Direcional (DIRR3) cai até 6% após ‘prévia fraca’ do 3T26; veja o que pesou nos números, segundo analistas
As ações da construtora e incorporadora Direcional (DIRR3) lideram as perdas do Ibovespa (IBOV) nesta quinta-feira (15), no pregão seguinte à divulgação da prévia operacional do terceiro trimestre de 2026 (3T26). Entre analistas, a avaliação é de que os números vieram fracos.
Por volta das 10h35 (de Brasília), os papéis recuavam aproximadamente 6,6% na bolsa de valores (B3), negociados a R$ 10,88, em uma sessão também negativa para o mercado de renda variável.
No mesmo horário, o IMOB, indicador que acompanha o desempenho das ações mais negociadas do setor imobiliário brasileiro, perdia 2,3%, aos 1.572 pontos. Acompanhe aqui o movimento em tempo real.
O 3T26 da Direcional
Entre julho e setembro, a Direcional lançou 10 projetos que totalizaram R$ 1,35 bilhão em Valor Geral de Vendas (VGV). O montante representa recuo de 37% na comparação anual e de 35% em relação ao trimestre imediatamente anterior.
Cabe destacar que, dos empreendimentos lançados, oito chegaram ao mercado apenas após a metade do mês passado, reduzindo o período disponível para comercialização.
As vendas líquidas da companhia, por sua vez, somaram R$ 1,3 bilhão no 3T26, queda de 21% frente ao 3T25, enquanto a velocidade de comercialização consolidada, medida pelo índice VSO, caiu para 19%, ante 24% um ano antes.
Segundo o analista Caio Nabuco de Araujo, da Empiricus Research, o desempenho foi pressionado por distratos acima do normal e pelo maior rigor na concessão de crédito, principalmente por parte da Caixa Econômica Federal (CEF).
Isso ocorre porque a Direcional tem forte atuação no segmento de habitação popular, com foco no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Nesse mercado, a Caixa tem papel central na concessão de financiamentos imobiliários, o que torna as mudanças nos critérios de crédito e eventuais restrições operacionais do banco especialmente relevantes para o desempenho da construtora.
Na visão de Araujo, porém, o principal destaque positivo do trimestre foi a geração de caixa operacional, que somou R$ 228 milhões, o dobro dos R$ 114 milhões apurados no mesmo período de 2025.
Além disso, de acordo com ele, cerca de R$ 56 milhões em repasses da Caixa ficaram represados no fechamento do 3T26, mas já foram recebidos em outubro, com reflexos esperados para o 4T26.
“O terceiro trimestre da Direcional foi impactado por um ambiente mais restritivo de crédito na Caixa e pela concentração dos lançamentos nas últimas semanas de setembro. O cenário foi semelhante ao observado nos demais players do setor no período”, afirmou o analista.
“De forma geral, a prévia foi mais fraca, mas entendemos que parte relevante da desaceleração decorre de efeitos pontuais. Com expectativa de aceleração dos lançamentos no 4T26 e valuation próximo de 6 vezes o lucro estimado para 2027, DIRR3 permanece entre as recomendações da Empiricus”, acrescentou.
O que diz o Bradesco BBI
Na mesma linha, os analistas do Bradesco BBI avaliaram o trimestre da Direcional como “fraco”, apesar de terem elogiado a “robusta geração de caixa”.
De acordo com o banco, a velocidade de vendas (VSO) consolidada caiu para 19% pressionada, especialmente, pela concentração dos lançamentos no fim do período.
Por outro lado, a casa destacou o fortalecimento do banco de terrenos (landbank) da companhia, que encerrou setembro com VGV potencial de R$ 56,8 bilhões.
“Apesar da fraqueza operacional, a geração de caixa foi um destaque positivo, atingindo R$ 228 milhões, bem acima dos R$ 80 milhões do 2T26, com outros R$ 56 milhões já contratados para o próximo trimestre”, afirmou o BBI.
“O ano de 2026 tem sido de transição, impactado por restrições de crédito e greves na Caixa, mas o valuation da companhia segue atrativo a 5,3 vezes o P/L para 2027. Seguimos com recomendação de compra para DIRR3”, acrescentou.
O que diz o Itaú BBA
Já o Itaú BBA avaliou que a Direcional reportou lançamentos e vendas abaixo das expectativas no 3T26. O desempenho mais fraco, contudo, já era amplamente esperado pelo mercado, diante da recente deterioração das condições do Minha Casa, Minha Vida, segundo o banco.
Na avaliação da casa, o resultado das vendas reflete menores volumes e mudanças no cronograma de lançamentos durante o trimestre, além de mais cancelamentos.
Pesaram também, de acordo com o BBA, os critérios mais rigorosos para a aprovação de financiamentos imobiliários pela Caixa e os efeitos da greve na instituição.
“As vendas brutas na participação da Direcional atingiram R$ 1,3 bilhão, queda anual de 20%, enquanto os distratos aumentaram 50%, para R$ 300 milhões. Isso refletiu cancelamentos forçados em projetos afetados por restrições operacionais em programas de subsídios regionais, juntamente com os critérios mais rigorosos da CEF e o impacto da greve de setembro”, afirmou o Itaú.
Por outro lado, assim como a Empiricus e o BBI, o banco destacou o indicador positivo de geração de caixa. O fluxo de caixa livre (free cash flow, ou FCF) atingiu R$ 90 milhões, em linha com a estimativa da instituição, de R$ 89 milhões.
“Reconhecemos que a perspectiva para construtoras de moradias populares é menos favorável do que nos anos anteriores. No entanto, acreditamos que os resultados do 3T26 foram parcialmente afetados por fatores pontuais e que o ritmo de vendas deve se estabilizar em níveis mais saudáveis daqui para frente”, ressaltou o BBA.
O banco mantém recomendação outperform (equivalente à compra) para as ações DIRR3, com preço-alvo de R$ 18.