Mercadante rejeita Estado mínimo como caminho para o desenvolvimento: ‘Como vamos competir com EUA, China e UE sem subsídios?
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou que é um equívoco insistir na ideia de Estado mínimo como caminho para o desenvolvimento. A declaração ocorreu durante o Seminário Brasil Hoje, realizado pelo Grupo Esfera.
“Essa é uma grande divergência que existe neste plenário sobre a relação Estado e mercado. É um equívoco insistir que o caminho para o desenvolvimento é o Estado mínimo. O Consenso de Washington existe há 40 anos e o que aconteceu com a União Europeia? Caiu de 17% para 14% do PIB mundial. Já o Sul global cresceu de 42% para mais de 60% do PIB”, disse.
Mercadante destacou o crescimento das economias asiáticas e questionou como a indústria brasileira pode competir com países que oferecem subsídios e incentivos públicos.
“Sabe onde a economia do mundo cresceu? Na Ásia, um lugar onde há uma relação criativa Estado/mercado. Como a nossa indústria vai concorrer com a China que tem de quatro a oito vezes mais subsídios que a média da OCDE? Como lidar com os EUA sendo que o Trump a cada dia dá mais subsídios e incentivos públicos? É só olhar o que Trump quer fazer com as terras raras e minerais críticos. E a União Europeia está fazendo a mesma coisa”, completou.
Segundo o presidente do BNDES, defender o Estado mínimo nesse cenário é uma ingenuidade que leva à desindustrialização.
“Quem não acredita, vai lá comer um churrasco na Argentina, volta e a gente conversa. A China há 40 anos cresce 8,3% ao ano. Na última década, a América Latina cresceu 1,2%. E uma coisa para não esquecermos, fomos o país que mais cresceu no mundo durante 30 anos e nós perdemos essa relação, e precisamos recuperá-la”.
Mercadante ressaltou, porém, que o BNDES não deve substituir o mercado de capitais nem ficar “inchado”. Segundo ele, o banco deve atuar nas áreas que não são atendidas pelas instituições privadas.
“O BNDES faz o que o mercado de capitais não faz e os bancos privados não fazem. O André [Esteves] disse uma coisa muito importante: quem precisar, passa no BTG que a gente resolve. Eu digo outra, se os bancos não resolverem, vai lá no BNDES que a gente resolve”.
Mercadante afirmou que não há inovação sem que o Estado assuma riscos.
“O setor privado não sabe se vai chegar ao final do processo. Para tirar do bolso e reduzir custos, ele precisa da ajuda do Estado. A nossa linha de inovação é uma linha que tem subsídio, mas é o subsídio no lugar certo, onde ele precisa estar. A inovação é o coração da economia moderna. Ela ajuda a dar o salto qualitativo”