Balanço bilionário da Nvidia: ‘O desafio agora é acelerar o crescimento’, afirma analista da Empiricus
A Nvidia (NVDA) apresentou um resultado que pode ser considerado excepcional, impulsionado pela forte demanda por inteligência artificial, mas a reação do mercado foi mais contida do que o esperado.
Segundo Enzo Pacheco, analista da Empiricus Research, os números vieram robustos em praticamente todas as linhas, embora investidores sigam atentos à capacidade da companhia de manter o ritmo de crescimento acelerado.
“No geral, os resultados foram ótimos. A demanda pelos produtos continua muito forte e as margens seguem impressionantes. O ponto é que, quando você já cresce em níveis tão elevados, o desafio passa a ser continuar acelerando”, afirmou no Giro do Mercado desta quarta-feira (21).
A companhia registrou receita de US$ 81,6 bilhões no período, uma alta de 85% na comparação anual e acima das projeções de mercado, que giravam em torno de US$ 79 bilhões. O lucro líquido somou US$ 58,3 bilhões, avanço de 211% na mesma base comparativa.
Além do crescimento expressivo, Pacheco ressalta a qualidade dos resultados, especialmente as margens. A Nvidia opera com margem bruta próxima de 75%, patamar típico de empresas de software e incomum para companhias de hardware, refletindo seu posicionamento como fornecedora de um ecossistema completo de inteligência artificial, que vai além dos chips.
“A Nvidia deixou de ser apenas uma empresa de semicondutores. Hoje ela vende uma solução completa, que inclui hardware, software e toda a infraestrutura necessária para inteligência artificial. Isso explica a capacidade de manter margens tão elevadas”, explica.
Apesar disso, a reação mais morna das ações também reflete o tamanho da empresa e o alto nível de expectativa já embutido no preço. Avaliada em trilhões de dólares, a companhia precisa entregar resultados cada vez mais expressivos para surpreender positivamente o mercado.
Outro ponto de atenção é o aumento da concorrência no setor. Segundo o analista, outras empresas de semicondutores e tecnologia vêm se beneficiando da onda de investimentos em IA e atraindo o interesse dos investidores.
“Quem olha para o setor costuma buscar teses com grande potencial de valorização, muitas vezes acima de 100%, justamente pela volatilidade. Nos últimos meses, outras companhias performaram muito bem e passaram a disputar a atenção do mercado”, afirma Pacheco.
Ainda assim, ele pondera que a Nvidia segue em uma posição privilegiada dentro dessa corrida tecnológica, mantendo forte demanda e poder de precificação, fatores que sustentam a tese de crescimento para os próximos trimestres.
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*Com supervisão de Juliana Américo