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Por que essa petroleira criou um motor que promete eficiência de até 42%?

09 jun 2026, 10:48 - atualizado em 09 jun 2026, 10:48
Saudi Aramco
(Imagem: REUTERS/Ahmed Jadallah)

A Saudi Aramco, maior empresa petrolífera do mundo, desenvolveu um motor a combustão inovador que promete tornar os carros híbridos — aqueles que combinam gasolina e eletricidade — mais eficientes e acessíveis.

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Com adaptações em seus componentes internos, o novo motor pode alcançar eficiência térmica de até 42%, reduzir o consumo de combustível em cerca de 35% e diminuir os custos de fabricação em até 20%. A tecnologia ainda deverá ser licenciada para montadoras automotivas.

Apesar das vantagens anunciadas, surge uma questão: por que uma empresa petrolífera investiria no desenvolvimento de uma tecnologia que pode reduzir a dependência dos combustíveis fósseis?

As novidades do motor

Batizado de DHE (Dedicated Hybrid Engine), o novo motor da Aramco traz inovações como a eliminação do cabeçote tradicional e a adoção de uma estrutura monobloco.

O conjunto mecânico é mais simples: trata-se de um motor 1.6 de três cilindros com aproximadamente 175 peças. Todo o seu funcionamento é controlado por um sistema elétrico, dispensando o uso de correias.

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As modificações reduzem etapas de usinagem e montagem nas linhas de produção, diminuem o atrito entre componentes e ainda abrem caminho para uma futura operação com hidrogênio.

Por essas características, o DHE não foi projetado para veículos convencionais. Ele foi desenvolvido para atuar em conjunto com um motor elétrico, funcionando como gerador de energia e entrando em operação apenas nas faixas de maior eficiência.

O interesse da Aramco

O interesse da Aramco pelo setor automotivo — inclusive pelo segmento eletrificado — não é recente.

Em 2024, a companhia adquiriu uma participação de 10%, avaliada em cerca de 740 milhões de euros, na Horse Powertrain, empresa global especializada no desenvolvimento de motores a combustão e sistemas híbridos. Já em 2025, firmou uma parceria com a BYD.

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A estratégia tem uma justificativa clara. A colaboração com a montadora chinesa permite à Aramco ampliar sua presença no mercado de veículos eletrificados, ao mesmo tempo em que reforça sua aposta na continuidade dos motores a combustão por meio de ganhos de eficiência e redução de emissões.

Segundo a Saudi Aramco, embora o mercado de veículos elétricos esteja em expansão, os motores a combustão ainda deverão permanecer por muitos anos.

Para o vice-presidente executivo da companhia, Yasser Mufti, “será muito caro para o mundo eliminar completamente, ou prescindir, dos motores de combustão”, argumento que sustenta sua visão de que os motores movidos a gasolina continuarão presentes no futuro.

Nesse cenário, a Aramco e outros acionistas da Horse, como a chinesa Geely e a francesa Renault, apostam que a indústria automotiva passará a adotar cada vez mais motores desenvolvidos por fornecedores especializados, em vez de investir em projetos próprios.

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*Sob supervisão de Renan Dantas.

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Jornalista em formação pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo. Atualmente, estagiária de redação do Money Times e do Seu Dinheiro.
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