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‘Não é mágica’: Em vídeo no X, Elon Musk explica o plano da SpaceX para construir data centers no espaço

09 jun 2026, 13:12 - atualizado em 09 jun 2026, 13:12
Elon Musk (à dir.) e executivo da SpaceX em vídeo publicado no X (Reprodução/X)

Os avanços recentes da inteligência artificial (IA) têm demandado o uso crescente de data centers – e de energia para abastecê-los e resfriá-los. Se continuarmos nesse ritmo, a única saída pode ser colocar data centers no espaço e usar muito mais energia do Sol.

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Este é o plano do empresário bilionário Elon Musk, dono do X (antigo Twitter) e da SpaceX, que faz sua estreia na bolsa dos EUA nesta sexta-feira (12) e pode ser avaliada em US$ 1,75 trilhão.

Em um vídeo de 31 minutos publicado nesta terça-feira (9) na rede social, Musk e outros executivos da fabricante de foguetes aparecem sentados conversando dentro da fábrica da empresa e tentam explicar ao público como pretendem colocar esta ideia grandiosa em prática.

Musk afirmou que não é necessário recorrer a soluções “mágicas” para colocar data centers no espaço, argumentando que os componentes fundamentais para isso já existem ou estão em desenvolvimento dentro da SpaceX.

Por que o espaço?

O plano envolve a experiência da SpaceX com foguetes reutilizáveis, satélites e produção de hardware para construir data centers em órbita, alimentados por energia solar captada diretamente no espaço – e liberando calor no vácuo.

Segundo Musk, o projeto faz parte de uma visão mais ampla de aumentar a capacidade energética da humanidade e avançar na chamada escala Kardashev, uma classificação criada pelo astrofísico soviético Nikolai Kardashev para medir o desenvolvimento de uma civilização pela quantidade de energia que ela consegue utilizar.

“Para aproveitar qualquer porcentagem significativa da energia do Sol, você precisa ir para o espaço”, afirmou o empresário.

Três elementos básicos

Segundo o executivo, o projeto depende essencialmente de três elementos: capacidade de transportar grandes volumes de carga para a órbita terrestre, geração de energia solar e chips de inteligência artificial.

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O principal pilar dessa estratégia é o Starship, foguete de nova geração da companhia. Musk voltou a defender que a reutilização rápida e total do veículo será o fator decisivo para reduzir drasticamente os custos de acesso ao espaço.

Segundo ele, a versão Starship V3 terá mais que o dobro do empuxo do Saturno V, utilizado nas missões Apollo, enquanto futuras versões poderão ampliar ainda mais essa capacidade. O objetivo da companhia é elevar a massa transportada para a órbita de cerca de 2.500 toneladas anuais para milhões de toneladas por ano.

O principal desafio

A infraestrutura espacial imaginada pela empresa inclui satélites especializados para computação. Durante a apresentação, Ian Doll, integrante da equipe Starlink, explicou que o principal desafio é fornecer energia elétrica e dissipar o calor gerado pelos processadores.

A solução proposta utiliza painéis solares semelhantes aos empregados atualmente nos satélites Starlink e radiadores para liberar calor diretamente no vácuo do espaço.

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Segundo Musk, o primeiro protótipo, chamado AI1, terá aproximadamente 150 quilowatts de potência máxima e 120 quilowatts de potência sustentada. Isso corresponderia, segundo ele, a um rack de computação equipado com dezenas de GPUs avançadas da Nvidia.

Os módulos seriam conectados por enlaces ópticos a laser e integrados à constelação Starlink para transmitir dados à Terra com baixa latência.

Do Texas para o espaço

Para viabilizar a expansão da capacidade computacional, Musk também revelou planos para construir uma fábrica de chips chamada Terafab em Bastrop, no Texas. A instalação teria cerca de 9,3 milhões de metros quadrados, aproximadamente dez vezes o tamanho da Gigafactory da Tesla no Texas.

A meta apresentada pelo executivo é atingir uma capacidade equivalente a 1 gigawatt por ano de computação espacial até o final do próximo ano, avançando posteriormente para 10 GW, 100 GW e, no longo prazo, 1 terawatt anual.

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Musk afirmou ainda que, em uma etapa futura, a expansão dessa infraestrutura poderia migrar para a Lua. A ideia seria fabricar localmente painéis solares e radiadores e utilizar aceleradores eletromagnéticos para lançar satélites ao espaço profundo sem o uso de foguetes convencionais.

Segundo o empresário, essa seria a única forma de ampliar em milhares de vezes a capacidade de aproveitamento da energia solar e aproximar a humanidade de uma civilização Kardashev tipo 2, capaz de utilizar uma parcela significativa da energia produzida pelo Sol.

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É jornalista formada pela ECA-USP, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais para Jornalistas pela B3. Tem mais de 25 anos de experiência e passagem pelas principais redações do país – entre elas, Estadão, Folha, UOL e CNN Brasil. Atualmente, é editora-chefe do Money Times.
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