Moura Dubeux (MDNE3) sobe na bolsa após balanço do 2T26; analistas veem potencial de alta de até 80% para ação
As ações da incorporadora Moura Dubeux (MDNE3) operam em alta nesta quinta-feira (13), um dia após a companhia divulgar o seu balanço financeiro do segundo trimestre de 2026 (2T26).
Entre analistas, a avaliação é majoritariamente positiva, com destaque para a expansão das margens, crescimento do lucro e baixa alavancagem da empresa.
Por volta das 11h10 (horário de Brasília), os papéis, que são negociados fora do índice Ibovespa (IBOV), avançavam 2,7%, cotados a cerca de R$ 24,45 na bolsa de valores. Acompanhe o movimento em tempo real.
O 2T26 da Moura Dubeux, segundo a Empiricus
Entre abril e junho, a Moura Dubeux registrou lucro líquido de R$ 173,9 milhões, novo recorde trimestral e alta de 44,6% sobre os R$ 120,3 milhões apurados no mesmo intervalo de 2025.
Segundo Caio Nabuco de Araujo, analista da Empiricus Research, além da evolução operacional, o número foi favorecido pelo resultado financeiro líquido positivo de R$ 34,7 milhões.
No acumulado primeiro semestre (1S26), o lucro da incorporadora recifense chegou a R$ 329,4 milhões, crescimento de 72,8% em relação a igual período do ano anterior.
A receita líquida, por sua vez, somou R$ 731,1 milhões entre abril e junho, avanço de 10% na comparação anual.
Araujo destacou que os números, em geral, vieram ligeiramente acima das estimativas, principalmente nas linhas finais.
Ele lembrou que a margem bruta da companhia atingiu 38,6% no 2T26, expansão de 5,3 pontos percentuais na comparação anual.
Segundo a própria Moura, parte importante dessa evolução veio da maior contribuição do modelo de condomínio e do reconhecimento de taxas de comercialização de terrenos de três projetos (Casa Macedo, Moura Dubeux Plaza e Salvador 220).
Por outro lado, o analista ponderou que as despesas comerciais e administrativas apresentaram crescimento relevante no período, refletindo, entre outros fatores, maiores gastos com comissões e expansão da operação da incorporadora.
Em relação à estrutura de capital, Araujo destacou que a Moura Dubeux encerrou junho com dívida líquida de “apenas” R$ 56 milhões, equivalente a 2,5% do patrimônio líquido.
A companhia também apresentou geração de caixa de R$ 27 milhões no segundo trimestre, influenciada, segundo ele, pela alienação de recebíveis, revertendo o consumo observado no 1T26.
“De forma geral, os resultados do 2T26 reforçam a boa evolução financeira da Moura Dubeux, com expansão de margens e novo recorde de lucro. Mantemos uma leitura positiva sobre a qualidade operacional de MDNE3, que negocia a apenas 3,5 vezes os seus lucros projetados para 2027”, disse o analista da Empiricus.
O que diz o BBA
Na mesma linha, o Itaú BBA avaliou que a incorporadora apresentou um segundo trimestre “sólido”, com o lucro por ação (LPA) aumentando 18% na comparação anual e ficando 3% acima da estimativa do banco, que já era considerada otimista.
A casa apontou ainda que a receita líquida da empresa totalizou R$ 731 milhões, 5% acima da projeção, dividida em:
- R$ 493 milhões do segmento de condomínios (+17% a/a), impulsionado por taxas de comercialização de terrenos de três projetos;
- R$ 238 milhões do segmento de incorporação (-2% a/a).
Quanto às despesas operacionais, o BBA afirmou que ficaram amplamente em linha com as expectativas, enquanto o resultado financeiro ficou 15% acima de sua estimativa.
O banco também destacou a geração em caixa durante o segundo trimestre, impulsionada por uma operação de securitização envolvendo recebíveis vinculados a taxas de comercialização de terrenos.
“Recentemente, reiteramos MDNE como uma de nossas ações preferidas entre as incorporadoras focadas na média e alta renda, pois vemos uma combinação atraente de um pipeline robusto de lançamentos no segmento rentável de condomínios e a contínua expansão de seus negócios no programa Minha Casa, Minha Vida, em parceria com a Direcional”, disse o BBA.
“Além disso, a empresa tem posição de liderança no mercado do Nordeste brasileiro, que é atraente e apresenta baixa concorrência, e um valuation atrativo, com o papel sendo negociado a 3,1 vezes o P/L projetado para 2027”, prosseguiu.
O que diz o BTG Pactual
Os analistas do BTG Pactual também avaliaram o 2T26 da Moura Dubeux como “sólido”, pontuando que a empresa apresentou resultados ligeiramente melhores do que o esperado, impulsionados principalmente por uma margem bruta acima das projeções.
Segundo o banco, a receita líquida ficou 4% acima da estimativa, enquanto o lucro líquido superou em 5% a projeção, implicando um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) anualizado de 30%.
De acordo com o BTG, a empresa encerrou junho com dívida líquida de R$ 64 milhões, indicando um índice de alavancagem “confortável” de 3%.
“Gostamos do que vimos no 2T26, com a MDNE continuando a expandir suas operações enquanto a rentabilidade permanecia muito forte”, afirmou o banco.
“Mantemos nossa recomendação de compra para as ações, visto que a empresa possui uma operação dominante no segmento de média e alta renda na região Nordeste, está ampliando sua exposição ao MCMV e é negociada a um valuation atraente, com P/L de 3,5 vezes estimado para 2027”, acrescentou.
Confira as recomendações para a Moura Dubeux:
| Instituição | Recomendação | Preço-alvo | Potencial de alta |
|---|---|---|---|
| Empiricus Research | Visão positiva | — | — |
| Itaú BBA | Outperform (compra) | R$ 44,00 | 80% |
| BTG Pactual | Compra | R$ 44,00 | 80% |