Mesmo com desafios no curto prazo, Citi eleva preço-alvo para Rede D’Or (RDOR3); o que fazer com a ação?
O Citi elevou o preço-alvo das ações da Rede D’Or (RDOR3) para R$ 52, ante R$ 48, o que implica um potencial de valorização de 19% em relação ao fechamento anterior. Além disso, o banco manteve a recomendação de compra para os papéis.
A revisão ocorre perto da divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026 (3T26), período para o qual o banco projeta um desempenho operacional misto, marcado pela desaceleração das receitas hospitalares e pela pressão sobre as margens.
Segundo o Citi, a revisão do preço-alvo foi sustentada principalmente pela redução da taxa de desconto utilizada no modelo de avaliação da companhia, enquanto as estimativas operacionais permaneceram praticamente inalteradas.
O banco, porém, avalia que o potencial de valorização da Rede D’Or já não apresenta a mesma assimetria favorável observada anteriormente. Com as ações negociadas a 16,6 vezes o lucro estimado para 2027, uma nova melhora na percepção dos investidores dependerá, sobretudo, de uma aceleração do crescimento das receitas hospitalares impulsionada pelo aumento dos volumes.
Por volta das 11h12 (horário de Brasília), RDOR3 recuava 1,94% (R$ 42,95).
Rede D’Or deve enfrentar pressão operacional no 3T26
Para o terceiro trimestre, o Citi projeta crescimento de 7% na receita hospitalar na comparação anual. Apesar da expansão, o ritmo deve perder força diante de uma base de comparação mais exigente, que inclui os elevados níveis de ocupação registrados no mesmo período de 2025 e descredenciamentos recentes.
O banco estima uma queda de 2,4% nos dias de internação dos pacientes em relação ao 3T25. Além disso, os 60 leitos que entraram em operação durante o trimestre devem contribuir de forma modesta para os resultados.
A combinação de crescimento mais lento e menor diluição dos custos fixos tende a pressionar a rentabilidade da operação hospitalar. O Citi também prevê alguma normalização dos gastos com materiais e medicamentos, que devem representar 19,5% da receita bruta.
Nesse cenário, a margem Ebitda ajustada deve recuar 0,7 ponto percentual, ou 70 pontos-base, na comparação anual, mesmo diante de uma base de comparação considerada relativamente limpa no terceiro trimestre de 2025, quando o indicador ficou em 26,3%.
SulAmérica deve compensar parte das pressões
Na avaliação do Citi, o desempenho da SulAmérica, operação de seguros e saúde ligada à Rede D’Or, deve ajudar a equilibrar parte das dificuldades enfrentadas pelos hospitais.
O banco projeta uma redução de 2,5 pontos percentuais, ou 250 pontos-base, na taxa de sinistralidade médica (MLR) da operação em relação ao terceiro trimestre do ano passado. O movimento refletiria a continuidade da melhora na subscrição de riscos.
A queda da sinistralidade tende a favorecer a rentabilidade do negócio de saúde, uma vez que reduz a parcela das receitas consumida pelas despesas assistenciais.
Com esse efeito compensatório e uma base de comparação mais equilibrada para os impactos da judicialização, o Citi estima Ebitda contábil de R$ 727 milhões no período.
Para o lucro contábil, a projeção é de R$ 1,28 bilhão. Excluindo juros capitalizados, participações de acionistas minoritários e amortização relacionada a fusões e aquisições, a estimativa é de R$ 1,221 bilhão.
Por que o Citi segue otimista com RDOR3?
Apesar da perspectiva de um trimestre sem grandes surpresas positivas e da cautela no curto prazo, o banco mantém uma visão favorável para as ações da Rede D’Or no longo prazo.
Entre os fatores que sustentam a recomendação de compra estão a qualidade dos negócios, a perspectiva de geração de resultados ao longo do tempo, a escassez de ativos comparáveis no mercado e as compras recentes de ações pela companhia e por seus controladores.
Segundo o relatório, essas aquisições somaram cerca de R$ 2,5 bilhões no acumulado de 2026 até a data da análise, oferecendo suporte adicional aos papéis.
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