Juros Futuros

Taxas de DIs sobem ao fim da sessão após EUA revogarem licença para petróleo iraniano

07 jul 2026, 17:32 - atualizado em 07 jul 2026, 17:32
(Imagem: alexsl/iStock)

As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) ganharam força na reta final da sessão e encerraram a terça-feira (7) com altas, acompanhando a aceleração dos rendimentos dos títulos do Tesouro (Treasuries) após os Estados Unidos revogarem uma autorização para a venda de petróleo do Irã.

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Em meio à percepção de retrocesso nas negociações de paz no Oriente Médio, no fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,14%, com alta de 10 pontos-base ante o ajuste de 14,043% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,37%, com elevação de 5 pontos-base ante o ajuste de 14,321%.

Até próximo do fechamento da sessão regular as taxas futuras demonstravam acomodação no Brasil, mas a notícia envolvendo EUA e Irã deu força ao petróleo, acelerou o avanço dos rendimentos dos Treasuries e impulsionou o dólar ante outras divisas, o que impactou a curva brasileira.

Os EUA revogaram uma licença geral que autorizava a venda de petróleo iraniano, afirmou uma autoridade norte-americana, alertando que as ações do Irã no Estreito de Ormuz eram “totalmente inaceitáveis” e teriam consequências.

Mais cedo, a agência UKMTO, ligada à Marinha britânica, informou que três petroleiros relataram ter sido atingidos por projéteis desconhecidos no Estreito de Ormuz e nas proximidades nos últimos dias. Não houve comentário imediato de Teerã, nem reivindicação de responsabilidade.

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A taxa do DI para janeiro de 2025, que marcou a mínima de 14,015% (-3 pontos-base) às 15h33, pouco antes da notícia sobre a revogação, saltou para a máxima de 14,160% (+12 pontos-base) às 16h15, já após a publicação.

Às 16h33, o rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– subia 6 pontos-base, a 4,539%.

O que movimentou os DIs?

O noticiário sobre o Oriente Médio azedou uma sessão que, até perto do fechamento, era de baixa leve para as taxas dos DIs, na esteira de leilão de títulos com baixo volume realizado pelo Tesouro no fim da manhã.

O Tesouro mais uma vez demonstrou cautela ao ofertar Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B), títulos indexados à inflação. O órgão vendeu apenas 150 mil notas no leilão, um volume baixo, semelhante aos 134,4 mil títulos negociados na semana passada. Há duas semanas, o Tesouro nem mesmo ofertou NTN-B em sua operação regular.

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Ao vender menos títulos ou mesmo cancelar a oferta semanal de NTN-B, o Tesouro evita corroborar as taxas reais mais elevadas que vêm sendo praticadas no mercado, acima de 8%. O efeito disso na curva de DIs é de desestimular o avanço das taxas – daí a desaceleração vista nesta terça-feira após o leilão.

Operador ouvido pela Reuters pontuou que, além das vendas menores de NTN-B, o mercado seguiu reagindo a comentários do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, em entrevista à Folha de S.Paulo publicada na sexta-feira.Ceron demonstrou preocupação com a taxa real das NTN-B, alertando que o Tesouro está preparado para atuar no mercado se necessário.

Em reação, as taxas reais das NTN-B para vencimentos como agosto de 2032 e maio de 2035 cederam um pouco desde a última sexta-feira, embora sigam acima dos 8%.

Em março, para reduzir a pressão na curva brasileira em meio à guerra no Oriente Médio, o Tesouro chegou a promover leilões de recompra de NTN-B – possibilidade que permeou as mesas nesta sessão.

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No leilão regular desta terça-feira, além das NTN-B, o Tesouro vendeu 1,5 milhão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), títulos indexados à taxa Selic. O volume foi compatível com o verificado em outras semanas.

No início do dia, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou deflação de 0,79% em junho, após uma taxa positiva de 0,87% em maio. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam por deflação de 0,60% em junho. No acumulado de 12 meses, a taxa está positiva em 3,59%.

Nas últimas semanas, na esteira dos dados econômicos mais recentes e do discurso do Banco Central, investidores têm elevado as apostas de que a instituição cortará em agosto novamente a Selic, hoje em 14,25% ao ano.

Na sexta-feira – atualização mais recente – a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 72% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, contra 25,9% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14,25%. Duas semanas antes, em 19 de junho, os percentuais eram de 26% para corte de 25 pontos-base e 68,5% para manutenção.

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A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.
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