Petróleo salta mais de 5% com nova ofensiva dos EUA sobre exportações do Irã
Os preços do petróleo disparam no final da tarde desta terça-feira (7) em meio a notícias de que os Estados Unidos revogaram uma licença geral que autorizava a venda de petróleo iraniano.
Por volta de 16h20 (horário de Brasília), o contrato mais líquido do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para setembro saltava 5,72%, a US$ 76,13 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, no pregão eletrônico.
No mesmo horário, o contrato do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para agosto registrava ganho de 5,50%, a US$ 72,31 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA.
A medida foi tomada depois que três petroleiros relataram ter sido atingidos por projéteis desconhecidos no Estreito de Ormuz e nas proximidades nos últimos dias, informou a agência UKMTO, ligada à Marinha britânica, em um relatório. Não houve comentário imediato de Teerã, nem qualquer reivindicação de responsabilidade.
“Como o presidente Trump e o governo têm afirmado repetidamente, o memorando de entendimento em vigor com o Irã é inteiramente baseado em desempenho”, disse o funcionário do governo à CNBC.
Já segundo a Reuters, citando uma autoridade norte-americana à Reuters, as ações do Irã no Estreito de Ormuz são “totalmente inaceitáveis” e teriam consequências.
Na véspera, o presidente norte-americano Donald Trump havia afirmado que Washington e Teerã chegarão a um acordo ou seu país “terminará o serviço”, renovando suas ameaças de ação militar. Em resposta, o ministro das Relações Exteriores do Irã Abbas Araghchi declarou que as negociações entre os dois países para um acordo definitivo não ocorrerão se as ameças dos EUA continuarem.
Na avaliação da economista-chefe da InvestSmart XP, Mônica Araújo, o novo acirramento das tensões entre EUA e Irã ‘testa’ o limite dos agentes do mercado para um possível acordo, que já se sabia que era frágil.
Para ela, a decisão dos EUA coloca em risco o avanço das negociações de paz. “Até então os eventos de ataque não estavam sendo precificados pelo mercado, mas a notícia de suspensão pelo EUA ganha uma conotação diferente e pode trazer uma nova volatilidade para o mercado de petróleo”, afirmou a economista-chefe.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã — sendo uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo —, segue como o principal ponto de atenção do mercado.
Cerca de um quinto do consumo global da commodity passa pelo ‘corredor’, que conecta grandes produtores do Oriente Médio — como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar — aos mercados da Ásia, Europa e América do Norte.
No pregão regular, o contrato mais líquido do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para setembro fechou o dia com alta de 3,01%, a US$ 74,16 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, o contrato do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para agosto registrou avanço de 2,76%, a US$ 70,445 o barril.
*Com informações de Reuters