da administração, os planos para uma futura abertura de capital (IPO) da operação no Oriente Médio.
No mercado de frango, o CEO da MBRF, Miguel Gularte, afirmou que as cotações internacionais vêm subindo mês a mês desde dezembro de 2025, enquanto os embarques brasileiros continuam crescendo em um ambiente de menor oferta de concorrentes relevantes.
“Nós vemos que o mercado de exportação vai se manter ativo”, afirmou Gularte durante teleconferência sobre os resultados do segundo trimestre.
Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) citados pelo executivo, as exportações brasileiras de frango cresceram 4,91%. No mesmo período, os embarques dos Estados Unidos recuaram 1,8% e os da Tailândia, outro grande exportador, caíram 6,6%. As exportações da União Europeia avançaram 2%.
Para Gularte, a combinação desses indicadores aponta para um “perfeito equilíbrio entre oferta e demanda” e sustenta um “panorama favorável” para a proteína no mercado internacional.
Oriente Médio e IPO da Sadia Halal
O conflito no Oriente Médio também ampliou a relevância da segurança alimentar na região e, segundo a MBRF, reforçou uma estratégia de posicionamento construída nos últimos anos.
Gularte afirmou que, por orientação do chairman, a companhia escolheu a região como foco de investimentos e negócios ainda em 2022. “Isso se mostra hoje extremamente assertivo”, disse.
Durante o período de maior instabilidade, a MBRF optou por manter os embarques e o atendimento aos clientes da região. Segundo o CEO, a companhia estava bem posicionada para atender à demanda.
“Nós continuamos nossos embarques, atendendo nossos clientes. Isso se mostrou uma decisão extremamente acertada”, afirmou.
O mercado de Mena — Oriente Médio e Norte da África — tornou-se, considerando os últimos dois anos, o maior importador de frango brasileiro, superando a Ásia, incluindo a China, segundo Gularte.
“Essa assertividade, quando vem um conflito, encontra os preços na região já em ascensão e uma empresa extremamente bem posicionada”, disse.
A estratégia também se refletiu nos números da Sadia Halal. Segundo o CEO, a operação apresentou no segundo trimestre resultado duas vezes maior do que o registrado um ano antes.
Gularte destacou que o reforço dos estoques no Oriente Médio foi relevante para o desempenho da operação e permitiu à companhia aproveitar a demanda da região.
“Essa escolha de estoques que se transformam em caixa no curto prazo se mostrou extremamente relevante”, afirmou.
Na avaliação do executivo, o desempenho deixa a companhia em boa posição para avançar com os planos relacionados a uma futura abertura de capital.
“Isso nos deixa muito bem posicionados para o futuro IPO. Eu tenho certeza de que vai ser um êxito para a Sadia Halal no Oriente Médio”, disse.
A operação da Sadia Halal passou por uma reorganização societária em 2026. Em 3 de maio, foi concluída a transação entre a BRF GmbH e a HPDC, com a BRF GmbH ficando com 90% da companhia e a HPDC com os 10% restantes.
A operação envolveu a contribuição das atividades de distribuição e industrialização da BRF nos países do Golfo e das exportações diretas para a região Mena. Os ativos da Turquia ficaram fora da transação.
A MBRF também vem ampliando a diversificação de destinos. No segundo trimestre, foram conquistadas 34 novas habilitações para exportação, elevando o total para mais de 230, segundo Gularte.
“Pior do ciclo” nos EUA ficou para trás
Na carne bovina dos Estados Unidos, a avaliação da MBRF é de que os recentes cortes na capacidade de processamento estão acelerando a normalização da indústria.
Segundo Tim Klein, CEO da operação da companhia nos Estados Unidos, a indústria americana perdeu 12% da capacidade nos últimos dois anos, e o novo movimento de redução anunciado pela Tyson Foods deve ajudar a reequilibrar a capacidade de processamento e a oferta de animais.
“Com certeza, o anúncio do fechamento da fábrica ontem da Tyson vai causar impacto na capacidade da indústria imediatamente”, afirmou Klein.
Segundo o executivo, o mercado vive um movimento típico do ciclo pecuário, caracterizado por menor oferta de gado, excesso de capacidade industrial e margens comprimidas. Historicamente, esse cenário leva ao fechamento temporário ou permanente das plantas menos eficientes.
“O ciclo atual está consistente com ciclos anteriores: menor oferta, excesso de capacidade da indústria, margens comprimidas”, disse.
Para Klein, os cortes de capacidade observados nos últimos anos trouxeram mais equilíbrio entre oferta e demanda. Combinado à normalização gradual da entrada de gado mexicano nos Estados Unidos, o movimento cria condições para uma melhora do mercado.
“Nós achamos que a parte mais desafiadora do ciclo já ficou para trás. E esperamos uma melhoria daqui para frente”, afirmou.
O executivo ponderou, porém, que os efeitos da retomada das importações de gado do México serão mais tardios do que aqueles relacionados ao fechamento de plantas. Segundo ele, o impacto sobre a National Beef pode aparecer apenas no segundo semestre de 2027.
A reabertura da fronteira mexicana também pode apresentar características diferentes neste ciclo. Tradicionalmente, o gado que cruza a fronteira é mais leve e passa mais tempo em pastagens. Desta vez, porém, há um estoque maior de animais no México, o que pode resultar na entrada de gado mais pesado no mercado americano.
Para a MBRF, portanto, a indústria americana caminha para uma melhora gradual à medida que a capacidade de processamento se ajusta e a oferta de gado mexicano volta a se normalizar.
“O pior do ciclo já passou e as coisas vão melhorar daqui para frente”, resumiu Klein.
*Com informações do Broadcast