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Mesmo com rali do açúcar e alta de 42% da ação em agosto, Bank of America reforça venda de usina

02 set 2026, 16:21
Vista aérea da usina de açúcar e álcool
Para o Bank of America, o déficit global de açúcar estimado entre 2 milhões e 2,5 milhões de toneladas já está, em grande medida, precificado. (iStock.com/JR Slompo)

A disparada dos preços do açúcar e do etanol não foi suficiente para deixar o Bank of America mais otimista com a São Martinho (SMTO3). Mesmo após as ações da companhia avançarem 42% em agosto, o banco reiterou a recomendação underperform, equivalente a venda, e o preço-alvo de R$ 15.

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Na avaliação das analistas Isabella Simonato e Julia Zaniolo, a valorização dos papéis superou tanto o desempenho das commodities quanto a melhora dos fundamentos do setor.

O açúcar subiu 20% em agosto, para 17,6 centavos de dólar por libra-peso — maior cotação desde maio de 2025 —, enquanto o etanol avançou 13% e retornou aos níveis observados em maio deste ano.



O movimento foi impulsionado por preocupações com a oferta. No Brasil, o ritmo mais lento da moagem levantou dúvidas sobre a produção de açúcar. Na Índia, os preços domésticos dispararam 40% em dois meses, levando o governo a autorizar a importação de 1 milhão de toneladas sem cobrança de impostos até 31 de outubro.

As chuvas no país asiático também estavam 13% abaixo da média até 27 de agosto, a caminho de uma das monções mais fracas da última década.

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Apesar desse cenário, o BofA avalia que o déficit global de açúcar esperado para a safra 2026/27 já está amplamente refletido nas cotações.

Por que o BofA mantém a venda de São Martinho?

Além de considerar exagerada a valorização de 42% registrada em agosto, o Bank of America não acredita que os preços atuais das commodities sejam suficientes para provocar revisões positivas nas projeções de lucro da companhia.

A São Martinho possui proteção de preços para cerca de um terço de seu volume de açúcar no ano fiscal de 2027, a 15,8 centavos de dólar por libra-peso — abaixo das cotações atuais. O banco também projeta fluxo de caixa negativo, mesmo considerando preços do etanol superiores aos observados no mercado.

Após o rali, a ação passou a ser negociada a 4,6 vezes o valor da firma sobre o Ebitda estimado para o ano fiscal de 2027, acima de sua faixa histórica, entre 3,5 e 4 vezes.

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O posicionamento dos fundos no açúcar negociado em Nova York passou de uma posição líquida vendida de aproximadamente 120 mil contratos em junho para uma posição comprada de 123 mil contratos — maior nível desde outubro de 2024.

Ainda assim, o banco acredita que a disponibilidade brasileira para exportação deve manter os fluxos comerciais confortáveis.

A expectativa é de que o Brasil produza entre 43 milhões e 44 milhões de toneladas de açúcar, considerando uma moagem de 625 milhões a 645 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul. O intervalo representa crescimento entre 2,3% e 5,5% em relação à temporada anterior.

Para o Bank of America, o déficit global estimado entre 2 milhões e 2,5 milhões de toneladas já está, em grande medida, precificado. A projeção do banco aponta para o açúcar a 16 centavos de dólar por libra-peso em março de 2027, abaixo dos 18,4 centavos indicados pelos contratos futuros.

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Uma variação de 10% na estimativa para o preço do açúcar alteraria o Ebitda projetado da São Martinho para os anos fiscais de 2027 e 2028 entre 2% e 6%.

Etanol segue abaixo do custo

No etanol, o BofA também enxerga limitações. O preço recebido pelas usinas se recuperou para R$ 2,31 por litro, acompanhando a valorização do açúcar. Mesmo assim, o açúcar ainda oferece um prêmio de 63% sobre o etanol hidratado.

O banco não espera uma mudança relevante no mix de produção das usinas, uma vez que as condições climáticas adversas reduziram a concentração de açúcar na cana. Além disso, a oferta elevada continua pressionando os preços do biocombustível.

Nas bombas, o etanol está em uma relação de 58% frente ao preço da gasolina. O BofA prevê apenas uma recuperação gradual em direção à paridade de 70%, considerada o nível ideal para o combustível renovável.

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O principal gatilho de curto prazo seria o fim dos subsídios à gasolina, que poderia elevar o preço do combustível fóssil em R$ 0,44 por litro e abrir espaço para um avanço de até 6% no etanol recebido pelas usinas.

O banco trabalha com preço médio de R$ 2,60 por litro para o hidratado entre julho de 2026 e março de 2027, 12% acima do patamar atual. Entretanto, esse valor ainda ficaria abaixo do custo de produção, estimado em aproximadamente R$ 2,70 por litro.

Uma mudança de 10% na premissa para o preço do etanol teria impacto entre 7% e 9% sobre o Ebitda estimado da São Martinho para os anos fiscais de 2027 e 2028.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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