Ministério Público aciona o TCU para cobrar ação do governo pelo descontrole das bets
A suposta omissão do governo federal na fiscalização e controle das bets levou o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) a protocolar uma representação que exige a abertura imediata de auditoria sobre os órgãos reguladores. A peça jurídica, assinada pelo subprocurador-geral Lucas Furtado, mira a inércia estatal e aponta a falta de governança sobre as plataformas digitais que se transformaram em um gargalo financeiro capaz de sobrecarregar o Sistema Único de Saúde (SUS) e desestabilizar a economia popular.
A representação do subprocurador-geral Lucas Furtado aponta que a falta de fiscalização no setor de apostas ameaça a economia popular e sobrecarrega o SUS. O órgão cobra do TCU a apuração de falhas de governança dos órgãos reguladores federais.
“Diante dos males comprovados e dos impactos concretos sobre a saúde pública, o orçamento das famílias, a proteção de crianças e adolescentes, a assistência social, a arrecadação tributária e a prevenção à lavagem de dinheiro, impõe-se questionar se o Estado pode continuar permitindo e, direta ou indiretamente, estimulando o funcionamento das bets”, argumentou Furtado.
O ponto crítico do rombo orçamentário foi evidenciado em agosto de 2024, quando a drenagem de cerca de R$ 3 bilhões do Bolsa Família para as plataformas de bets reduziu o poder de compra da população de baixa renda e acelerou o superendividamento das famílias.
O destino de 20% da verba mensal do programa assistencial para o mercado de jogos e a movimentação de até R$ 40 bilhões anuais por operadoras clandestinas expuseram a vulnerabilidade da fiscalização tributária e facilitaram a evasão de divisas e a lavagem de dinheiro no país, na avaliação das autoridades.
Auditoria no TCU cobra controle externo sobre o governo
Para contornar o debate sobre a constitucionalidade da atividade, tema em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF), a estratégia se concentrou o foco na negligência administrativa para exigir a responsabilização de gestores que permitiram a proliferação do vício em jogos.
“Trata-se, portanto, de matéria inserida no âmbito do controle externo da Administração Pública, de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial, e não de pedido de declaração de inconstitucionalidade”, salientou o subprocurador-geral no documento enviado ao TCU.
Ações nas bets ameaça economia popular e o SUS
A escalada do impacto socioeconômico levou o Ministério da Fazenda a disponibilizar uma plataforma que possibilita ao próprio apostador bloquear o acesso do seu CPF aos sites autorizados de bets. Levantamento do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas indica que o dispositivo já registrou mais de 1 milhão de pedidos de bloqueio, impulsionado pelos seguintes fatores: 11,8% dos solicitantes: apontaram a deterioração direta das finanças pessoais como motivo principal; 5% dos usuários: declararam perda total de controle sobre a atividade de jogo.
Paralelamente ao freio financeiro, a sobrecarga na rede pública de saúde motivou o Ministério da Saúde a estruturar frentes de apoio aos quadros de ludopatia, caracterizada por um transtorno mental que provoca impulso incontrolável de jogar e apostar dinheiro.
A pasta expandiu o teleatendimento especializado, que já registra cerca de 100 consultas mensais, e publicou um guia para acolhimento de pessoas que sofrem com os vício das bets, orientando famílias sobre o tratamento adequado ao transtorno impulsivo de apostas.
*Sob orientação de Gustavo Porto