‘Não me importo em ser boi de piranha’, diz Zema sobre adotar medidas impopulares
O ex-governador de Minas Gerais e candidato do Novo a presidente, Romeu Zema, afirmou nesta terça (4), que não se importa em ser o primeiro mandatário a tomar medidas impopulares caso seja eleito, ao comentar cortes no funcionalismo e redução de despesas na máquina pública. “Não me importo em ser boi de piranha. Não estou atrás de ser político de carreira, estou atrás de algo diferente” disse Zema em sabatina organizada pela G4 Educação e portal O Antagonista.
Zema disse que, se o modelo adotado em Minas Gerais, com o corte de 50 mil cargos em pouco mais de sete anos de seus dois mandatos, seria possível reduzir até 500 mil cargos na máquina federal. No entanto, o candidato salientou: “Não estou a par de detalhes da máquina pública federal para saber se é essa magnitude”, afirmou.
Em seguida, Zema brincou que Minas Gerais, com 14 secretarias, tem o menor número desses órgãos públicos no Brasil. “Dava até para diminuir uma secretaria, mas o número ficaria feio”, afirmou o ex-governador, em uma referência do número do Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva.
Além de retomar o discurso de que adotará privatizações, como a da Petrobras, Zema citou a redução da Selic, que, segundo ele, será precificada naturalmente quando ele for eleito. “Temos R$ 1,5 trilhão de serviço da dívida por ano; na hora que o presidente assumir, o mercado vai precificar a queda na Selic. Dá para cair para 6%, uma economia de R$ 800 bilhões por ano”, afirmou.
Além do discurso de “corte no funcionalismo”, de que “estatais só servem para enriquecer”, e de que “a velha política não resolve problemas do Brasil”, Zema defendeu uma nova Reforma da Previdência, a redução da maioridade penal, o home schooling, a manutenção da atual legislação sobre o aborto e o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). “Se Deus quiser, teremos um Senado que fará isso, tirar as frutas podres”.
Zema defendeu mudanças no Bolsa Família, mas não deu detalhes, bem como o indulto para condenados nos atos antidemocráticos e a tentativa de golpe de 2023. O ex-governador se disse favorável à pena de more para alguns crimes como os cometidos por serial killers, à redução do fundão eleitoral em até 70% e a revisão dos piscos constitucionais na saúde e revisão
Por fim, Zema voltou a defender a universalização do trabalho de jovens aprendizes a partir dos 14 anos e se disse favorável ao voto impresso, com o aperfeiçoamento do atual sistema de voto eletrônico. Ainda sem nome a vice-presidente o candidato disse que uma definição, “provavelmente alguém do partido Novo” acontecerá até amanhã (5), quando acaba o prazo legal para convenções.