Nubank (ROXO34): Como programa do governo pode dar um empurrão no papel?
O Nubank (ROXO34) foi um dos destaques negativos do primeiro semestre após sofrer com combo de notícias que vão de aumento das despesas e resultados fracos à troca do CFO, que gerou receios de investidores. Tanta notícia ruim, no entanto, pode criar uma oportunidade de compra na visão do UBS BB.
Para os analistas, o segundo trimestre de 2026 tem potencial para marcar um ponto de virada na tese de investimento do Nubank. A avaliação se sustenta em três fatores principais:
- uma ação negociada nos menores múltiplos dos últimos anos;
- expectativa de melhora nos resultados operacionais e;
- um possível impulso vindo do Novo Desenrola, programa que pode acelerar a recuperação de créditos já considerados perdidos.
Os analistas mantiveram a recomendação de compra para os papéis e o preço-alvo de US$ 16,90, enxergando espaço relevante de valorização, próxima de 28%, caso o próximo balanço confirme a mudança de cenário.
Novo Desenrola, programa do governo, pode dar alívio
Depois que o aumento das provisões pressionou os resultados do primeiro trimestre, o UBS BB acredita que o programa de renegociação de dívidas pode produzir o movimento contrário.
Segundo o banco, o Nubank se tornou o principal participante do programa, respondendo por aproximadamente 32% das operações realizadas.
Até agora, foram mais de 400 mil renegociações, somando R$ 746 milhões, volume superior ao registrado pelos três maiores bancos privados brasileiros juntos.
Para os analistas, essa liderança pode acelerar a recuperação de créditos já baixados para prejuízo (written-off), gerando um impacto relevante sobre os resultados do segundo trimestre.
Caso o programa alcance cerca de R$ 40 bilhões em renegociações em todo o sistema financeiro, o UBS BB estima um efeito potencial de até R$ 2,4 bilhões no lucro antes dos impostos (EBT) do Nubank, já que o Nu possui cerca de 30% de participação no programa.
A margem é ponto forte
Embora o aumento das provisões tenha dominado as atenções no início do ano, o UBS BB chama atenção para um indicador que segue caminhando na direção oposta: a margem financeira (NIM).
No primeiro trimestre, ela atingiu 21,1%, o maior nível da história da companhia, e os analistas acreditam que ainda há espaço para expansão.
Isso porque, segundo o UBS BB, o Nubank ainda possui ampla capacidade para transformar depósitos em crédito, mantendo uma relação empréstimos/depósitos inferior à dos grandes bancos brasileiros.
Além disso, a operação no México finalmente virou lucrativa — registrando lucro de US$ 14 milhões no primeiro trimestre — e vem reduzindo rapidamente seu custo de captação.
Outro ponto que sustenta a tese é que a fintech do cartão roxinho continua ampliando sua participação no crédito pessoal sem garantia, segmento de maior rentabilidade e no qual os bancos tradicionais seguem mais conservadores.
“O mix de crédito deve favorecer as margens, já que empréstimos sem garantia continuam ganhando participação e concorrentes estão mais cautelosos nos principais segmentos onde o Nu atua”, avaliam os analistas.
Na leitura do UBS BB, esses fatores devem continuar sustentando a expansão das margens ao longo dos próximos trimestres.
O mercado exagerou na punição do Nubank?
Na visão do UBS BB, a forte correção das ações do Nu abriu uma oportunidade que não existia há bastante tempo.
Depois da queda acumulada no ano, o Nubank passou a negociar a cerca de 15 vezes o lucro projetado para 2026 e 12 vezes o estimado para 2027.
Para os analistas, esses múltiplos parecem incompatíveis com uma empresa que continua entregando crescimento elevado e rentabilidade superior à de diversas fintechs globais.
“O Nubank apresenta um desconto significativo em relação a outras fintechs e empresas de pagamentos, apesar de combinar maior lucratividade com ritmo semelhante de crescimento dos lucros”, afirmam os analistas, em relatório.
Em outras palavras, o UBS BB acredita que o mercado passou a precificar um cenário excessivamente pessimista após o balanço do primeiro trimestre.