Entrevista

Mills (MILS3): CEO fala sobre venda do controle para grupo francês e potencial saída da bolsa

25 maio 2026, 16:10 - atualizado em 25 maio 2026, 16:10
Sérgio Kariya, CEO da Mills (MILS3) (Imagem: divulgação)
Sérgio Kariya, CEO da Mills (MILS3) (Imagem: divulgação)

As ações da Mills (MILS3), empresa que atua na locação de equipamentos para construção civil e indústrias, dispararam nesta segunda-feira (25) após o anúncio da venda do controle da companhia para o grupo francês Loxam, o maior do segmento na Europa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Por volta das 15h (horário de Brasília), os papéis avançavam quase 16% na bolsa de valores, negociados a R$ 15,14, enquanto o Ibovespa, principal índice da B3, avançava cerca de 0,66%.



“Perpetuação da cultura”

Mais cedo, a Mills informou que a Loxam acertou a compra de 50,3% do seu capital, atualmente distribuído por três entidades: pela família fundadora Nacht, pela família Oxenford e pelo fundo Southern Cross Group (SCG).

O preço acordado foi de R$ 16 por ação, valor que representa um prêmio de 22% sobre o fechamento do papel na última sexta-feira (22) e que atribui à companhia um equity value de aproximadamente R$ 3,8 bilhões.

Em entrevista ao Money Times, Sérgio Kariya, CEO da Mills, afirmou que a decisão foi motivada, principalmente, pela busca da família Nacht, que está na sua terceira geração, por uma organização que preservasse a cultura construída pela empresa ao longo de seus 74 anos de história.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“Um dos principais sonhos da família [fundadora], num eventual movimento de liquidez, era encontrar um grupo que perpetuasse a cultura. E foi encontrada na Loxam uma similaridade bastante grande com o que queriam”, disse o executivo.

Segundo ele, as conversas entre a Mills e o grupo francês começaram ainda no final de 2025, embora as empresas se conhecessem há bastante tempo e fossem até concorrentes.

“Já existia um conhecimento mútuo. Então, eu não diria que teve um lado A ou B procurando o negócio. Foi um encontro que acabou interseccionando objetivos em comum, até porque a Loxam está presente no Brasil desde 2015”, afirmou.

De fato, a europeia chegou em solo brasileiro há 11 anos, quando comprou a Degraus, uma companhia focada em plataformas elevatórias. Já em 2023, a francesa adquiriu a A Geradora, especializada em aluguel de geradores de energia.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“A Mills e a Loxam continuam sendo concorrentes porque a gente ainda precisa da aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O que nós fizemos hoje foi a assinatura do acordo. Devemos protocolar, nos próximos dias, o ato de concentração, mas, até que o regulador aprove essa transação, seguimos concorrentes”, pontuou o executivo.

Questionado pela reportagem sobre a existência de outras propostas ou interessados na aquisição do controle acionário da brasileira, Kariya preferiu não responder. “A gente não está abrindo isso.”

OPA e possível saída da B3

Com a compra do controle, a Loxam será obrigada a realizar uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) aos acionistas minoritários da Mills, conforme previsto nas regras do Novo Mercado da B3. De acordo com o CEO, os investidores menores terão direito às mesmas condições oferecidas ao bloco controlador.

“A Loxam terá que fazer obrigatoriamente uma OPA no mesmo preço para 100% da base acionária da Mills”, afirmou, explicando que o valor de R$ 16 por papel começará a ser corrigido após 31 dias da assinatura do contrato.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“A partir do 31º dia, contado ​desta segunda-feira (25), passam a incorrer juros equivalentes a 70% do CDI até o fechamento da operação”, acrescentou.

Perguntado sobre uma possível saída da Mills da bolsa brasileira após a OPA, Kariya também evitou cravar um cenário. “O que eu posso dizer é que eles [a Loxam] vão fazer a oferta pública obrigatória. Potencialmente, a companhia pode continuar listada.”

“Oferta bastante positiva”

O executivo, que está no comando da Mills há 12 anos, também classificou a proposta francesa como “geradora de valor”.

“Eu vejo essa oferta como bastante positiva para os acionistas. O preço de R$ 16 por ação representa a maior cotação dos últimos 12 anos da companhia. É um prêmio de 22%”, afirmou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O que muda na Mills com a chegada da Loxam

De acordo com o CEO, a principal mudança esperada com a chegada da francesa ao controle da Mills é a ampliação da carteira da companhia no Brasil.

“A expectativa é aumentar o portfólio geral, com produtos complementares, como torres de iluminação, compressores e energia temporária”, disse. “Acho que isso ajuda a explicar o apetite deles [Loxam] por esse aporte”.

Apesar disso, o executivo ponderou que ainda é prematuro para falar sobre novos investimentos ou uma expansão mais agressiva no país. “Acabamos de assinar o acordo. É muito cedo para fazer qualquer afirmação nesse sentido”, afirmou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar