Natura (NATU3) prepara mercado para queda de até 10% na receita líquida do 2T26
A Natura (NATU3) divulgou ao mercado resultados preliminares referentes ao segundo trimestre de 2026 (2T26), antecipando uma potencial queda na receita líquida consolidada do período, estimada entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões, implicando uma redução anual entre 9% e 10%.
No fato relevante, divulgado nesta quarta-feira (8), a empresa do setor de cosméticos cita o ambiente de consumo desaquecido no Brasil e ajustes operacionais internos como fatores que pressionaram a receita líquida no período de abril a junho, em uma magnitude maior do que a inicialmente prevista.
Quanto à rentabilidade, no entanto, a Natura espera uma expansão trimestral na margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), em função de menores despesas sequenciais com rescisões e captura de eficiências do novo modelo operacional.
De acordo com a empresa, essa melhoria compensa parcialmente o impacto negativo da desalavancagem operacional. As informações divulgadas são preliminares, não auditadas e sujeitas a revisão, ajustes e acréscimos.
“O objetivo desta divulgação é garantir a ampla, simultânea e equitativa disseminação de informações relevantes ao mercado, tendo em vista a evolução das informações disponíveis à administração durante o processo de fechamento trimestral”, diz a empresa.
A companhia divulga seu balanço referente ao segundo trimestre em 10 de agosto, após o primeiro trimestre do ano mostrar uma receita líquida de R$ 4,75 bilhões, recuo de 7,7% na base anual.
A companhia ampliou o prejuízo líquido para R$ 445 milhões no primeiro trimestre de 2026, ante resultado negativo de R$ 152 milhões registrado no mesmo período em 2025.
Em coletiva com jornalistas após o balanço, o CEO, João Paulo Ferreira, reconheceu que o primeiro trimestre foi marcado por pressões, mas reforçou a confiança de trimestres melhores à frente e entrega dos compromissos para este ano, com foco em rentabilidade e caixa.
O que impacta a Natura?
Adiantando um número possivelmente pior do que o aguardado pelo mercado, a Natura atribui esse cenário de pressão a cinco principais acontecimentos.
O primeiro deles é a escassez de produtos em meio à estabilização do novo sistema de planejamento Integrado, atualização do sistema SAP da companhia e relocação de volumes da recém-fechada fábrica de Interlagos.
“A escassez de produtos, somada a um cenário macroeconômico desafiador, levou a uma queda importante de volume no canal de venda por relações. Essa queda traduziu-se em redução anual na atividade e produtividade das consultoras, insuficientemente compensada pela recuperação do canal observada na comparação trimestral”, diz a Natura.
A companhia menciona ainda a implementação de políticas de preços e regras comerciais entre canais, que levou a uma desaceleração de curto prazo no canal online, além da Transição de 100% dos contratos de franquia para um novo modelo que alinha os interesses do franqueado e do franqueador com base nas vendas sell-out.
“Essa transição levou a uma redução momentânea de estoques nas lojas franqueadas e consequente desaceleração nas vendas para as franquias (sell-in)”, argumenta a empresa.
Por fim, a Natura destaca o descasamento temporário de tributos, com efeito concentrado no segundo trimestre do ano.
Entre os esforços para contornar a situação e impulsionar o desempenho da receita no Brasil, a Natura cita:
- Reconfigurações na cadeia de abastecimento (supply chain);
- Ajustes nos incentivos da força de vendas;
- Novos formatos de vendas digitais, incluindo a expansão para novos marketplaces
- e a aceleração da nova loja digital das consultoras; e
- Retomada do ritmo acelerado de abertura de lojas, com novas franquias já sob o
- novo modelo de contrato.
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